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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Eleição não é coisa do diabo


Rômulo Rodrigues

Pois é: ele tem sempre gente sua disfarçada, em todos os pleitos, tentando embrulhar as mentes das pessoas. Tem um que não nos deixa passar em branco a memória do dia 24 de agosto de 1954 ou, dia do sacrifício de Getúlio Vargas, impulsionado ao trágico desfecho por uma campanha de ódio copiada do Macarthismo estadunidense (prática política de repressão e perseguição a cidadãos de esquerda), que passou a ser a doutrina do lacerdismo udenista, saindo-se mal no debate da Band atirando no candidato que elegeu como seu principal oponente, colocando em cena quem não está na disputa.

Como veterano, demonstrando cansaço, com voz embargada e trocando palavras mais parecendo quem não está motivada a cumprir a tarefa imposta, parecia um estereótipo da velha política do ódio, que está em moda, que quer representar e tem tudo para amargar um 3º lugar.

Teve um segundo que deu a impressão de ter sido convencido por algum milagroso marqueteiro, que o segredo estava em se apresentar aos moldes daqueles personagens caricatos dos programas de auditório de Sílvio Santos ou de Chacrinha que, qualquer que fosse o tema, exibia no peito umas folhas de papel em branco e bradava: eu tenho um programa de governo.

Ora, pois, seu gênio da comunicação! Na próxima vez, sopre no ouvido dele que o tipo de argumento usado parece se referir a listas de compras de supermercado: todo mundo tem a sua, com os mesmos produtos, e diferenças só nas quantidades e marcas.

O terceiro despertou minha atenção. Mesmo não tendo feito as categorias de base da política, com tranquilidade matou todas as bolas no peito, encarou os marcadores, com aquele olhar seguro, como quem diz, venham para o jogo que ele é jogado. Quem é pescado é o tucunaré!

Estamos no começo da gincana e verifiquem bem as suas cartas, porque ficará muito feio perante os votantes, competidores que representam as velhas oligarquias serem flagrados em blefes, sem trunfo para mostrar.

Militante político

Queimam a alma, aquecem os corpos

           

Ivar Hartmann

Eu não estava presente, é claro, mas, asseguro: quando o raio atingiu a árvore e queimou seus galhos, lançando labaredas e criando brasas, o “homo erectus” , após o terror, se assustou, depois se maravilhou e ao final fez do fogo seu companheiro fiel, vida afora. O fogo aquece o ambiente e o alimento. Suas labaredas enfeitiçam nas lareiras estes dias. Suas chamas, quando lembram a pátria, transformam-se em promessa nossa de amor à terra onde nascemos. 


Feliz coincidência, os fogos da Semana da Pátria e os fogos da Semana Farroupilha, nestes dias, transitam pelas cidades brasileiras e rio-grandenses. Irmanados.


7 de setembro de 1822 - Pedro I, Regente do Brasil em nome de Portugal. Viajava pela Província de São Paulo, quando, à beira de um arroio, recebe um correio com despachos de Portugal e da sua Corte no Rio de Janeiro. Com a impulsividade que caracterizou sua curta vida, juntou sua guarda e cortesãos ao redor de si e desembainhou a espada. Proferiu uma arenga justificativa e bradou: “Independência ou Morte! ” Ao contrário dos outros países latinos, seu ato possibilitou a independência brasileira sem guerras.


10 de setembro de 1836 – 14 anos depois. Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Os gaúchos lutavam contra os brasileiros para garantir serem ouvidos na corte de surdos do Rio de Janeiro. Debalde tinham clamado por seus justos pleitos. No arroio Seival, no Sul, o general Antônio de Souza Neto, comandante farrapo, vê, no alto da coxilha, uma tropa inimiga. Com a impulsividade que norteou sua vida, desembainhou a espada. E bradou: “Ao ataque! Não quero ouvir um só tiro. Vai ser a lança e espada!”. 


No dia seguinte à sua grande vitória, ali perto, proclamou a República Rio-grandense.


Promotor de Justiça aposentado

ivar4hartmann@gmail.com