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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Câncer pode estar escrito no DNA


A descoberta que pode
salvar famílias inteiras

Depois de receber um diagnóstico de câncer, muitos pacientes descobrem algo ainda mais inquietante: a doença pode não ter surgido por acaso. 

Em parte dos casos, existe uma mutação hereditária capaz de ser transmitida para filhos, irmãos e pais sem que ninguém saiba.

Essa foi a principal conclusão do maior estudo genômico do câncer já realizado no Brasil, publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.

A pesquisa sequenciou o genoma completo de 275 pacientes com câncer de mama, próstata ou intestino atendidos em hospitais públicos das cinco regiões do país. 

O dado mais impactante: um em cada 10 pacientes carregava mutações hereditárias associadas ao aumento do risco de câncer.

O estudo integra o projeto Mapa Genoma Brasil, iniciativa do Ministério da Saúde coordenada pelo Hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, e pode mudar imediatamente os tratamentos. 

Pacientes com alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, por exemplo, podem responder melhor a medicamentos específicos chamados inibidores de PARP. 

Já mutações ligadas à Síndrome de Lynch podem indicar maior eficácia da imunoterapia em casos de câncer de intestino.

O aspecto mais urgente da pesquisa apareceu entre os familiares: quase 40% dos parentes testados também tinham as mesmas alterações genéticas, embora ainda não apresentassem câncer.

Nesses casos, o teste genético permite iniciar acompanhamento preventivo antes do surgimento da doença. 

Pessoas com mutações no BRCA1 podem ter risco de até 85% de câncer de mama ao longo da vida. 

Já alterações no gene TP53, associadas à Síndrome de Li-Fraumeni, elevam para mais de 90% a chance de desenvolver algum tipo de câncer.

A conclusão dos pesquisadores mostra que identificar essas mutações cedo pode salvar vidas, não só de pacientes, mas de famílias inteiras.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Advogados são presos por litigância predatória

Balança da Justiça - Imagem Pixabay

Gaeco desarticula organização criminosa que transformou o Judiciário em uma fábrica de lucros ilegais 

Quatro advogados foram presos acusados de liderar um esquema de litigância predatória que operava em dez estados brasileiros.

O golpe funcionava com a captação de clientes em áreas vulneráveis e assentamentos rurais com a promessa de "limpar o nome" de endividados. 

De posse de procurações genéricas, os advogados abriam milhares de processos contra bancos, muitas vezes sem que o próprio cliente soubesse. 

O esquema envolvia falsificação de assinaturas, documentos forjados e o uso de dados sigilosos obtidos ilegalmente.

Lucro no volume - A ousadia mais a certeza da impunidade era tamanha, que um único investigado ajuizou mais de 10 mil ações em apenas dois anos. 

Mesmo perdendo 80% das causas, o grupo lucrava: como os clientes tinham direito à Justiça gratuita, os advogados não pagavam custas processuais nas derrotas. 

Nas raras vitórias, ficavam com os honorários e ainda abocanhavam taxas extras dos clientes.

Além das prisões preventivas, a Justiça determinou a suspensão dos registros na OAB e o bloqueio de R$ 25 milhões em bens, incluindo criptomoedas e imóveis. 

A investigação mostrou que o grupo atuava de forma organizada, com divisões entre quem captava os clientes, quem acessava dados bancários e quem operava a massa de processos.

9 de maio: russos ou americanos?

       

Ivar Hartmann

Tenho dois sobrinhos pilotos. Então acho que o Erich Hartmann é meu primo. Erich foi o maior piloto de caça da Segunda Guerra Mundial e da história mundial, com o maior número de vitórias aéreas. Ele abateu incríveis 352 aviões inimigos, em 1400 missões de combate, sem nunca ter sido derrubado. No Google é o "Ás dos Ases”. Dos 16 pousos forçados que fez na frente de batalha, contava da miséria e da ignorância em que viviam os camponeses russos. Que se refletia na incompetência de pilotos e oficiais russos. Perdura hoje na guerra da Ucrânia.


O desfile do Dia da Vitória em Moscou em 9 de maio na Praça Vermelha, celebrou a vitória soviética sobre a Alemanha nazista, ao entrarem em Berlim. Porque o 9 de maio foi uma vitória americana? Leiam e entenderão. Quando os americanos, já naquela época a grande potência ocidental, entraram na Segunda Guerra, esta se definiu pelos chamados Aliados, entre os quais estavam os russos. Havia necessidade de uma segunda frente de batalha. Para não deixar os nazistas tomar Moscou, os EUA passaram a fornecer armas aos soviéticos. 15.000 aviões ou 30% das aeronaves militares soviéticas. 6.000 tanques e mais 53% da artilharia comunista, 400.000 caminhões e jipes, toneladas de combustível e alimentos.


