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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Manuel Comunista é cotado pra reforma agrária

Loloza Poroca e Manuel da Silva, com a governadora-eleita Fátima Bezerra em Serra Negra

A governadora eleita Fátima Bezerra deverá anunciar ainda esta semana parte do seu secretariado.
Os outros membros do primeiro escalão e dos demais órgãos do Governo do Estado serão progressivamente conhecidos até o fim de dezembro.
O Bar de Ferreirinha apurou com exclusividade que um dos nomes mais cotados é o de Manuel da Silva, bancário aposentado do Banco do Brasil, e membro da Confraria do Bosco Vale, que se reúne semanalmente em Candelária.
Manuel, conhecido entre os amigos mais próximos pelo apelido de Comunista, está cotado para a Secretaria de Abastecimento e Reforma Agrária (SEARA), pela sua experiência na área rural adquirida nos quase 40 anos de serviço no Banco do Brasil.
Os dois conversaram recentemente em Serra Negra do Norte, quando da visita da governadora eleita, então candidata, para participar das festividades de Nossa Senhora do Ó.
Manuel não confirma nem desmente o convite, mas os amigos da Confraria estão preparando uma festa para comemorar a nomeação, se efetivamente ocorrer, com a queima de fogos, churrasco, banda de música ao vivo, DJ Pereirão e farta distribuição de refrigerantes, na área de eventos do Supermercado Bom Bosco.
A festa está prevista para quarta-feira, 21 de novembro, feriado municipal em Natal, e dia em que o empresário Bosco Vale inicia as vendas de carne de sol, nata, bode, carneiro e outros produtos de Caicó.

Noite perfeita

Foto: Heraldo Palmeira
Heraldo Palmeira

Acostumei a uma agenda incerta. Foi um ano em que fiquei menos tempo em Sampa. Trabalhei e descansei noutros lugares. Quase um ano depois voltei a Perdizes, o mesmo lugar, a mesma casa, a mesma janela.

À entrada, encontrei o mesmo gato que, um ano antes, não passava de um rapazola descobrindo os segredos do mundo felino, assustado com as novidades. Agora, adulto, homem feito, cheio de segurança, fingido.

Estava na calçada, para me receber ao portão. Capitulou quando entramos na sala de estar e o chamei pelo nome, com ternura: deitou e depois estatelou de lado sobre o tapete, para que eu passasse o tênis – fui calçado neles de propósito – no seu dorso, da cabeça ao início da cauda.

A cada movimento, ele mexia as patas com prazer, enfiando as garras no tapete. E ficamos assim alguns instantes, comprovando que os gatos têm, como dizem, memória afetiva. Tanto que, nos dias seguintes, ele veio à porta do meu quarto se anunciando em miados elegantes. E desfrutamos, como da primeira vez, nossa companhia de amigos, eu escrevendo e ouvindo música, ele presente, cochilando bem acomodado.

Agora é o senhor do pedaço, já não se vale da minha cumplicidade para entradas e saídas de emergência usando a janela e o telhado logo abaixo.

A casa está bonita, a presença feminina que agora existe nela dá sinais em todos os cantos. Há um clima de harmonia e felicidade no ar, que contagia silenciosamente os hóspedes.

Já na primeira noite, cheguei discretamente à velha padoca. Ainda na calçada, vi pela vidraça da vitrine que os mesmos funcionários estavam lá. Aproveitei o movimento e entrei sem chamar atenção, sem falar com ninguém, e sentei no lugar que fiz costumeiro, colado ao balcão.

De repente, o primeiro me percebeu e, refeito da surpresa, quis saber como tinha sido aquele meu ano distante. Desde minha estada em Portugal até o resto. E a farra tomou conta do salão, resgatando nossos chistes e nosso carinho. Eles não esqueceram nem mesmo de como gosto da comida! Claro que lacrimejei. Como não? A selva de pedra tem seus bichos afáveis ronronando afetos.

Entramos em campo para falar de futebol, dos campeonatos quase chegando ao fim, dos times que estavam prestes a erguer suas taças. Claro, tirando sarro dos que estiveram perto, dos que estão longe há tempos, usando tudo que servisse para tirar onda.

Pouco depois, a dona da padaria entrou e veio me contar que desistiu da moto sonhada. Vai seguir na garupa da Harley do filho, ele venceu no cuidado protetor, no medo pela segurança dela.

