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terça-feira, 29 de setembro de 2026

A ONU, o Brasil e as eleições

                

Ivar Hartmann

Ao final de Segunda Guerra, quando se criou a ONU - que ia acabar com as guerras - o Brasil era uma potência mundial. O gaúcho Oswaldo Aranha, político e diplomata, era o representante brasileiro nos EUA. Foi o primeiro a discursar na tribuna da ONU, o que deu início à tradição de o Brasil abrir anualmente os debates da Assembleia Geral, como ocorreu agora. Ele conduziu a sessão que aprovou a divisão da Palestina  e abriu caminho para a criação do Estado de Israel em 1948. Os Estados Unidos pagam 22% de todo o orçamento de funcionamento da organização, seguido pela China com 15%. O Brasil paga 1,4 % deste total. Os 54 países africanos pagam 3,5%. E os 22 países árabes 6%.  


Nesta miscelânea de continentes, línguas, religiões, populações e interesses, na ONU há o Poder de Veto. As decisões sobre questões substanciais, precisam incluir os votos concordantes dos cinco membros permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia). Agora vejam: Santa Catarina e Rio Grande do Sul, juntos, somam mais de 10% de todo o Produto Interno Bruto gerado no Brasil. O Nordeste (nove estados) concentra o maior número absoluto e valores pagos do Bolsa Família. E o Norte (sete Estados) destaca-se por apresentar a maior proporção de dependência econômica e os maiores valores médios de repasse por família.


É fato a força de trabalho e produção do Brasil está no Sul. Mas, o Nordeste tem 27 senadores (três por estado) e a Região Norte tem 21 senadores de um total de 81. As duas regiões detém a maior força política e da corrupção conhecida. Decidem o Orçamento e as leis. Aprovam ou vetam de acordo com seus interesses regionais. O Sul, a exemplo da ONU, não deveria também ter Poder de Veto nas questões de Orçamento?


Promotor de Justiça aposentado

ivar4hartmann@gmail.com

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