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sexta-feira, 31 de maio de 2019

Inevitável

Isabel Machado

Inevitável foi o toque
a procura
a consumação da loucura
a transformar nós dois
em um.
Nada foi comum
Tudo foi vital
anormal...
dentro da normalidade contida
no ato.
Inevitável foi o tato
e meus seios foram teus
... tudo... o corpo todo
sentiu-te em gula
nas entranhas
nas loucas manhas
da manhã-festim...

Inevitável
tatear-me em falso
pra sentir-te pleno
em mim...

Dieta perfeita



Loucura



Sacanagem



Velhaco é foda



Agora feda



quinta-feira, 30 de maio de 2019

Gatinha

Norival Vieira

Toda ela encantadora produzida,
de seda coberta aos pés todo encoberta,
nas sem calcinha muito sedutora
com a camisola entreaberta.
Dos olhos saem chispas de desejo,
os lábios úmidos odor a exalar
de fêmea sedutora e carinhosa,
mas com a alma de mulher a excitar.
Coloca-se de quatro, qual gatinha
meiga, carinhosa, toda de desejo,
ela me chama e diz que é toda minha.
E no seu lugarzinho tão querido
ela pede que estocada seja dada
e se desmancha num doce gemido.

Inveja



Gilsadas

Adoro que me invejem e que
me odeiem.Porque ninguém
inveja o feio e nem odeia
o fraco.
Gilson Variedades


Que diabo esse menino viu

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Exemplos

O Joãozinho está sentado na 1ª fila.
O professor pede aos alunos para darem exemplos de excitantes:
– O café! – responde a Maria
– Muito bem – diz o professor
– O álcool! – responde o Antônio
– Muito bem – diz o professor
– Uma mulher nua! – responde o Joãozinho.
O professor, num tom de voz severo:
– Você vai dizer ao teu pai para vir falar comigo amanhã, tenho duas palavrinhas para dizer a ele…
No dia seguinte o professor repara que o Joãozinho está sentado na última fila.
Ele pergunta:
– Joãozinho, você deu o recado ao seu pai?
– Sim, senhor professor
– O que é que ele te disse?
– Ele me disse: Senta bem longe dele. Se o seu professor não fica excitado com uma mulher nua é porque é viado!

Sacanagem



quarta-feira, 29 de maio de 2019

Boca santa

Um cara viajava num trem e no banco à sua frente, ia um casal de namorados no maior amasso.
O rapaz apertou o nariz da namorada e perguntou:
— Dói, amorzinho?
— Dói sim.
Aí, ele deu um beijo no nariz dela e perguntou:
— E agora?
— Agora passou, meu bem.
Em seguida, ele apertou a bochecha da garota:
— Dói?
— Dói sim.
Ele não teve dúvidas. Deu-lhe um beijo na bochecha e perguntou:
— E agora?
— Agora já passou, meu anjo.
Aí, o cara não aguentou e cutucou o ombro do rapaz, que se virou e disse:
— Pois não?
— Me diga uma coisa, boca santa: você cura hemorróidas?