O velho baiano, o mais antigo dos funcionários, que não sabe exatamente quando nasceu, que não tem documentos, veio me cumprimentar com sua voz doce e aquele jeito fidalgo de quem sabe tudo e não arrota sabedoria. Já passou dos oitenta mas, por não saber a idade, segue fazendo o pão nosso de cada dia da casa e vai enganar o tempo ainda por muito tempo com aquele jeitinho de quem não quer nada.

Como só acontece em Sampa, o dia teve os tempos das quatro estações. À noite, fui ficando tarde sentado diante da minha janela, luz do quarto apagada, a chuva fina que sucedeu a garoa dançando sob a luz do poste.

Eu vim correndo à frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira
Pensei em tudo que é possível falar
Sinais de bem, desejos vitais
Pequenos fragmentos de luz
Falar da cor dos temporais
Do céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu
Pensei no tempo e era tempo demais
Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Estrada de fazer o sonho acontecer

Dormi uma noite de sono e sonhos, perfeita, o friozinho de inverno fora de época dominando o ambiente. O dia amanheceu e eu nem notei se fazia calor ou frio, apenas segui pela rua como se houvesse um vento solar e estrelas do mar. Quem sabe o que isso quer dizer?

Trechos de:
Quem sabe isso quer dizer amor (Márcio Borges)

HP é documentarista, produtor cultural e colaborador do 
Bar de Ferreirinha

Confirmado:Gilson está amando

"Se o amor é fantasia,
eu me encontro
ultimamente em
pleno carnaval."
Gilson Variedades





Sabedoria popular

virgem


A genética é foda

Um marido e a sua mulher reparam que o pintinho do  filho é muito pequeno e levam-no ao médico.
O médico examina o rapaz e recomenda que lhe dêem muitas, muitas torradas.
No dia seguinte, a mulher levanta-se de manhã e faz monte de torradas.
Quando o rapaz vai pegar uma, a mãe grita:
- Tira só duas! O resto é para o teu pai...

Pequeno problema

sexo-dois


Devoção

Vinícius de Morais

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica em meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! - uma cadela
Talvez... - mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
         


Culpa da crise



Cultura

A Perda AbstrataÀ maneira dos... baianos
MILLÔR FERNANDES
O extraordinário professor de línguas passeando pelo Brasil punha sempre ouvidos à maneira de falar dos nativos, fossem professores, como ele próprio, ou gente simples do povo.
E o professor ficou fascinado com uma palavra que ouvia a todo momento - absurdo. E, daí em diante, sempre que podia, a toda hora dizia , absurdo! absurdo!, absurdo! E sorria deliciosa satisfação intelectual semântica.
Pois não é que um dia, atravessando a baía da Guanabara a passeio em direção a Paquetá, o professor achou a paisagem um absurdo de bonita e, que horror!, não lembrou a palavra?
Tentou, levantou-se, andou até a popa do barco, depois até a proa, procurando no mais fundo da memória, mas a palavra não veio. E estava ali, de cabeça baixa, andando pra lá e pra cá, sem nem mais olhar a paisagem, quando um taifeiro lhe perguntou: "Que foi, cavalheiro, está sentindo alguma coisa?" "Não, nada, estou só aborrecido. Perdi uma palavra." "Uma palavra? Estava escrita num papel?" "Não. Não estava escrita em lugar nenhum. Só na minha cabeça." "Perdeu uma palavra que estava na sua cabeça? Perdão, senhor, mas é um absurdo!" "É isso! Encontrou! Obrigado, meu amigo, obrigado".
MORAL: A CULTURA ESTÁ EM TODA PARTE.

