“Seja qual for o resultado da eleição, preparem-se para um estelionato eleitoral ou para uma crise econômica em 2027.”
(Raquel Landim, jornalista do Estadão)
Alisando Cresci
O Brasil decidiu ser um bordel a céu aberto desde Cabral e seu falso “descobrimento”, que os puristas chamam de “achamento” — aqui já viviam entre 2 e 5 milhões de indígenas e, antes de 1500, os portugueses sabiam da existência desta terra de ninguém e outros navegadores tinham chafurdado nas costas de Pindorama, inclusive os espanhóis —, e desde então o que interessa são as mentiras sinceras. É delas que vivemos.
Ao longo do tempo, se transformou num Estado inchado que pouco produz, sustentando cerca de 13 milhões de funcionários públicos, dos quais apenas 53% são concursados — o resto é formado pelo empreguismo de cabos eleitorais e demais apadrinhados. Político nenhum fala de uma reforma honesta desse circo de favores em que ter mérito é ofensa, porque a conta é espetada nas costas dos cidadãos de forma compulsória e estamos conversados. Por isso, dependendo da renda mensal, um assalariado é obrigado a trabalhar de 141 a 156 dias por ano apenas para quitar seus impostos com esse Leviatã incontrolável. Sem contar o que custa a folha de pagamento ao empresariado. Sem contar os impostos em cascata na hora de comprar qualquer coisa na indústria, comércio e serviços.
Apesar de já termos um eleito, não há mais dúvida: o país deve um agradecimento explícito a Daniel Vorcaro. Você se assustou? Bobagem! Estamos vivendo um tempo sem qualquer chance de disfarçar a realidade. Esse homem, que surgiu no meio de um novo ramal da rede de esgoto, rasgou todas as fantasias, retirou todas as máscaras e abriu as cortinas do espetáculo deprimente que sempre ocorreu debaixo dos panos e sempre termina em acordões para impunidade generalizada. Ou você acha mesmo que a pior campanha eleitoral de todos os tempos foi por acaso? Acha mesmo?
A mais explícita das ações do vigarista é a exposição ginecológica da divisão do Supremo em duas bandas, algo até aqui guardado sob anáguas moralistas. O caso é tão esdrúxulo, que as “inçelenças” jogaram até Nossa Senhora Aparecida de um lado para outro e a santa correu o risco de ser levada sem procissão ao Plenário. Numa alçada milagreira de menor escalão, tivemos a jabuticaba TSE inventando regras de claro favorecimento às duas facções da polarização, ora para uma ora para outra. Depois, depois!
Finalmente, como muitos previram, chegamos ao tempo em que uma campanha eleitoral majoritária só interessa aos apaniguados dos candidatos. Não envolve mais o interesse cívico na população, que dá claros sinais de cansaço dessa quantidade de patifes profissionais que se apresentam o tempo inteiro “mentindo sem o cu saber” — palavras indelicadas uma ova! Calminha aí, está entre aspas, é um velho ditado popular.
Não se anime a apontar o dedo apenas para esses lixos com mandato ou que tentam obter algum. Esse negócio tem outro lado muito bem azeitado pelo populismo: uma grande parcela da população mantida cruelmente na ignorância e vivendo dessas bolsas esmolas. E tem mais: quem gastar sola pelos rincões do país poderá se assustar com o ambiente de compra de votos dos dois lados, como se os velhos coronéis do passado estivessem redivivos e em plena ação. Só que, desta feita, suas manhas e almas penadas já não assombram ninguém, foram normalizadas.
Sim, os programas sociais são necessários, desde que respeitando contrapartidas de impulsão social. Mas viraram renda perpétua, provocando as desconstruções conhecidas e dolorosas que mantêm a pobreza. Ou alguém discute que, depois do Programa Bolsa Escola de Ruth Cardoso — a única primeira-dama digna de nota que o país teve na República —, esses programas sociais perderam qualquer caráter de instrumento de largada para um futuro melhor?
