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sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

O Brasil é uma poderosa mulher negra


É preciso celebrar 

os 91 anos vividos 

por Elza Soares

Dodô Azevedo

Quantos anos você espera viver? Qual é o tamanho da importância para o mundo que você quer ter?
Como vai seu rim? Como vai seu fígado? Quanto dinheiro você gasta em ansiolíticos? Quanto em terapia?
Quanto em ginástica? Como vão suas taxas de estresse? Como vai a sua condição cardiovascular? Os exames que detectam tumores, estão em dia? Como vai sua taxa de glicose no sangue?
Qual é a diferença de vivência e sobrevivência?
No Brasil, mulheres negras sobrevivem, buscando também vivenciar. Procuram escapar de relacionamentos abusivos, de balas perdidas, de falta de oportunidades no mercado, de subvalorização do trabalho, para poderem vivenciar a vida: descansar, se divertir, jantar algo gostoso, ir ao cinema, ir a um show. Não é fácil, pois no Brasil, a mulher negra vive no fim do mundo.
Elza Soares, 'a mulher do fim do mundo', encerrou sua vivência e sobrevivência aos 91 anos, como uma das figuras mais importantes e definitivas para a história do Brasil.
Inspiradas por Elza, uma geração de mulheres floriu no país, das compositoras Bia Ferreira a Luedji Luna, às mulheres pretas acadêmicas, como Winnie Bueno e Carla Akotirene, e tantas outras, no jornalismo ao esporte.
E homens. O canto de Elza Soares, e o que Elza cantou, despertou muitos homens para um Brasil negro e mulher.
Esse país é isso. Uma mulher poderosa mulher negra.
Elza Soares.
Quando alguém consegue viver e sobreviver por tanto tempo, mais do que a grande maioria do que eu e você leitores viveremos, não é tanto luto o que se precisamos contemplar. O que urge é comemorar o triunfo desta pessoa.
Elza Soares.
A que a todos inspirou. E, por isso, talvez não seja a mulher do fim do mundo.
Provavelmente Elza Soares é a mulher do início de um mundo melhor.

Texto publicado hoje, 21 de janeiro de 2022, no jornal Folha de S.Paulo

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Luz














A Covid-19 oficial

   

Ivar Hartmann

Cada um faz sua vida de acordo com suas opiniões. Incluindo aceitar fake news, facilitadas pelos canais de informação instantânea. Se uma fake está ao meu agrado, mando rapidamente para meus amigos, esperando levantar adeptos ou mudar opiniões. Sem cuidar se são falsidades. No Brasil, questões de saúde como a Covid-19, tornam-se questões políticas. Se meu guru político, mesmo que não seja profissional da área da saúde pública, diz que vacina e máscara são bobagens, eu adoto a opinião. E se uma destas fakes que proliferam pelo Brasil, traz uma conversa de uma profissional médica de que ninguém ouviu falar, ou uma fala presidencial dizendo que vacina contra Covid facilita a AIDS, eu acredito e repasso. Não analiso a bobagem porque ela está de acordo com minha opinião. Como a tal “imunidade de rebanho”. Que mais diz respeito a bovinos. E, ainda assim, inexistente sem vacinas. Como se vê no combate a “febre aftosa”, a mais temível enfermidade vacum.

Feito o alerta acima, escrevo agora para as pessoas de mente aberta, que prezam sua saúde e defendem a saúde dos seus próximos. A FEEVALE, Universidade prestigiosa do Brasil, sediada em Novo Hamburgo, procede, semanalmente, a um levantamento sobre a situação da Covid-19 no Vale dos Sinos, em seu Laboratório de Microbiologia Molecular. Estudo científico, portanto apolítico, de universidade universidade de ponta no ensino brasileiro. Estudo recente diz que os casos de internação e mortes se mantem com poucas oscilações. E faz uma conclusão abrangente: “É um indiscutível resultado da vacinação em massa e dos cuidados básicos mantidos por parte da população, incluindo o uso de máscaras.” Resultado de estudos científicos. Quem sou eu, ou o Bolsô, para acrescentar algo?

Promotor de Justiça aposentado

ivar4hartmann@gmail.com


terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Colar de ouro e diamantes


Acompanhado de uma belíssima mulher no dia 24 de dezembro de 2021, Noite de Natal, o sujeito entrou na joalheria e pediu que ela escolhesse qualquer joia, sem se preocupar com o preço.

A moça examinou dezenas de peças: experimentou uma, depois outra, mais uma e, depois de ver quase todas decidiu por um colar de ouro com diamantes e rubis.

Preço: R$ 458 mil.

O cara mandou embrulhar, sacou um talão e começou a preencher um cheque: assinou, destacou e ao estendê-lo para pagar o presente, percebeu a fisionomia constrangida e preocupada do vendedor.

