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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Preconceitos de fé e de cor

     


Rômulo Rodrigues

Quando a fé entra no xadrez eleitoral

O dia “D” de passar o Brasil a limpo se aproxima. Faltam cinco dias para que os eleitores façam suas escolhas e, como o escriba não é afeito a superstições ou coincidências, vale alertar que há um debate em torno dos símbolos religiosos e de sua utilização na política.

É uma questão que interessa ao eleitor católico. Que lugar a fé popular, suas tradições e seus símbolos ocuparão no Brasil diante do avanço de grupos religiosos que procuram ampliar sua influência sobre a política?

Não é uma discussão inteiramente nova. Nos últimos anos, manifestações de natureza religiosa passaram a ocupar espaços cada vez mais visíveis na política e também na cultura popular. 

No Carnaval de Salvador, por exemplo, o episódio envolvendo Baby do Brasil e Ivete Sangalo, em 2024, expôs publicamente o choque entre diferentes formas de manifestação da fé em um espaço tradicionalmente marcado pela diversidade religiosa.

O debate ganhou novo combustível na reta final da campanha. A religião, mais uma vez, aparece como elemento de mobilização eleitoral, enquanto diferentes grupos procuram associar suas posições políticas à defesa da fé, da família e dos valores cristãos.

Para o povo do Seridó, região profundamente marcada pelo catolicismo popular e pela devoção à Senhora Sant’Ana, a discussão merece atenção. Lá, a fé não se resume ao espaço das igrejas. Ela está presente nas festas, nas procissões, nas tradições familiares e na própria identidade cultural da região.

Nossa Senhora Aparecida, por sua vez, ocupa lugar singular na religiosidade brasileira. Sua imagem, encontrada por pescadores no rio Paraíba do Sul no século XVIII, tornou-se um dos maiores símbolos da fé católica no país.

Por isso, é importante  observar que  a religião se tornou parte importante do jogo político e os símbolos da fé popular passaram a ser utilizados como instrumentos de mobilização.

No fim das contas, cada eleitor responderá pelo seu voto. E não haverá como dizer, depois, que não sabia quais forças políticas ajudou a colocar em posição de decidir os rumos do país. A disputa é entre os vendilhões do tempo, representada pela extrema direita, e o campo progressista, que respeita a diversidade religiosa no Brasil, um país laico.

A velha fábula do diabo em cima da árvore ensina justamente isso: diante das consequências de uma escolha, não basta dizer que “eu só fiz soltar o cavalo”.

Militante político  

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