Abril de 1945: os russos estavam a 80 km de Berlim. Os aliados parados a 100 km da cidade, esperando a luta terminar. Por que parados, esperando? Os americanos decidiram que o custo humano para capturar Berlim seria muito alto, optando por não lutar na batalha final. Os soviéticos conquistaram a cidade em 2 de maio. Na batalha final (16 de abril a 2 de maio de 1945), estima-se que 90.000 soldados soviéticos morreram e mais de 220.000 ficaram feridos. De quem a vitória?


Promotor de Justiça aposentado

ivar4hartmann@gmail.com


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Edição 11/05/2026

 

Por Benjamim Arrola

Qual artista potiguar você gostaria de 
ver brilhando nos palcos do Canadá?

1. Bossa 
& Jazz & Mundo
O Fest Bossa & Jazz, criação genuinamente potiguar, vive um momento histórico. Após 17 anos de sucesso no RN e a recente expansão para a Paraíba, vem aí o mercado internacional. A produção acaba de receber um convite oficial do Consulado Canadense e do Festival de Jazz de Montreal para iniciar tratativas de intercâmbio cultural.

2. Conexão RN-Canadá
O objetivo da parceria é criar uma via de mão dupla: facilitar a vinda de estrelas internacionais ao Brasil e, simultaneamente, levar o talento dos músicos nordestinos para os palcos canadenses. Representando o festival potiguar, a idealizadora Juçara Figueiredo e o curador Luciano Prates embarcam para uma imersão de dez dias em Montreal.

3. Reconhecimento Exclusivo
Este convite coloca o Fest Bossa & Jazz em um patamar de elite. Em 2026, ele será o único festival do gênero no Brasil — ao lado da SIM São Paulo — a participar in loco da estrutura do evento canadense. A equipe terá acesso a fóruns estratégicos de networking com curadores do mundo inteiro, consolidando a relevância da cultura nordestina no cenário global.

4. O Gigante de Montreal
O Festival International de Jazz de Montréal não é qualquer evento: é o maior do planeta segundo o Guinness. Realizado desde 1980, ele atrai mais de 2 milhões de pessoas e transforma o centro da cidade em um imenso palco multicultural. A ida da comitiva brasileira conta com o apoio estratégico do Escritório do Governo do Quebec em São Paulo e da Michelle Tour.

5. Line-up de Peso
A edição 2026 de Montreal será de 25/06 a 04/07, com mais de 350 shows. No line-up, lendas como Diana Krall, Marcus Miller, Lionel Richie e Earth, Wind & Fire dividem espaço com talentos emergentes. É nesse ambiente de excelência que o Fest Bossa & Jazz vai beber da fonte para fortalecer ainda mais nossas edições locais. Qual artista potiguar você gostaria de ver brilhando nos palcos do Canadá?

Bossa & Jazz Street Band - Foto: cedida


domingo, 10 de maio de 2026

Dia das Mães

 

Foto: Mohamed Hassan Pixabay

Heraldo Palmeira

“Metade do mundo são mulheres. A outra metade, os filhos delas.” (Efu Nyaki)

Há mães que nos trouxeram ao mundo. Há mães que perderam filhos. Há mulheres que nunca tiveram filhos. Há mulheres que não pretendem tê-los. Em todas elas, há o traço exclusivamente feminino sempre pronto para acolher, cuidar do mundo como se faz a um filho: o espírito da maternidade.

Nas escuridões, a gente vai descobrindo a luz até nos pontos cegos. A sorte de ter crescido numa casa de mulheres tem iluminado minha maneira de vivenciar o Dia das Mães desde que minha mãe se foi para o infinito — e lá se vão tantos anos! Agora entendo melhor uma interrogação que sempre carreguei a respeito de uma estranha saudade prévia, cotidiana daquela mulher que ainda estava presente e a postos por mim. Depois que ela se foi me dei conta de que era uma espécie de contagem regressiva, um aviso nem sempre muito claro para que eu vivenciasse cada minuto daquele tesouro, porque seria finito.

Agora enxergo minha mãe em todas as velhas senhoras que passam diante dos meus olhos. Mesmo aquelas com quem jamais vou trocar qualquer palavra, apenas observar um átimo de suas vidas num recanto de supermercado, numa conversa com alguém que imagino seja seu filho ou filha, num sorriso delicado, na forma pacífica e suave de se pronunciar ou agir. Agora estou ainda mais atento a qualquer pedido de ajuda que eu possa receber. Às vezes, sem pedido algum, me pego tentando ajudar, sendo simpático com uma dessas criaturas acumuladas de tempo nas rugas, no cabelo branco, no passo mais lento, na voz conciliadora. É meu gesto em busca do afago que certamente receberia da minha mãe.

