Rômulo Rodrigues
Nada mais oportuno do que resgatar um argumento que, de tão óbvio, muitos insistem em não considerar, embora seja secular: o voto é uma escolha que atravessa o tempo e, como já ensinava Platão, há 2.400 anos, carrega consequências.
E agora, quando se aproxima a hora de votar, a pergunta se impõe: qual projeto de Brasil queremos? Aprofundar o caminho da soberania, com uma visão de futuro mais alvissareira, ou retroceder ao colonialismo exterminador? Votar pela continuidade de um comandante à frente do navio, reconhecendo que o voto é uma escolha pessoal do eleitor e não tem preço — mas, sim, consequências? Ou votar em um projeto de subordinação à barbárie, marcado pela ausência de qualquer ideia de nação soberana?
O raciocínio de Platão era simples: para pilotar um navio, exige-se qualificação; para operar uma pessoa, são necessários anos de estudo e muito conhecimento e para construir uma ponte, são indispensáveis inúmeros cálculos. Mas, para governar um país, fazê-lo ocupar espaço nas agendas mundiais e eleger um Congresso Nacional capaz de dar sustentação a esse projeto, os entreguistas querem fazer o povo acreditar que basta teclar alguns números na urna eletrônica — e pronto.
O diagnóstico é triste e pode ser constatado na nossa realidade política: quantas pessoas irão à cabine eleitoral movidas pelo ódio a um partido político ou a quem recebeu um país quebrado, na 12ª posição da economia mundial, conduziu-o à 6ª posição, viu sua sucessora ser golpeada por abutres, retomou as rédeas do país e já começou a recolocá-lo no lugar que lhe cabe?
Enquanto isso, o Partido Midiático parece só pensar em derrubar, pouco importando se, com isso, o país retrocederá ainda mais sob o comando de seus prepostos. Quando o voto é movido pelo ódio, vale recorrer a um exemplo bastante educativo do reino animal: a cigarra, tomada pelo ódio à formiga, votou no inseticida. No fim, morreram todas — inclusive os grilos, que votaram em branco ou nulo, e as moscas, que preferiram se abster.
No próximo dia 4 de outubro, o povo do Seridó dará um recado contundente contra as práticas de negar a democracia, trair a pátria e alimentar o ódio. E também contra aqueles e aquelas que, pelo que representam, nem sequer deveriam macular o interior das urnas eletrônicas com suas faces repugnantes.
Vão de retro, seus demônios!
Militante político

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