Rômulo Rodrigues
“Há homens que lutam um dia, e são bons. Há outros que lutam um ano, e são melhores. Há aqueles que lutam muitos anos e são muito bons. Porém, há os que lutam toda a vida: estes são os imprescindíveis.” A frase é atribuída ao dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht, cuja obra foi marcada por forte crítica social e política e pela busca de despertar no público a consciência diante das injustiças sociais e das relações de poder.
A vitória de Lula sobre Bolsonaro na eleição de 2022 não foi apenas mais uma vitória eleitoral, como as de Collor sobre Lula, em 1989; as de FHC sobre Lula, em 1994 e 1998; as de Lula sobre Serra e Alckmin, em 2002 e 2006; ou as de Dilma sobre Serra e Aécio, em 2010 e 2014. Foi uma vitória numa das mais difíceis batalhas políticas recentes: a chamada guerra híbrida, na qual, em vez de tiros, foram utilizadas mentiras repetidas inúmeras vezes até parecerem verdades, além da disseminação do ódio contra um partido político e um candidato.
No embate atual, o desafio será ainda maior. Está em jogo a defesa da soberania nacional e da democracia diante de um projeto que ameaça direitos, relativiza a democracia e pretende entregar a interesses estrangeiros parcelas do patrimônio e das riquezas nacionais, em troca da proteção de quem comandou e praticou atos de violência política, dilapidou o patrimônio público e contribuiu para recolocar o país no mapa da fome.
O povo do Seridó, do Rio Grande do Norte e do Brasil precisa de deputados estaduais, deputados federais, senadores e de um presidente da República comprometidos com a defesa da nossa soberania e com a construção de um país que vai estar novamente entre as maiores economias e nações do mundo. Eleitos pelo voto consciente, esses representantes deverão trabalhar em torno dos dois eixos que podem nortear um programa de governo democrático e popular: 1. inclusão pelo direito; e 2. inclusão pela renda.
Eles serão diferentes daqueles que dão tapinhas nas costas das pessoas durante o período eleitoral, mas, depois de eleitos, votam a favor de projetos que podem levar o país de volta ao mapa da fome. Por isso, vejam os programas eleitorais, escutem com atenção o que dizem os candidatos e, principalmente, acompanhem o que fizeram e como votaram. Depois, tirem suas próprias conclusões.
É preciso também lembrar o que escreveu o italiano Umberto Eco, autor de obras fundamentais como O Nome da Rosa e O Cemitério de Praga: o fascismo pode voltar apresentando-se sob a aparência da liberdade. No Brasil, ele se manifesta em setores da política reunidos no que se convencionou chamar de Centrão. É esse campo político que o eleitor deve observar com atenção, sobretudo o povo do Seridó, devoto da Senhora Sant’Ana, que conhece a importância de defender a justiça social e o bem comum.
Votar em quem vota contra o povo; em quem chama de burros, imbecis e irresponsáveis os parlamentares que se posicionaram contra a escala de trabalho 6 x 1, rejeitada por parcela expressiva da população brasileira; votar, enfim, em quem trabalha contra os interesses da maioria é, sinceramente, abrir mão da própria responsabilidade cidadã. O voto é uma escolha, mas também é memória, consciência e responsabilidade.