Agora enxergo minha mãe na minha irmã, também mãe, que me deu sobrinhos adoráveis. Na minha filha, e na mãe dela. Nas mulheres que fazem parte da minha vida. Agora enxergo melhor o arrebatador conceito de maternidade, que faz soar a música do grande concerto da existência em acordes ora simples ora complicados. Um arranjo grandioso cuja partitura é escrita com a fragilidade humana e seus temores, presságios, alegrias, dores, dúvidas, erros, acertos, encontros, desencontros, desencantos, recompensas que só a grandeza feminina é capaz de reger. É a expressão única dos solistas das orquestras, é quando faz todo sentido a velha sabedoria “maternidade não vem com manual de instruções”.

É justo reverenciar com devoção a mulher que faz do próprio corpo a matriz da vida. A mesma que também personifica a maternidade quando ampara netos, sobrinhos, enteados e afilhados, que também é capaz de se tornar mãe dos filhos gerados por outras mães.

A mãe é a única linguagem verdadeiramente universal, a grande catedral da religião de todos nós. Hoje é o dia da grande cerimônia, do culto principal, de fazer nossa melhor oração — até os ateus sabem. Aquela que chega a qualquer plano da existência humana. Aquela que não depende de crença ou religião, não tem modelo, não foi escrita para ser repetida em decoreba. Aquela que surge naturalmente da saudade que não passa, passe o tempo que passar. Amém!

Todos já dissemos muito sobre mãe. Que hoje e todos os dias Deus abençoe todas as mães e perdoe todos os filhos que não vivenciaram a filiação de forma umbilical. Experimente acariciar o próprio umbigo e talvez perceba que ele é muito mais do que uma cicatriz na própria pele. Pode até ser uma fonte das melhores lágrimas.

História - A norte-americana Anna Maria Jarvis entrou em profundo estado de tristeza pela morte de sua mãe Ann Maria Reeves Jarvis, ocorrida em 9 de maio de 1905, uma terça-feira. A órfã contava 41 anos e as amigas estavam preocupadas com seu estado emocional em razão da perda.

Assim, idealizaram uma festa para animar Anna e homenagear sua mãe Ann, uma reconhecida ativista social com grande atuação durante a Guerra Civil Americana, que terminou como a inspiradora da criação do Dia das Mães.

A filha Anna encampou uma campanha e conseguiu oficializar a data nos EUA, primeiro na Virgínia Ocidental (em 1910), iniciativa que foi seguida por diversos outros estados. Em 1914 tornou-se data nacional no país e se espalhou pelo mundo. Entretanto, em 1920 ela já estava incomodada com a exploração comercial da data e processou diversas empresas, sem sucesso. Tanto que o Dia das Mães segue como um dos feriados mais lucrativos, um grande gerador de vendas.
Leia mais sobre essa história admirável neste link.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Edição 05/05/2026

Por Benjamim Arrola

Consignado (-)
A farra do consignado acabou — ao menos no papel. A margem que servidores públicos e beneficiários do INSS podem comprometer caiu de 45% para 30%, embora o aperto venha em suaves prestações: primeiro, recua para 40%. De quebra, foi para o espaço o cartão de crédito consignado, velho conhecido das faturas intermináveis.

Condições (+)
Rebatizado de tábua de salvação oficial, o Desenrola promete condições “mais amigáveis” para quem ganha até cinco salários mínimos (R$ 8.105). Entram no pacote dívidas entre 90 dias e dois anos de atraso — cartão de crédito, cheque especial e CDC — desde que contratadas até 31 de janeiro de 2026. O alívio vem, mas com prazo e carimbo.

Descontos (+)
Os descontos, que podem chegar a sedutores 90%, exigem peregrinação até o banco credor. No cardápio: juros de até 1,99% ao mês, prazo de 48 meses e 35 dias de respiro antes da primeira parcela. E, para não faltar drama, o trabalhador ainda pode avançar sobre até 20% do FGTS para fechar a conta — trocando um problema por outro, com aval oficial.

Teflon
Nos bastidores de Brasília, há ministros do STF que parecem testar a própria blindagem: articulam apoios e conexões para candidaturas ao Senado, inclusive no quesito financiamento. A leitura corrente é direta: a próxima disputa senatorial pode girar em torno do Supremo — e há quem trabalhe desde já para garantir uma bancada “à prova de desgaste”.

Espaço quer propostas para eventos culturais

 

Casa Impacto Natal, em Ponta Negra - Imagem: @tiago_limaa

NATAL - A Casa Impacto Natal, primeiro núcleo itinerante de design social do Brasil, está com inscrições abertas para artistas, produtores culturais, escritores, artesãos e criativos locais apresentarem seus projetos. 