Ao contrário, viraram o instrumento de populismo barato que modernizou a compra de votos estabelecida na velha lei do cabresto eleitoral dos coronéis de outrora, para manter os menos favorecidos na miséria de sempre e carentes eternos. Todas essas bolsas esmolas desmontaram completamente qualquer resquício de altivez e valorização da conquista pelo suor, do orgulho de ser alguém pelo próprio esforço. Até porque, na cartilha ideológica dessa gente, meritocracia é palavrão, e não seria no ambiente das benesses sociais, desenhadas para manter dependência, que ela seria levada em conta.
No meio de tantos graves problemas como esse, que travam o país sem piedade, sobressai a ignorância bovídea dos rebanhos que alimentam uma polarização desenhada apenas para defender seus bandidos-capatazes de estimação. Essa polarização é milimetricamente calculada para desviar a atenção e impedir a sociedade de exigir providências para o que realmente interessa, como a reprogramação dessas esmolas públicas mensais que vêm desmontando a capacidade intelectual, econômica e a competitividade nacionais.
A grande pergunta segue ribombando: por que o governo seguinte retirou a principal contrapartida do Bolsa Escola, que exigia a matrícula anual e a frequência escolar mínima de 85% das crianças e adolescentes de 6 a 15 anos da família beneficiada? Como se fosse pouco, além de mudar o nome para Programa Bolsa Família, esse mesmo governo determinou a proibição da reprovação de alunos até o segundo ano do ensino básico, sob a alegação de que os dois primeiros anos compõem o denominado “Ciclo de Alfabetização” —, tempo em que o “aprendizado” é considerado um processo contínuo e deve respeitar o ritmo biológico e cognitivo de cada criança. Em suma, o início da formação de analfabetos funcionais e uma manobra desesperada para melhorar a pontuação no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) — acarreta prestígio e diplomacia global, atração de investimentos e indica para investidores que o país terá mão de obra futura qualificada.
Nunca foi tão pertinente o vaticínio escrito por Luiz Gonzaga e Zé Dantas em Vozes da Seca (1953): “Mas ‘doutô’, uma esmola a um homem ‘qui’ é são / Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Talvez não seja coincidência ter sido escrita em pleno domínio do caudilho gaúcho Getúlio Vargas, denominado “Pai dos Pobres” pela máquina de propaganda do Estado Novo, que ele fundou na borduna e encerrou com um tiro no peito.
Vargas passou 19 longuíssimos anos no poder, deu um golpe de Estado em que fechou o Congresso Nacional, extinguiu os partidos políticos, cassou a Constituição e instaurou uma ditadura personalista, com repressão violenta aos opositores e controle da imprensa. Por ironia, foi engolido pelo próprio método: um atentado levado a cabo por sua guarda pessoal contra Carlos Lacerda, um opositor civil, que resultou na morte do major-aviador Rubens Vaz.
Lacerda, jornalista influente e dono de jornal, então deputado federal e líder oposicionista, entrou na mira por denunciar a corrupção generalizada do governo. Ele e a bancada de oposição costumavam repetir a expressão “Gente que deveria ser modelo de conduta pela posição que ocupa na sociedade se deslumbra com a riqueza e o poder de bandidos”. A morte de um oficial da Força Aérea uniu os militares numa pressão tamanha contra o “mar de lama”, que ganhou força um movimento golpista para retirar o ditador do poder no melhor estilo “ou sai ou cai”.
Confrontado com a realidade muito distante das narrativas palacianas, Vargas cometeu suicídio apenas 19 dias depois do Atentado da Rua Tonelero, não sem antes se isentar de todos os desmandos numa “carta-testamento” em que culpava a pressão de forças nacionais e internacionais contra seu projeto político, encerrando o texto com o tom messiânico de quem é incapaz de qualquer autocrítica: “Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História” — dificilmente essa “eternidade” inserida no texto tinha cunho religioso, já que o “Pai dos Pobres” era sabidamente agnóstico; está muito mais próxima da ilusão humana rasteira de glória eterna.
Como se vê, a mesma narrativa de “forças ocultas” foi adotada logo depois pelo doidivanas Jânio Quadros e pelo obsessivo Leonel Brizola para explicar seus raquitismos políticos — Quadros virou fumaça na tentativa de autogolpe; Brizola incendiou o país e fugiu, sem que se saiba até hoje se estava vestido de mulher ou de soldado da Brigada Militar gaúcha como disfarce para escapar das forças explícitas e armadas nacionais.
