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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Os Inimigos do Fim

Massa Dura, bloco carnavalesco de Caicó-RN, Carnaval de 1981

Roberto Fontes

Em 1981, quando o Carnaval brasileiro ainda vivia a transição entre os antigos bailes de clube e os grandes espetáculos das escolas de samba, um 
grupo de jovens caicoenses resolveu criar seu próprio bloco carnavalesco. 
Surgiu o Massa Dura, uma confraria formada por rapazes que tinham em comum a pouca idade, muita disposição e nenhuma preocupação com a ressaca do dia seguinte.
A proposta era simples, quase revolucionária na sua singeleza. 
Durante os quatro dias do reinado de Momo, entre o sábado e a terça-feira, os caras mergulhávamos numa maratona etílica que faria inveja aos bêbados mais experientes da cidade. 
A programação incluía visitas aos sítios da redondeza, onde um blend de cachaça, rum, uísque barato e cerveja fazia o serviço de nos deixar completamente chapados.
A conversa fiada corria solta, e as tradicionais incursões pelo centro da cidade completavam o programa.
O ponto alto era o chamado “corso”, quando o Massa Dura circulava pelas principais ruas de Caicó, transformando a cidade em seu palco particular para exibição de corpo sarados, da inquietude típica de quem acredita que o mundo ainda está por conquistar e de uma energia aparentemente inesgotável.
Era um Carnaval sem cordas, sem abadás, sem camarotes e sem patrocinadores. 
Bastavam os amigos, um caminhão alugado, muito forró Pé de Serra, boa vontade e a certeza de que a festa precisava durar até o último minuto da terça-feira gorda, incluindo bailes de Carnaval no Corintians todas as noites.
Quando a quarta-feira de cinzas finalmente chegava, encontrava aqueles jovens exaustos, roucos e felizes. 
Eram inimigos declarados do fim da folia e defensores obstinados da alegria. 
Mais de quatro décadas depois, com alguns brincando noutro plano espiritual, a lembrança do Massa Dura continua viva como um retrato de um tempo em que o Carnaval de rua de Caicó era feito sobretudo de amizade, irreverência e liberdade.

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