O espaço funciona em um contêiner marítimo adaptado na Avenida Praia de Ponta Negra, uma ideia da designer social e empreendedora Cris Ribeiro.

A iniciativa é uma vitrine viva da identidade potiguar, e receberá propostas para eventos e lançamentos culturais entre maio e junho de 2026, sem custos. 

A estreia do espaço ocorreu com a mostra “Natal, Original é Ser”. Com esta pegada, a Casa passa a selecionar projetos que valorizem a cultura local, o impacto social e a inclusão.

As inscrições seguem até 7 de maio de 2026 e a divulgação da programação oficial ocorrerá a partir de 9 de maio.

Os interessados devem enviar suas propostas para o e-mail projetolugaresdecharme@gmail.com

A proposta é fortalecer a identidade local por meio do design autoral e de iniciativas que conectem cultura e território.

Atualmente, o público pode visitar o espaço e conferir peças em crochê, trançado de palha de coqueiro e bordados que expressam a história de Natal sob a ótica do design afetivo e circular.

A Casa Impacto Natal conta com patrocínio da Prefeitura de Natal, via Programa Djalma Maranhão e Funcart, além de instituições como Colégio CEI, Unimed Natal e parceiros públicos e privados que apoiam a iniciativa.

Ótima notícia: Mercosul e União Europeia

      

Ivar Hartmann

O Mercosul é o acordo econômico entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Visa facilitar o intercâmbio de mercadorias entre estes países. Os dois primeiros, grandes e ricos em indústrias, grãos, pecuária e petróleo. Os dois últimos pequenos, com economias sólidas. Somam 273 milhões de habitantes em quase 12 milhões de km2. Para o mundo, números gigantes.  Grande mercado importador e exportador.  A União Europeia é formada por 27 países, população de 450 milhões de habitantes, 4 milhões de km², 6% da população mundial e o terceiro maior bloco populacional do mundo, após a China e a Índia. Facilitar tarifas, melhorando os preços para uma população de mais de 720 milhões, o dobro da americana, era uma tarefa hercúlea.

Para os países envolvidos, os europeus entre as grandes potências mundiais, foi uma tarefa que desafiou governos e interesses regionais. Com a conclusão do acordo, prevê-se a eliminação de tarifas para 91% das exportações da UE pelo Mercosul e 92% das exportações do Mercosul pela UE ao longo de até 15 anos. Pelo lado do Mercosul, o Brasil foi o último a ratificar e aprovar o acordo. Os outros três o tinham aprovado entre fevereiro e março deste ano.

A parte comercial do acordo entrou em vigor neste 1º de maio. Nos unimos aos melhores. A União Europeia é composta de países ricos ou menos ricos, e a união deles pela OTAN, garante à autodefesa, mas não a conquista. A UE é confiável, ao contrário dos EUA ou China. Os americanos estão dando prova disso. A Rússia, centenariamente, em todos seus governos, se dedica a invadir, anexar e explorar os países vizinhos. A Índia é um bom parceiro. Mas o casamento ideal era com a UE. Estamos de parabéns. Para comemorar, o vinho vai baixar de preço...


Promotor de Justiça aposentado

ivar4hartmann@gmail.com


segunda-feira, 4 de maio de 2026

Tecnofascimo (ou feudalismo tecnológico)

 

Imagem de IA gerada pelo Gemini


Djair Galvão - Escritor e Jornalista

Na visão estendida do Estado, a vida de qualquer cidadão pode ser acessada numa única tela, sem fronteiras e sem pudor. Recursos tecnológicos são usados por governos ou estados para atingir alvos considerados inimigos. Na ótica dos tecnofascistas, é hora de fabricar armas e deixar de lado qualquer escrúpulo em relação à democracia