O cliente, num gesto inusitado e cavalheiresco, argumentou:

- Vejo que você está com dificuldades para aceitar este tipo de pagamento. É natural, afinal é uma quantia elevada. Como eu não uso cartão porque já fui clonado várias vezes e nem tenho PIX, façamos o seguinte: hoje é sexta-feira, e o banco já está fechado. Você fica com o cheque e com a joia. Na segunda-feira, você vai ao banco, pega o dinheiro e manda entregar o presente na casa dela. Tá tranquilo assim?

Cheio de mesuras e agradecimentos pela compreensão, o vendedor anota o endereço de entrega e encaminha o casal até a saída, desejando-lhes um excelente fim de semana.

Na segunda-feira, o vendedor ligou para o cliente para dizer-lhe que, infelizmente, devia ter havido algum equívoco do banco... o cheque não tinha fundos.

Ouviu, então, uma voz meio sonolenta:

- Sem problema. Pode rasgar o cheque: eu já comi a mulher.


Memória de 50 em corpo de 80

   

Ivar Hartmann

A Agência Einstein publicou estudo que o Jornal NH, o cada vez melhor jornal do Vale dos Sinos, endossou em seu espaço saúde. E que alegrou meu fim de semana porque foi escrito para mim. E para todos os idosos. Existe uma categoria de Superidosos. Isso. Super-homem, Super-homem Aranha, Super-Batman, Superidoso. É o seguinte: pesquisadores de todo mundo, como exemplo o Massachusetts General Hospital, dos USA, estudam porque algumas pessoas de mais idade, que eles denominam de Superidosos, tem uma estrutura cerebral diferente da maioria dos idosos, e uma rede neural que se assemelha muito as dos mais jovens. Sabe-se que o nosso cérebro, base de nossa vida, ao envelhecer sofre um declínio lento e continuo. Isso prejudica a comunicação entre os neurônios e provoca danos à memória. Já escrevi aqui no NH sobre os neurônios. Sou parecido com o Bolsô:  sou um expert em saúde...

O que interessa: como chego a ser um Superidoso e não um dependente dos filhos? Quatros ideias fundamentais: 

1 - Os Superidosos devem ter vida ativa: exercícios físicos ao menos três vezes por semana. Aumentam a performance do corpo, mantem o peso e controlam o Alzheimer. 

2 - Os Superidosos se desafiam: estimulam diariamente o cérebro com atividades mentais. Leitura, palavras cruzadas, Sudoku, leitura de assuntos novos e não familiares. Para sair de sua zona de conforto. 

3 - Os Superidosos fazem amizades com facilidade: daí o exemplo é minha mãe que morreu lúcida aos 95 anos, fazendo amizades com os novos vizinhos do edifício onde morava. 

4 - Os Superidosos podem beber: esta, para mim, a grande descoberta. Chope ou vinho, com moderação, não fazem mal a ninguém! 

Os estudos são de idosos de 67 anos em diante. Então, nunca é tarde para aprender a reviver.

Promotor de Justiça aposentado

ivar4hartmann@gmail.com

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Krikatis, heróis da Amazônia

   

Ivar Hartmann

Os Timbiras, poema épico de Gonçalves Dias, foi publicado em 1857 na Alemanha. Uns versos: 


São rudes, severos, sedentos de glória, 

Já prélios incitam, já cantam vitória, 

Já meigos atendem à voz do cantor: 

São todos Timbiras, guerreiros valentes! 

Seu nome lá voa na boca das gentes, 

Condão de prodígios, de glória e terror! 


Vale a pena ler completo no Google. Os índios Krikatis, do Maranhão, são deste povo. Espoliados em suas terras pelos brancos durante décadas, em 1992 tiveram elas reconhecidas pela justiça. São 146 mil hectares, onde vivem agora. Suas lutas atuais, são iguais as descritas por Gonçalves Dias. Só que contra os brancos que continuam invadindo suas terras para derrubar a pouca floresta. Os dados do próprio governo brasileiro, registram um desmatamento recorde.

Cansados de verem suas terras invadidas por fazendeiros, grileiros e mineradores, os Krikati foram à luta. Formaram uma força policial composta de 15 índios, armados de facões e espingardas que locomove-se com motociclos e usam o WhatsApp para se comunicar. Chamam-se Guardiões da Floresta. Usam botas e uniformes verde-oliva e estão armados com facões, espingardas e os seus cinco sentidos. E lutam sozinhos. Descobrem e queimam acampamentos, expulsam caçadores e são temidos pelos invasores. “Os madeireiros escondem seus caminhos, mas nós povos indígenas, podemos ler a floresta.” É um trabalho necessário e perigoso, que devia servir de exemplo para todas as demais tribos que vivendo na floresta e da floresta, tem suas terras invadidas. Segundo a FAO, o índio é o melhor protetor da floresta amazônica. Um força policial indígena nas suas reservas da Amazônia é algo a temer. Contra invasões e derrubadas. Exemplo Timbira.

Promotor de Justiça aposentado

ivar4hartmann@gmail.com