Rômulo Rodrigues
Chico Buarque disse alhures que toda gente homenageia Januária na janela e que, até o mar faz maré cheia para chegar mais perto dela! Mas, a cada dois anos muitas brasileiras e muitos brasileiros focam nas janelas da política achando-a feia e dizendo abominá-la.
Serão estes os critérios da verdade absoluta ou uma fuga da realidade, da real política, conforme entendo de Freud em Psicologia das massas e análise do Eu? Retorno a Chico e vejo que mesmo calados muitos peitos, restam as cucas dos bêbados nos centros das cidades ou dos bares.
Melhor consultar o filósofo e matemático francês Renê Descartes que nos legou três variáveis: a verdade, além de ser filha do tempo e filha da autoridade, é também filha da ciência. E todo bom cientista político corrobora com: política é ciência e arte.
Porém, pelo dinamismo dos acontecimentos em fins da década de 1980 e início de 1990 alguns companheiros reunidos em uma casa no bairro da Mooca, em São Paulo, decidiram editar uma revista mensal cujo título foi A Arma da Crítica, para definir que este era o melhor entendimento para a política, e que a guerra era a crítica das armas, como está provado hoje pelas ações bélicas de Donald Trump e Benjamim Netanyahu na Palestina e no Irã, palcos de genocídios.
O projeto editorial não prosperou, mas, resistiu o quanto pode à destruição neoliberal que assolou o Brasil. Os frutos da resistência estão aí: classe trabalhadora organizada com alto nível de consciência, a maior central de trabalhadores da América Latina, a CUT, e um partido político, PT, com 46 anos de resistência democrática que nas últimas 9 eleições presidenciais venceu 5, perdeu 4 e caminha para um placar de 6x4 em 2026.
O Brasil ainda tem muito que avançar na elevação do nível de consciência do povo, principalmente da classe trabalhadora. Mas, ao olhar para trás, ver o grau de conquistas e vitórias obtidas e saber que produziu para o mundo um Estadista dos mais respeitados, é imperioso dizer: se muito valeu o que foi feito, mais vale o que será.
Militante político