Sempre que você imaginar que o mundo atual está caminhando para algo assustador, considere que haverá grupos no poder pensando em coisas muito piores. É o caso dos magnatas da empresa norte-americana Palantir, que reforçaram uma tese já publicada em livro por dois dos seus dirigentes, Alex Karp e Nicholas Zaminska, intitulado A República Tecnológica
Dentre outras coisas, os 22 tópicos centrais defendidos por eles na obra pregam a necessidade de engajamento das empresas de tecnologia dos EUA na construção de armas com o uso de Inteligência Artificial, ampliação de mecanismos de vigilância sobre a vida privada, rearmamento do Japão e da Alemanha e o fim de qualquer sombra de limites ainda impostos pela democracia liberal.
Palantir, ironicamente, é um nome tirado da saga O Senhor do Anéis.
Na história mágica criada por JRR Tolkien, trata-se de um mítico cristal usado para comunicação e vigilância à distância pelos poderosos magos Sauron e Saruman. Bem pior no universo real, os softwares criados e geridos pela empresa de Alex Karp e seus sócios bilionários estão ligados umbilicalmente ao antigo Departamento de Defesa dos EUA - o atual “Departamento de Guerra”.
Programas da Palantir como Gotham e Foundry servem de suporte a ações militares, invasão de celulares e são usados para vasculhar fichas criminais, redes sociais e até satélites. São a visão estendida do Estado, principalmente das polícias norte-americanas - e de outros países - , bem como das agências de espionagem e de diversos governos ao redor do mundo. A vida de qualquer cidadão ou cidadã pode ser acessada numa única tela. Sem fronteiras e sem pudor algum. Como se sabe, recursos tecnológicos não têm “moral” ou discernimento. Os governos ou estados que os utilizam podem atribuir os rótulos que quiserem aos seus “alvos" (inimigos).
Usando nomes tirados da ficção e dos quadrinhos, essa corporação entende que os oligarcas que ora dominam o Vale do Silício, pátria das chamadas big techs, deveriam parar de "brincar de distribuir e-mails de graça”. Eles são diretos: seria a hora de fabricar armas, combater o crime violento e deixar de lado qualquer escrúpulo no tocante à “democracia”. Eles falam disso como tarefas dessas empresas, e não do Estado propriamente. Assim, “pagariam a dívida moral” que teriam com os Estados Unidos. Ou seja, precisam se unir de vez aos Senhores da Guerra. Isso seria necessário para se contrapor aos “inimigos do Ocidente" (leia-se China, Rússia e seus aliados).
Aplicativos da Palantir servem de suporte  
para ações militares e invasão de celulares, 
além de vasculhar fichas criminais, 
redes sociais e até satélites

Ideais como Liberdade, Coletividade e até o conceito de Humanidade - construídos desde o Iluminismo e reforçados no pós-guerra com o multilateralismo e a difusão das ideias de Direitos Humanos - estariam atrapalhando a corrida pelo domínio dos EUA no mundo atual. Essa postura dos magnatas está sendo rotulada de Tecnofascimo ou Feudalismo Tecnológico, dentre outras formas.
A chamada democracia liberal, centrada na representatividade, no voto e na tripartição dos poderes, estaria obsoleta, acreditam esses detentores do novo centro de poder do Vale do Silício. Aliás, eles falam abertamente isso tudo porque estão de fato no centro nervoso do poderio militar norte-americano. Ou seja, a Palantir é parte integrante do complexo industrial-militar dos EUA, e se sente no direito de ‘convocar’ os demais magnatas do mundo digital a marcharem juntos pela guerra.
Os demais CEOs das big techs acessam a Casa Branca, a agenda do atual presidente muito mais do que quaisquer agentes políticos naquele país atualmente. São como unha e carne no governo Donald Trump. Os lugares reservados a eles na foto na cerimônia de posse do presidente, em janeiro de 2025, disse tudo.
Ora lidas como “manifesto fascista digital”, ora como arroubos autoritários de tecnocratas bilionários sem compromisso com nada além dos seus negócios e fortunas, essas manifestações ganham corpo e fazem ferver o debate nas redes sociais e nos círculos acadêmicos e políticos.
Também adubam os pensamentos neofascistas e servem de slogan para movimentos extremistas que crescem na onda “conservadora” da extrema-direita à sombra do Trumpismo.
A pergunta que muitos analistas fazem é: esse movimento representa uma ameaça real ao que conhecemos hoje como democracia liberal? Nada sinaliza ao contrário, embora possa refluir, em certa medida, caso o poder hoje concentrado por Donald Trump seja esvaziado em algum momento nos Estados Unidos. Ademais, a contenção que potências antagônicas aos EUA exercem serve para refrear um pouco esses ânimos. O esperado é que esses grupos de bilionários tresloucados continuem com a corda toda durante muito tempo.
Corroer o sistema democrático atual por dentro é pouco, entendem os chefões da Palantir e das big techs do Vale do Silício, falando de maneira genérica. Eles acham que os entraves “democráticos” deveriam ter sido removidos bem antes, e por isso apostam nessa guerra sem fim para manterem seu poder.
Estamos nesse ponto, quando o ano de 2026 já chega quase na sua primeira metade: o mundo virou refém de poucas centenas de ultrarricos espalhados por alguns pontos do planeta. E de suas teorias conspiratórias e dos seus mecanismos tecnológicos. Detalhe: ninguém sabe ainda como sair dessa armadilha. Nada no horizonte aponta para outro caminho. Até agora.
Que a ficção nos console. Pelo menos por enquanto.