Na verdade, o que se assiste desde que Vargas assumiu o poder — e lá se vai quase um século — é um modelo de presidencialismo em que, volta e meia, a máquina de propaganda oficial transforma um populista capaz de qualquer coisa em benfeitor, líder protetor e salvador da pátria. O próprio Vargas, toda vida indiferente a práticas religiosas, estabeleceu aliança estratégica com a Igreja católica em busca de apoio político e legitimação no meio conservador. Em troca, tornou obrigatório o ensino religioso nas escolas públicas, e, com amplo apoio do seu governo, Nossa Senhora Aparecida foi oficializada Padroeira do Brasil pelo Vaticano. Tanto que, na solenidade dessa elevação, ele esteve presente e determinou que todos os ministros e principais colabores do Estado participassem.
São essas figuras que, inebriadas pelo poder e enfeitiçadas pelo desejo de eternidade, vão promovendo o desmanche de longo prazo que começa a se mostrar insuportável em todos os lugares, dado o coro generalizado de insatisfação. Na verdade, é muito mais que insatisfação, a sociedade está saturada dessa realidade paralela. Resta saber quando vai aprender a lição que vem sendo oferecida ao longo de décadas, e deixar de repetir os mesmos erros nas urnas, aceitando candidaturas de qualquer vigarista cheio de lábia.
Comércio, indústria e serviços já chegaram à fase de malabarismo para encontrar pessoas capazes de juntar lé com lé e cré com cré nas atividades mais simples. A cada semestre, a academia derrama no mercado “doutores” que mal conseguem ler, escrever e falar algo compreensível. O país vive em campanha com eleições a cada dois anos, elegendo, das câmaras municipais à Presidência da República, gente cada vez pior — algo profetizado pelo lendário Ulysses Guimarães, e não custa lembrar que ele morreu em 1992.
Já tivemos os deputados federais Juruna (falecido), Clodovil (falecido), Tiririca (está encerrando o 4º mandato e finalmente levou um pé na bunda do eleitorado) e, agora, quase recebemos na Câmara aquele destrambelhado da musiquinha Caneta Azul. Há também o pelotão do óleo de peroba, que ilustra baixo e alto cleros das duas casas legislativas, que apresentaram justificativas reluzentes de cinismo para quebra de decoro, enriquecimento ilícito e escândalos de corrupção. Uma lista que junta João Alves (Deus ajudou a ganhar em todas as loterias, falecido), Severino Cavalcanti (perseguição a ele e a uma filha doente, falecido), Chico Rodrigues (dinheiro nas nádegas para “pagar funcionários”, está no 1º mandato de senador, depois de outros como vereador, governador e deputado), Renan Calheiros (“boi voador” para justificar pensão a uma filha fora do casamento, está encerrando o 4º mandato de senador, depois de outros como deputado estadual e federal, e finalmente levou um pé na bunda do eleitorado), Ciro Nogueira (a casa era um “guarda-volumes” que guardava inclusive dinheiro em espécie, está encerrando o 2º mandato de senador, depois de outros como deputado federal, e finalmente levou um pé na bunda do eleitorado) e Valdemar Costa Neto (caixa 2 para “pagar dívidas de campanha”, cumpriu seis mandatos de deputado federal e renunciou a dois deles acusado de corrupção, e descobriu o eldorado da presidência de um partido). O pior é que continuamos enquadrando políticos como pessoas folclóricas, engraçadas, corruptas — ou tudo junto — e lhes entregando mandatos na base do “Ah, quer saber? São todos iguais mesmo, isso não tem jeito!”.
É certo que cafajestagens que viram escândalos cheios de fofocas despertam muito mais interesse do que qualquer discussão séria a respeito da situação reinante e alternativas de solução. O picadeiro do Circo do Vorcaro eletriza a patuleia pelas conversas vadias das principais autoridades do país, jatinhos, hotéis de alto luxo, festanças com charutos e uísques, surubas com “modelos” estrangeiras e quantidades industriais de dinheiro público roubado dessa mesma população boquiaberta de inveja de tanta ostentação — as redes sociais estão aí para relativizar tudo.