Diarreias mentais - CXLIX


Taxas altas

Verificar periodicamente as condições da saúde física deve ser uma constante para a pessoa em qualquer idade, mas quando chegamos a certa idade – 40, 50 anos, - essa verificação deve se tornar amiúde. O check-up periódico se faz necessário, principalmente a observação daquelas taxas que tanto nos atormentam:  glicose, PSA, colesterol, triglicérides, etc. Muitos fazem desses exames uma batalha, outros nem tanto, aliás, outros as tornam até hilárias. 
Calcado nesse lado engraçado é que contamos aqui estas historietas.
* - * - *
Um cidadão, casado com uma senhora corpulenta (peso com três dígitos) – Dona Isaura - levou seus exames laboratoriais para a apreciação médica, e lá estava assinalada a sua alta taxa de colesterol.  
Seu médico, observando aquela alteração, passou a lhe orientar sobre a sua futura dieta alimentar, e arrematou dizendo:
– O senhor não poderá mais comer gordura!
E o paciente, muito assustado, perguntou:
– Vige, doutor!  E quem vai comer Isaura?
*-*-*
Aquele outro também estava com a taxa de colesterol alta.
– Afaste-se dos ovos - disse-lhe o médico.
E ele passou a andar de pernas abertas.
*-*-*
Outro cidadão na mesma situação: taxa de colesterol altíssima. O médico, a título de orientação alimentar, lhe informou que, doravante, ele passasse a alimentar-se apenas de carne branca.
Ele saiu do consultório médico, passou no mercado, e ali mesmo comprou cinco quilos de toucinho.
*-*-*
Pedro Otávio era fissurado em comer ovos fritos. Os amigos achavam até que a sua comida predileta era cuscuz com ovos. Então, certa feita, perguntaram-lhe:
– Otávio, qual a sua comida predileta?
– Mulher! – respondeu ele.
E arrematou:
– Se eu pudesse, só sairia de dentro de uma mulher pra comer cuscuz com ovos fritos.
Voltemos à historieta. 
Então, ele um homem já entrado nos anos, com uma dieta alimentar dessas, – de ovos, não de mulheres, é claro – não deu outra: a sua taxa de colesterol foi para as alturas.
Para o seu infortúnio, o seu médico, que conhecia a sua sofreguidão, proibiu-lhe, terminantemente, de comer o seu prato predileto – ovos, e não mulheres, é claro. 
Ele ficou, como dizia a finada minha mãe, de ovo virado (de mau humor):
– Porra, doutor!  Como eu vou viver sem meu cuscuz com ovos?
Atenta às recomendações do médico, sua esposa, cuidadosa e zelosa, passara a ser uma ferrenha patrulheira:
– Não quero ficar, viúva – dizia:
– Nada de comer ovos!
Passados alguns meses, terríveis meses de estrita abstinência, voltou ao médico pisando em ovos (com cautela) com novo exame nas mãos. E esse estava pior que o anterior.
– A sua taxa de colesterol continua subindo, senhor Pedro Otávio. O senhor continua comendo ovos, diariamente? - perguntou-lhe o doutor:
Foi nesse momento que ele teve uma grande ideia:
– Estou comendo apenas seis, doutor - mentiu.
O médico ficou assombrado:
– Eu não o proibi de comer ovos?
– Mas eles são irresistíveis, doutor – respondeu o ovívoro.
Aí o seu ardiloso plano começou a dar certo. O médico, para aliviar aquela avidez, assentiu:
– Faça o seguinte: coma apenas a metade disso. Coma apenas três.
E ele saiu dali jubiloso:
– O meu plano deu certo!  Viva, vou voltar para os meus ovos com cuscuz!

Ciduca Barros é escritor e colaborador do Bar de Ferreirinha

Sacanagem



Cliente



Contrações

Isabel Machado

Abre e fecha
flechas de desejos
flashs instantâneos
quando penso em ti...
Pulsa o pulso
pulsa a flor que arde
curtas contrações
longos arrepios...
Abre e fecha
sangue bombeando
vida latejando
rega esse navio...
Pulsam bicos
seios bolinados
duros, retesados
querendo implodir...
Flor-de-cheiro
doce à la pom-pom
molha tua boca
sente quanto é bom...
Abre e fecha
pulsa e repuxa
flor-da-contração
arde de tesão
abre minhas coxas
rompe tuas forças
seca minhas poças
e deglutes
todas as flores roxas
que um dia
desabrochaste...

Olhar diferente

Em parceria com o Satirinhas.