Texto originalmente publicado no site substack.com
Link aqui: https://djairgalvao.substack.com/p/bilionarios-da-palantir-convocam?r=282wgt&utm_medium=ios&triedRedirect=true

domingo, 3 de maio de 2026

Tocando na vitrola

 
Imagem: Miguel Padriñán/Pixabay

Heraldo Palmeira

O que importa é ouvir a voz que vem do coração” (Milton Nascimento-Fernando Brant)

Em qualquer direção que se olhe haverá alguém com a cara enfiada em alguma bugiganga tecnológica. Tá valendo, é da vida, e ninguém tem dado muita bola aos alertas médicos a respeito dos riscos à saúde causados pela superexposição a telas e epidemia de individualismo.

Quando o assunto é ouvir música, os mais velhos lamentam pelos mais novos a péssima qualidade técnica que esses equipamentos de som digitais multitarefas oferecem. Tudo cabe num smartphone, escrita, foto, áudio e vídeo. Não para situações de emergência, de necessidades portáteis apenas, mas como plataformas principais no lugar de alternativas melhores.

A sala era um sonho onde moravam verdadeiras joias da era de ouro dos sistemas modulares de alta fidelidade — “moravam” porque simplesmente tinham vida longa, não quebravam, atravessavam o tempo sem perder a majestade. Estavam lá um receiver Marantz 4400, toca-discos Technics SL-1200 (com cápsula Shure V15III e agulha VN35MR), tape deck cassete Nakamichi 1000, gravador de rolo Teac 25-2 e quatro caixas JBL L100 Century (devidamente elevadas do chão em suportes) nos quatro cantos do ambiente, para atender o sistema quadrafônico do Marantz com seu marcante scope no painel.

É óbvio que nenhuma música passaria à toa naquela sala, seria tocada de corpo e alma. Todos esses equipamentos são icônicos, analógicos, manuais e fabricados na década de 1970. À exceção de JBL e Shure (marcas americanas), os demais traziam uma plaquinha na parte traseira com um orgulhoso Made in Japan, que representava uma reviravolta na imagem da indústria japonesa ao assumir uma posição de alta qualidade e liderança tecnológica — ficava para trás o tempo em que o país foi acusado de piratear e miniaturizar produtos americanos e europeus como forma de recuperar a economia nacional no pós-guerra.

São produtos que representam um momento em que a engenharia foi capaz de se entregar de corpo e alma à criação de meios para a arte audiovisual se apresentar em roupa de gala — as inovações no cinema, rádio e televisão complementam esse ciclo virtuoso.

Com esse auxílio luxuoso, o disco de vinil se tornava ainda mais envolvente, vivo e tocava numa dimensão que nenhum CD jamais ousaria alcançar, até porque não foi dotado do charme daqueles ruídos de fundo antes da primeira música e entre as faixas. Se o som digital oferece maior faixa dinâmica, clareza e silêncio absoluto, o famoso “som quente” e a resposta de frequência mais suave do analógico nunca precisou de mais nada. E a conversa entorta de vez quando se chega aos projetos gráficos com aquelas capas e encartes que serviram de oráculo na liturgia da música.

O futuro chegou reformando tudo e relegou o vinil a coisa fora de moda, ao mundo sebista. Ainda bem, não faltou oxigênio nesse ambiente de aficionados. Quem tentou desprezar os sebos foi obrigado a ver o setor ganhar lojas cada vez mais especializadas e ampliadas para interesses complementares de equipamentos e acessórios. Na verdade, o vinil copiou os sebos de livros e se restabeleceu no mercado preparando o sorriso de quem ri por último.

Já vimos essas invasões prepotentes de novas tecnologias e muitas deram com os burros n’água. O cinema ia morrer com a televisão, que também ia matar o rádio. Sentindo o perigo no ar, os jornais e revistas migraram para o mundo das telinhas, seguem vivos e até mantendo as edições impressas possíveis. Os livros também virariam pó diante da praticidade da leitura digital, mas os editores não têm do que reclamar porque o mercado vai muito bem, obrigado, com crescimento mundial e liderança dos impressos sobre os formatos digitais. De repente, a velha foto Polaroid ressurge como “grande novidade”. Aquela estética retrô da foto física única com a emblemática moldura branca se mostrou um apelo nostálgico enorme e revitalizou a marca — as fotos instantâneas começaram a causar sensação em eventos privados e comerciais, voltando à publicidade e ao mundo da moda, onde marcaram época.

Há um revival ganhando corpo e isso é ótimo, é ainda melhor porque tem encantado as novas gerações, que parecem ansiosas por descobrir o que perderam. Filmes e séries têm mostrado equipamentos modulares de alta fidelidade em cenas diversas, e uma tendência de reviver músicas inesquecíveis nas trilhas sonoras. Não raro, um vinil na vitrola é mostrado sem pudor, a agulha em close trilhando os sulcos para fazer a mágica de espalhar o som.