Para Vorcaro e seus acólitos comprados bastariam a lei e a Justiça. Mas o próprio vigarista nos fez conhecer a olho nu a Justiça que temos, repleta de figuras mínimas — as singulares que cuidam de varas ou as metastáticas vestidas em capas superiores insalubres.
Vivenciamos mais uma eleição majoritária e o horário eleitoral monopolizou os piores adjetivos para todos os candidatos a qualquer cargo. Um desfile de prontuários sem qualquer projeto, inclusive para a Presidência da República, disputada por dois hereges que andaram por aí levantando imagens de Aparecida e Nazaré.
O eleito chegará ao cargo com menos de 30% dos votos de uma população de 214.211.951 de pessoas (dados do IBGE em 01.07.26). É desastroso, para dizer o mínimo. Isso não pode ser chamado de representatividade. Não bastasse, mais uma vez o Supremo esteve em franca atividade contra o TSE, enchendo de suspeitas o ar nada rarefeito de uma disputa cuidadosamente mantida na polarização pelas partes interessadas. E foi exatamente essa fétida dobradinha STF-TSE que arrumou uma tremenda lambança aos 45 minutos do segundo turno, inventando mais duas horas de jogo que vão alimentar uma lenga-lenga eterna dos perdedores, embora apenas 35.521 votos foram acolhidos na prorrogação.
Para candidatos presidenciais como os que temos, é um bálsamo um país acometido de demência seletiva que insiste em esquecer intervenções patifes nas eleições (Proconsult, dossiês Cayman e Aloprados…) e escândalos como máfia do jogo do bicho, máfia do lixo, anões do Orçamento, PC Farias, pastinhas, juiz Lalau, sanguessugas, mensalão, petrolão, rachadinhas, loja de chocolates, condecorações milicianas, ataques às urnas e INSS. Para não perder a prática, já caminha para acrescentar o Banco Master na falta de lembrança (com o Dark Horse dividindo a tela da salinha escura com um documentário “por fora” operado por algumas estrelas do mensalão e petrolão). Não há dúvida, o Oscar já tem dois azarões na disputa da “categoria sem-vergonheza”.
Não causa surpresa que tanta gente tenha preferido ficar em casa, ao invés de votar nessas excrescências. Afinal, é como dar um salvo-conduto para canalhas fazerem canalhices com o bem público, sem qualquer incômodo. Ou alguém, de sã consciência, é capaz de ignorar essa percepção? A cada eleição, os próprios políticos vão demonstrando por A+B, para um contingente que só aumenta, que há coisas bem melhores a fazer do que ir votar, inclusive para evitar aborrecimentos, filas e a agressividade dos extremistas de boca de urna.
A prova de que esse modelo político faliu há muito tempo é o fato de que, mesmo diante de uma campanha presidencial, a atenção do público permaneceu controlada pelo escândalo pilotado por Vorcaro, o vexame do Supremo e as patifarias de parlamentares e barnabés do serviço público envolvidos no esquema. Para alegria dos candidatos, que seguiram se esgueirando por estradas vicinais para evitar qualquer prestação de contas ao distinto eleitorado, de quem desejam apenas o voto e distância. Tanto que cagaram e andaram para diversos debates por se sentirem inatingíveis e absolutos, como se não tivessem muito por explicar.
Cada vez mais, o princípio das campanhas é o mais furtivo e descompromissado possível. Carreatas, motociatas, passeatas, bandeiradas, som ensurdecedor com gritarias e músicas ridículas, que infernizam a vida de todo mundo que está no ritmo normal da vida. Além disso, emporcalhamento de postes, paredes, ruas e carros com material de divulgação. Mas os candidatos e seus gênios do marketing continuam acreditando que conquistam votos fora da boiada dessa maneira! Claro, tudo a peso de ouro, para todo mundo ficar feliz, pois o Fundo Eleitoral — R$ 5 bilhões de dinheiro público transferido para os partidos garantirem a farra — está aí para isso. Alto lá, não misture as cifras: tem mais dinheiro público torrado no Fundo Partidário, cerca de R$ 1,4 bilhão destinados a sustentar os partidos. Ou seja, apenas em 2026, essa cambada retirou R$ 6,4 bilhões do nosso bolso e de projetos de real interesse coletivo.