Programinha caseiro

passando um xaveco


terça-feira, 28 de maio de 2019

O ganho fácil

Ivar Hartmann

Quem não quer ganhar dinheiro fácil? Basta ver os cassinos para sentir que é uma febre coletiva. Os bingos do Brasil se enchiam de pobres que gastavam parte de seus sofridos salários na busca deste ganho extra, mais difícil de achar que água no Saara. Em fevereiro deste ano o jornal de Novo Hamburgo, o NH, publicou extensa matéria sobre uma empresa que operava com ativos criptográficos, vendendo bitcoins no mercado. Chamava a atenção não a venda em si, negócio recorrente no mundo inteiro, mas a proposta do ganho inicial: incríveis 15% de lucro já no primeiro mês da compra. Como eram contratos com boa aparência, firmas reconhecidas em cartório, deveriam ser sérios. Deveriam. 55 mil brasileiros aderiram, movimentando mais de um bilhão de reais em poucos meses. Os sócios da empresa, novos Messias, pagavam o avençado e mais gente aderia. Felizmente pobre não sabe o que é bitcoin.  Pessoas da classe média e rica tinham primazia no enriquecimento rápido. E o dinheiro jorrou, agora sim, como água, mas nesta Amazônia.
Os Messias tiveram seus direitos garantidos. Eles sacaram sua parte e aproveitaram: trocaram as casas modestas por palacetes, os autos usados baratos pelos melhores a circular em Novo Hamburgo e abasteceram seus guarda roupas e adegas. Infelizmente os demais 55 mil brasileiros vão ter um pequeno problema: afora os 15% iniciais, terão dificuldades em reaver sequer o investido. Vamos convir: gente com ensino médio ou superior, profissionais liberais ou donos de bons empregos, empresários e leitores de jornais e revistas, foram muito ingênuos em suas aplicações. De olho no ganho fácil com o papel com firma reconhecida, nem pediam a documentação da empresa. Em se tratando de dinheiro, é o mínimo necessário. E a firma criada pelos novos Messias não tinha autorização para operar. Assim o maná não caiu. Mais uns anos, como nas Filipetas, o mesmo golpe voltará. As pirâmides sempre atraíram os aventureiros.

ivar4hartmann@gmail.com

Papo de amor

Amor l


– Sabe, querida, quando você fala me faz lembrar o mar…
– Puxa, amor. Não sabia que te impressiono tanto.
– Não é que me impressione. É que enjoa.
Amor II
– Querida, vamos ter que começar a economizar.
– Tudo bem...
_ Mas como?
– Aprenda a cozinhar e mande a empregada embora.
– Tá legal… Então aprenda a fazer amor e pode
dispensar o motorista.
Amor Ill
O cara pergunta para a mulher:
– Querida, quando eu morrer, você vai chorar muito?
– Claro, querido. Você sabe que eu choro por qualquer besteira…

Amor lV
Na cama, o marido se vira para a jovem esposa e pergunta:
– Querida, me diga que sou o primeiro homem da sua vida.
Ela olha para o babaca e responde:
– Pode ser… Sua cara não me é estranha…

O significado de:tanto faz



O menino e a menina

O MENINO
Um menino pergunta para o seu pai “Papai, quantos tipos de peitos existem?”.
O pai, surpreso, responde “Bem, filho, há três tipos de peitos:
– Aos vinte anos os peitos de uma mulher são como melões, redondos e firmes.
– Dos trinta aos quarenta eles são como peras, ainda agradáveis mas um pouco caídos.
– Depois dos cinqüenta, eles ficam como cebolas”.
– “Cebolas?”.
– “Sim, você olha para eles e chora…”

A MENINA
Uma menina pergunta para a sua mãe ” Mãe, quantos tipos de pênis existem?”.
A mãe, surpresa, responde ” Bem, filha, um homem, passa por três fases.
– Aos vinte anos, o pênis de um homem é duro e ereto como um carvalho.
– Dos trinta aos quarenta é como um salgueiro, flexível mas seguro.
– Aos cinqüenta ele fica como uma árvore de Natal.”
– “Uma árvore de Natal?”
– “Sim, seca e com umas bolas penduradas para decoração”.

Bem feito



Ladrão conselheiro



Fofoqueiras

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segunda-feira, 27 de maio de 2019

O fantasma

Imagem: Hotéis Zarpo - www.zarpo.com
Heraldo Palmeira

A imagem de abandono não lembra em nada o glamour que dominou seus ambientes suntuosos. Eu mesmo perdi a conta das vezes em que me hospedei ali, em viagens profissionais. Sempre gostei de andares mais altos e ali eles não faltavam, eram vinte e nove pavimentos.