Não adiantaram argumentos pragmáticos sobre espaços residenciais terem se reduzido demais ou a correria do cotidiano que exige rapidez e praticidade que o streaming oferece. O velho e bom vinil que seria dizimado pelo CD viu o algoz virar poeira, está voltando às casas cercado de livros, experimentou uma ressurreição notável e completa em 2026 o 20º ano consecutivo de crescimento nas vendas. Um mercado colossal que já fala em bilhão de dólares. Somente nos EUA.

Visitei um velho mercado instalado num bairro de comércio popular. Eu não ia por lá há muitos anos e, enquanto fazia hora para me esbaldar na comida caseira sem igual do almoço servido na parte final do enorme galpão, perambulei com um amigo vendo o passado e guardando memórias.

Comerciantes grisalhos, alegres vendendo filtros e panelas de barro e alumínio, artesanato, artigos de corda, metal e couro, enfeites, peças de decoração, secos e molhados, frutas… Vizinhos de boxes se ajudando em trabalhos manuais, arrumando prateleiras, conversando, jogando cartas e dominó, rindo, acolhendo quem chega. Já entrei ajudando uma senhorinha a tirar cestos de palha do carro para o estoque, numa farra de dar gosto.

Encontrei em alguns quiosques as velhas balanças mecânicas Hobart Dayton — há muitos anos deixaram de ser fabricadas — em prefeito funcionamento, o prato de inox, o ponteirão de metal marcando o peso da mercadoria. “A única coisa que quebrou até hoje foi essa aspa do ponteiro, mas o conserto custou baratinho na época”, me disse orgulhoso um feirante. “Tentei trocar por uma dessas digitais, mas a bicha não aguentou o rojão. Aí eu tive de trazer ela de volta”, explicou outro, apontando sua relíquia sobre o balcão com encanto derramado.

Aquele mercado segue como patrimônio cultural difícil de apagar e fiquei pensando na luta perdida que o algoritmo arranjou para anular aquelas manifestações originais, verdadeiramente antropológicas. Quase tudo ali é tátil, está disponível em 3D natural, mundo real sem muito sentido nessa mundanidade touch que chegou se achando a última Coca-Cola do deserto.

Até porque essa referência de importância suprema da última soda engarrafada pode se revelar um erro conceitual se olharmos para o próprio deserto, já que pouca gente além dos beduínos, tuaregues e bosquímanos vive naquele ambiente inóspito, e tem maneira bem mais original de matar a sede: água subterrânea dos oásis. Dificilmente desperdiçariam energia carregando peso extra, cujas embalagens seriam de difícil descarte naqueles fins de mundo.

Os povos nômades do deserto são uma fonte de sabedoria ensinando que não precisamos deixar nossos melhores valores para trás. Afinal, mesmo enfrentando condições severas, todos eles mantêm ligação intrínseca com a natureza e amor pela poesia, preservam costumes e poderoso patrimônio cultural ancestrais. E completam a receita com um traço fundamental: generosidade aos visitantes.

Cada qual em seu lugar no mapa-múndi, aquela comunidade do mercado também resiste mantendo seus valores originais, traços quase genéticos que a modernidade tentou mudar por decreto e fracassou. A nova ordem chegou impondo o descarte de “velharias” como sentença, mas alguém esqueceu de avisar que o algoritmo estava indo longe demais e sempre apostando na perda de qualidades indispensáveis. Uma delas, a liturgia de fazer as coisas usando os cinco sentidos, sem desistir do prazer da convivência.

Heraldo Palmeira é produtor cultural.

Texto originalmente publicado no no site Giramundo News Magazine.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

De Carnaval, pabulagens e marmotas

"Embriagados, enxeridos e contadores de 
pabulagem se revezam com todo tipo de marmota"

O próprio inventor do Carnaval
deu o ar da graça na Avenida Seridó


Carlos Linhares

Nada como uma cadeira confortável em uma calçada alta e, de quebra, uma marquise pra nos proteger de sol e chuva. 

Esse é o conforto supremo para acompanhar o Carnaval de Caicó. 

Bem na sua frente desfilam personagens que você jura sair dos clássicos da literatura e do cinema. 

Ali está em voga a máxima: se Deus desse asas a cobra, tirava o veneno. 

Embriagados, enxeridos e contadores de pabulagem se revezam com todo tipo de marmota. 

Se minha vó fosse viva, diria: 

- O mundo tá perto de se acabar! 

As ilusões e desilusões passam em estado puro, independente de gênero, raça e posição social.

Todos vivem seu momento de liberdade e grandeza e corroboram aquela máxima: 

- No mundo tem gente pra tudo, e ainda sobra pra mascar fumo.

A quarta-feira ingrata está chegando tão depressa...