São esses caras que vivem falando da democracia que destruíram com falta de caráter e corrupção, sempre com uma explicação na ponta da língua: “O sistema é assim”. Como se eles não fossem e vivessem aperfeiçoando o sistema. Também não foi à toa que, gestão após gestão, trataram com tanto esmero o desmonte da educação pública para obter uma sociedade sem instrução, dependente de esmolas oficiais e sem qualquer capacidade de compreender os próprios direitos, inclusive o de cobrar. Muito menos que o voto pode ser antisséptico.
Essa consciência vai se tornando cada vez mais oportuna porque, este ano, vimos entrar em campo de forma aberta um novo fator vergonhoso: a interferência direta dos tribunais superiores assumindo lado na campanha eleitoral, especialmente a presidencial. Não resta qualquer dúvida de que o país segue num voo cego para se manter republiqueta de bananas, que adora festas superfaturadas pagas com dinheiro público desviado por emendas parlamentares de políticos vergonhosos.
Soa animador que até mesmo o Brasil, acostumado a dar de ombros para tudo, comece a emitir sinais de cansaço dessa realidade onde a lei não é igual para todos, de religião misturada por hereges na disputa eleitoral, de blusinhas, bets, jabutis em cima de postes e todo o cipoal de marmotas e jabuticabas em que viramos especialistas.
Desta vez, tenha vergonha na cara e lembre que o eleito é seu, a culpa é sua por colocá-lo lá. E não ouse, numa atitude de desculpa esfarrapada, apontar o dedo para lado nenhum, pois eles estão na direita, esquerda, centro e no escambau que se invente como campo ideológico. Aponte o dedo para quem aparece no espelho; você é responsável por obrigar o país a escolher entre merda e bosta e instalar um vaso sanitário no lugar da cadeira presidencial. Achou forte? O cheiro dos seus bandidos de estimação é pior e ninguém tem culpa da sua anosmia.
Aliás, o jornalista esportivo Rica Perrone facilita sua vida diante do espelho: “Nós temos um país absolutamente tomado por políticos bandidos de todos os lados. Sempre foi assim. E na medida que vocês se dividem e blindam 100% de um lado e 100% do outro, estão mantendo os dois na briga pro resto da vida. Vocês estão realizando o sonho da vida dos políticos. Qualquer cara de direita faz a merda que ele quiser, a direita vai e defende ele. Qualquer cara de esquerda faz a merda que ele quiser, a esquerda vai e defende ele. O Brasil nunca foi idiota nesse nível atual. Eles conseguiram o que queriam”.
É você que acredita que Lula da Silva defende a democracia e promoverá mudanças, depois de três mandatos atolados em corrupção, ineficiência e falácias. Ou que Flávio Bolsonaro saiu do país pela porta dos fundos por perseguição política, e não para fugir das gravíssimas acusações que deverão encerrar a narrativa da honestidade familiar. É você que, de forma ridícula, enche o saco de todo mundo com suas absurdas verdades de rebanho espalhadas pelas redes sociais.
Não esqueça que são seus votos que elegem e reelegem essas figuras vadias, vulgares e deletérias que comandam toda a escrotidão em níveis federal, estaduais e municipais. E foi preciso um Vorcaro para desenhar, com letras garrafais, som e imagem em alta definição, a imensa porcaria que você, anos a fio, ajudou a criar vociferando que o mal está apenas do outro lado, fingindo que sua patota não tem nada a ver com isso. É tão difícil compreender que você assume a imagem e semelhança desse lixo? Será que você nunca leu ou ouviu o velho ditado “Dize-me com quem andas e eu te direi quem és”? Não se envergonha? Acredita mesmo que está participando de alguma construção política, que não passa de massa de manobra?
É muito pertinente o que li dia destes nas redes sociais: “Não existe academia e nem maquiagem que embelezem uma alma ruim”. O resultado da eleição pouco importa, o eleito está aí. Serão outros quatro anos perdidos sob o governo de mais uma alma ruim e ninguém pode dizer que não sabia. Tristes trópicos, como anunciado por Claude Lévi-Strauss em 1955.
Alisando Cresci não é jornalista. É um supositório natural