Agora feda



domingo, 18 de novembro de 2018

Caça às lombrigas


Ciduca Barros

Em nossa vida, os fatos se sucedem com tanta rapidez, mormente depois que o mundo entrou na era da informática, que, enquanto estamos absorvendo uma novidade, aparece outra deixando aquela obsoleta. E essas mudanças rápidas, que alguns chamam de “marcha do progresso”, ocorrem em todas as áreas do desenvolvimento humano.
Depois que envelheci, fiquei nostálgico e passei a remoer as minhas lembranças do passado. E quando nós reviramos às nossas lembranças de outrora, batemos de frente com o hodierno e, às vezes, achamos hilário. 
Remexendo as minhas memórias de uma infância distante, na nossa saudosa Caicó do passado, afluíram à minha mente algo que a minha mãe fazia que, me parece, era um procedimento igual a todas as mães da sua geração – uma caça anual às lombrigas. 
Final de ano, férias escolares, elas (as mães) já nos advertiam:
– Vamos tomar purgante! 
Caramba! Era um suplício para todos nós.
Para os mais jovens que, possivelmente, não sabem o que era um purgativo, eu explico. O garoto tomava uma substância que lhe causava uma forte evacuação intestinal. Entenderam? Vou explicar melhor. O cara tomava um preparado que o fazia cagar até as tripas.
Os laxantes eram uma observação à parte. Primeiramente, todos, absolutamente todos, eram extremamente fedorentos: óleo de rícino, batata-de-purga, maná com sena e alguns purgativos farmacêuticos que torturaram nossa juventude (minha mãe comprava Neocitran). Não importa qual purgativo, todos eles causavam cólicas intestinais e, logicamente, dores e desconfortos.
Transcrevo mais um diálogo:
– Mãe! Minha barriga tá doendo!
– É assim, mesmo! São “as bichas” morrendo! 
Os purgantes fediam tanto que tínhamos que fechar as narinas para não vomitarmos. Ainda hoje, lembro-me de minha mãe, com aquela gororoba numa mão e a banda de uma laranja na outra, cedinho da manhã, ordenando:
– Levanta! Chegou a hora do purgante!
E ainda acrescentava:
– Beba tudinho de “guti guti”!
Os dias destinados aos purgantes, foram dias perdidos em nossa infância. 
Por quê? 
Porque o purgante era tomado sempre nas primeiras horas da manhã, com a vítima em jejum. O efeito vinha logo a seguir e permanecia constantemente até à tarde. Ou seja, o garoto cagava sem o c.... saber, durante várias horas daquele fatídico dia. No fim da tarde, a garotada, naturalmente com aquela lassidão causada pela desidratação da diarreia, ficava quietinho e pedindo para morrer.
E tem mais! Elas (as mães) tinham ainda algumas medidas que aumentavam, ainda mais, o nosso suplício. Primeiro. O aposento do nosso suplicio (ou seria a cela?) permanecia na penumbra. Segundo.  O garoto tinha que cagar num penico.
Por que no penico? Porque elas (as mães) tinham que fazer o recenseamento da população das lombrigas existentes nas tripas de cada um dos seus filhos.
Posteriormente, o censo dos lombricoides, era tema das conversas entre elas:
– Meu filho botou sete lombrigas! – dizia uma.
– Só? Pois, fulaninho, meu filho, uma vez botou foi dez! – retrucava outra mãe, mostrando-se orgulhosa.
E a coisa não parava por aí. Após o purgativo, tivéssemos botado lombrigas ou não, vinha o segundo round: os fortificantes. 
E tome Emulsão Scott!  E tome Biotômico Fontoura! E tome...!
Onde diabos nós arranjávamos tantos parasitas intestinais? Será porque vivíamos soltos e livres pelas ruas e campos, descalços, jogando bola e, de baladeira no pescoço e gaiola nas mãos procurando passarinhos? Ou será que era uma consequência dos banhos de poços, açudes e rios. 
O modus vivendi dos nossos filhos e netos, contidos na cidade grande e presos em fechados apartamentos, não lhes permitiram criar lombrigas, nem tampouco passar pelo desconforto de um purgante.

Escritor e colaborador do Bar de Ferreirinha

Vamos sonhar



Agora feda



Toque



Flores

Todos querem o perfume das flores,
mas poucos sujam as suas mãos
para cultivá-las.
                              Augusto Cury
          


Viúva



Pergunta fela da puta

Pra que 
tanto chapéu
se a gente
só tem
uma cabeça?

Ajuda



Secundário

Isabel Machado

No círculo
dos quatro cantos
no meio, nós
somos dois ou um?
Abrimos os corpos
as pernas, a vida
adentram os poros
a seiva
a cada subida
e cada entrega
rega
o suor de orgasmos
múltiplos
sem clímax...
O poder do toque
nas mãos
não qualquer um
mas aquele
não qualquer língua
mas a sua
não qualquer sexo
mas o tanto
possante que me adentra
saliva que alimenta
o gozo
extraordinário
que torna o auge
do ato
um ato
secundário.