A vista era sempre deslumbrante, só havia apartamentos de frente, resultado do engenhoso projeto arquitetônico em meia-lua onde corredores, elevadores e escadas ficavam na parte dos fundos de cada piso.

O prédio imponente virou atração turística desde a inauguração, quarenta anos antes, e símbolo de requinte para a cidade. Não foram poucas as celebridades, autoridades e milionários que marcaram época em suas dependências. Et pour cause, mulheres lindas.

Os restaurantes refinados, especialmente o da cobertura, apartamentos enormes, serviço à altura da tradição do nome da família hoteleira completavam a sensação de algo especial no ar. Talvez o luxo e a efervescência cultural que saltavam aos olhos de quem cruzava o lobby suntuoso.

É doloroso testemunhar algo que aparenta estar acima do tempo sucumbir ao passar dos anos, sem que se perceba o exato momento em que o charme se tornou duvidoso e deu lugar à decadência.

Uma torneira que não para de pingar a noite inteira, instalando uma cantoria que martela o silêncio do sono. Outra que, aberta, faz jorrar do chuveiro uma torrente contaminada pela ferrugem do encanamento obsoleto. Uma cortina rasgada, envergonhada por não mais conter a invasão da luz externa. O sistema de refrigeração que produz mais barulho do que uma temperatura suave. A velha caldeira que garante um banho de espasmos de desarmonia entre água gelada ou fervente.

Sim o hotel soberano é agora um arremedo do que foi, repete a triste história vivida por seus irmãos que um dia também reinaram em outras grandes cidades como símbolos de uma era. Talvez tenha sido vítima de um sentimento narcísico, incapaz de enfrentar o envelhecimento com sabedoria, de cuidar da própria saúde.

O enorme tapete vermelho que se pronunciava já na calçada deu lugar à sujeira dos moradores de rua que se multiplicam, sem solenidade, diante da entrada agora lacrada e das pichações que cobrem a fachada.

O ambiente ficou pesado, contaminando o comércio que ainda resiste na vizinhança imediata de uma galeria popular. Todos temem que os quase trezentos apartamentos sejam tomados de assalto pelos mendigos e oportunistas. Quem sabe, eles guardem o desejo de usufruir do que sobrou do luxo que jamais teriam acesso, e aceitem viver como avatares de um tempo agora repleto de fantasmas.

Muito provavelmente haveria disputa pela suíte presidencial que ocupa meio andar, debruçada sobre o magnífico parque encravado do outro lado da avenida. Ou pelas quatro suítes de governador – como o pessoal do hotel costumava chamar as outras quatro que completam o mesmo piso.

O discurso ensaiado informa que as atividades foram suspensas em razão das condições momentâneas do mercado na cidade, resultado da crise econômica. Soa como o choro sufocado de uma mulher que passou a vida fascinando a todos e, agora, diante do espelho, finge não enxergar nos traços disformes da beleza fugidia a ação devastadora e irrecuperável do tempo.

Na verdade, especialistas apontam perspectivas praticamente nulas de reabertura e os números frios da realidade revelam dívidas trabalhistas e fiscais de grande monta. Sem contar que as instalações estão completamente defasadas e uma recuperação é improvável diante dos custos que envolveria.

Parece que o único tesouro que ainda resta é a mobília classuda, em estilo retrô, motivo de cobiça de outros hoteleiros, embora não haja, por enquanto, qualquer negociação a respeito.

Quem passa na grande avenida se depara com o gigante abandonado, escuro, como um retrato perdendo suas cores. Agora, apenas um túmulo suntuoso de uma época, que guarda a memória de tantos hóspedes, frequentadores e empregados.

Ainda é possível fechar os olhos e ouvir a saudação dos quase amigos do check-in: “Seja bem-vindo ao Othon Palace BH”. Doce ilusão que se dissipa num piscar de olhos, tragada pela falência cruel, pela imundície na calçada e pelo rugido urbano ao redor.

Heraldo Palmeira é escritor, documentarista, produtor cultural e colaborador do Bar de Ferreirinha

Maldade