A reta final da campanha começa a mostrar sinais de desgaste da candidatura de Flávio Bolsonaro. Diante disso, setores da extrema direita reagem com violência e procuram criar um ambiente de medo, recorrendo a métodos que remetem às experiências do fascismo italiano dos anos 1920 e do nazismo alemão dos anos 1930 — regimes cuja violência deixou marcas profundas na história.
A candidatura de Flávio Bolsonaro enfrenta ainda o impacto da crise que envolve o STF e o caso Banco Master. O episódio ganhou novas dimensões com a atuação do ministro André Mendonça, relator de parte das investigações, e com a divulgação de informações que colocaram a campanha bolsonarista diante de novos questionamentos.
Também voltou ao debate a atuação de Fernando Cerimedo, consultor político argentino ligado a estratégias digitais da extrema direita latino-americana. A polícia boliviana encontrou uma estrutura de robôs e “fazenda de cliques” ligada a ele. Cerimedo já havia participado da campanha de desinformação que questionou, sem apresentar provas, a lisura da eleição brasileira de 2022.
Nesse cenário, o movimento de André Mendonça, que parecia destinado a produzir efeitos políticos favoráveis ao campo bolsonarista, acabou ampliando a crise institucional. O episódio expôs disputas internas no Supremo e alimentou o debate sobre as relações entre setores do Judiciário, da política e dos interesses econômicos envolvidos no caso Master.
A resposta democrática, portanto, passa pelo voto consciente. Escolher representantes comprometidos com projetos que favoreçam interesses particulares, em detrimento da soberania e do patrimônio nacional, significa entregar-lhes um cheque em branco para decidir o futuro do país.
É difícil imaginar que um candidato à Presidência da República apresente como proposta de governo a fiscalização de rolos de papel higiênico e bandejas de ovos nos supermercados. Mais do que uma simples excentricidade, esse tipo de discurso merece ser analisado pelo eleitor para que se compreenda que projeto de país está sendo apresentado.
A bizarrice chega ao limite quando Flávio Bolsonaro atribui ao governo Lula responsabilidades pelo caso Banco Master, enquanto seu próprio nome aparece no inquérito relacionado ao financiamento do filme Dark Horse. Além, claro, do pedido explícito de dinheiro que ele fez a um banqueiro envolvido com vários crimes contra a economia popular. A investigação, que apura possíveis irregularidades, foi aberta por determinação de André Mendonça e teve parte de seus documentos tornada pública.
No Seridó, em Caicó, no Rio Grande do Norte e no Nordeste brasileiro, o eleitor terá novamente a oportunidade de responder nas urnas. O desafio é não permitir que o ódio, a desinformação e a política do medo se transformem em projeto de poder.
Militante político

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