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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Será Januária a antítese da política?

 


Rômulo Rodrigues

Chico Buarque disse alhures que toda gente homenageia Januária na janela e que, até o mar faz maré cheia para chegar mais perto dela! Mas, a cada dois anos muitas brasileiras e muitos brasileiros focam nas janelas da política achando-a feia e dizendo abominá-la.

Serão estes os critérios da verdade absoluta ou uma fuga da realidade, da real política, conforme entendo de Freud em Psicologia das massas e análise do Eu? Retorno a Chico e vejo que mesmo calados muitos peitos, restam as cucas dos bêbados nos centros das cidades ou dos bares.

Melhor consultar o filósofo e matemático francês Renê Descartes que nos legou três variáveis: a verdade, além de ser filha do tempo e filha da autoridade, é também filha da ciência. E todo bom cientista político corrobora com: política é ciência e arte.

Porém, pelo dinamismo dos acontecimentos em fins da década de 1980 e início de 1990 alguns companheiros reunidos em uma casa no bairro da Mooca, em São Paulo, decidiram editar uma revista mensal cujo título foi A Arma da Crítica, para definir que este era o melhor entendimento para a política, e que a guerra era a crítica das armas, como está provado hoje pelas ações bélicas de Donald Trump e Benjamim Netanyahu na Palestina e no Irã, palcos de genocídios.

O projeto editorial não prosperou, mas, resistiu o quanto pode à destruição neoliberal que assolou o Brasil. Os frutos da resistência estão aí: classe trabalhadora organizada com alto nível de consciência, a maior central de trabalhadores da América Latina, a CUT, e um partido político, PT, com 46 anos de resistência democrática que nas últimas 9 eleições presidenciais venceu 5, perdeu 4 e caminha para um placar de 6x4 em 2026.

O Brasil ainda tem muito que avançar na elevação do nível de consciência do povo, principalmente da classe trabalhadora. Mas, ao olhar para trás, ver o grau de conquistas e vitórias obtidas e saber que produziu para o mundo um Estadista dos mais respeitados, é imperioso dizer: se muito valeu o que foi feito, mais vale o que será.

Militante político

Eleições: parelha e agressiva

            

Ivar Hartmann

Indicados os candidatos aos cargos eletivos a serem disputados este ano, de deputado estadual a Presidente da República, se notam duas faces: a primeira, a quantidade de eleitores que não tem candidato definido para os mandatos legislativos, e a segunda, que veio em um crescendo desde a eleição de Bolsonaro: mais que nomes, disputa-se a escolha da direita ou esquerda. A direita, com três candidatos possíveis, Flávio, Caiado e Zema, representando vários partidos. A esquerda, com Lula, representando o petismo, comunistas e outros partidos menores. Igual de importante: nós eleitores, julgando nas urnas, o STF e seus ministros. Ou seja, repúdio ou apoio. Sim ou não?


O debate que hoje claramente toma conta dos noticiários nacionais, é sobre irregularidades relativas a um filme biográfico, envolvendo Flávio e Vorcaro, e um novo escândalo do Lulinha, filho de Lula. Que, aliado aos recentes golpes no INSS e a obrigatória retirada de figuras chaves da campanha da esquerda, envolvidas em corrupção nos últimos meses, faz renascer entre os eleitores o temor de novas Lava Jato. Mostrando que as benesses promovidas por ministros do STF, protegendo delinquentes nela envolvidos, abriram caminho para novos casos de bandidagem contra os brasileiros.


Falando em Lava Jato, e do local onde ocorreu, o Paraná. Tivemos a luta do STF contra o promotor local, cabeça da acusação, que acabou cassado politicamente e agora é o candidato a senador, com a preferência dos eleitores do Estado, exatamente contra uma figura chave da esquerda. A par disso, o juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, que não foi cassado por um triz, está quase eleito para governador do mesmo Estado. Claramente, lá também, o STF está sendo julgado.


Promotor de Justiça aposentado

ivar4hartmann@gmail.com