Engenheiro, caicoense honorário e apreciador das coisas boas da vida

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O Mecanismo

 
Imagem: Hansuan Fabregas/Pixabay


H. Romeu Illanba

A putaria financeira que entupiu o esgoto do Banco Master vai deixando claro e escuro que estava em funcionamento um verdadeiro Mecanismo, com acionistas instalados no mundo financeiro, no crime organizado e em gabinetes políticos cada vez mais apavorados de Brasília. Sem contar que instituições supostamente veneráveis como STF, TCU e CVM resolveram dançar miudinho um repertório estranhíssimo, com passos de omissão e intromissão para tentar manter a orquestra desafinada de Daniel Vorcaro no palco do circo de horrores.

Até aqui, são cerca de 1 milhão de brasileiros lesados pelos esquemas fraudulentos, e o processo segue infestado de excentricidades deixando no ar algo que parece proposital para, lá adiante, permitir que tudo seja anulado por falhas processuais que parecem deliberadamente provocadas à luz do dia por instituições oficiais que deveriam estar cuidando de garantir a punição dos envolvidos. Diz o ministro da Fazenda que estamos diante da “maior fraude bancária da história” sempre escandalosa de Pindorama, e mesmo assim essa movimentação excêntrica de algumas autoridades, que atrapalha o rito normal das investigações, segue seu curso como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Mesmo que a gente saiba que esta republiqueta de bananas vive sempre no fio da navalha, essa verdadeira suruba master foi muito além da imaginação de qualquer pansexual. No meio dessa festa do pijama com dinheiro alheio, a CVM saiu de fininho pela porta lateral. O TCU apareceu sem ser convidado, representado por um “ministro” sem qualquer relevância no cenário nacional e envolvido em emendas parlamentares que estão se mostrando um festival de irregularidades no seu destino, em Roraima. No topo da cadeia, o Supremo assumiu um confuso papel de segurança desse verdadeiro clube de cafajestes, surrupiando o inquérito das mãos da Polícia Federal para impor sigilos e procedimentos nunca vistos.

Um capítulo à parte é a atuação de dois togados, cujas digníssimas (uma delas agora é ex) estão na galeria de fotos históricas da assessoria jurídica do Banco Master. Por óbvio, ambas como peças de contratos milionários. Sem contar que dois irmãos do togado relator do inquérito no STF – cuja ex foi advogada do Master – venderam participação no resort Tayayá a um dos fundos emaranhados na fedentina do Banco Master. Ou seja, qualquer manual de ética grita ao ilustre ministro se declarar impedido diante desse tuiuiú no Tayayá.

E para não perder nosso jeitão de eterna piada pronta, a segunda fase da operação policial revelou que diversos fundos sumidouros de dinheiro utilizavam nomes de personagens da franquia Frozen (Disney). Estão lá nos registros do Banco Central Anna, Olaf... Ou seja, o clube de cafajestes supostamente utilizava esses fundos para movimentar dinheiro ilícito e tudo indica que buscaram intencionalmente esses nomes de personagens porque remetiam a “congelado”. Terminaram conseguindo o intento porque agora esses (e outros) fundos estão devidamente congelados pelo Bacen. Agora, quem quiser recuperar esse rico dinheirinho provavelmente sem origem vai ter que meter a bunda na janela. Quem haverá de? Esse tipo de doido tem juízo e costuma esperar que o escândalo seja abafado. Para o bem de todos. Os envolvidos.

Como obviamente se trata de um dinheirão de muitos donos escondidos, além de uma teia de benesses distribuídas a amigos influentes, talvez esteja aí a razão desse esforço descomunal de tanta gente “insuspeita” entrando em campo posando de dona da bola.

O togado relator, que que está indócil, havia decretado que tudo deveria ser encaminhado ao Supremo, mas teve um choque de realidade quando 23 veículos, 30 armas, 31 computadores, 39 celulares, R$ 645 mil em dinheiro e um bocado de relógios foram apreendidos. Não havia onde guardar essa montanha de provas na sede do tribunal.

Venha cá, será que um ministro do STF não conhece os ritos processuais? Claro que essa intromissão é prejudicial para as investigações e beneficia os acusados. E o mesmo Supremo vai ficar calado, não há mecanismos para acabar com esse vexame autoritário e monocrático, nem que seja mandando essa mixórdia para o Plenário? Afinal, já existe um clima de constrangimento entre os ministros da corte em razão da atuação completamente excêntrica do colega relator, cujo ponto principal de descontentamento é o esforço dele para limitar a ação da Polícia Federal no caso.

Esforço que passa por evitar o acesso primário dos policiais a informações vitais, como o conteúdo de celulares e computadores apreendidos. Escolher ele mesmo os peritos que vão atuar no caso, sem o menor esforço para disfarçar a intenção de controlar a investigação. Pedir novo cronograma para os depoimentos e reduzir o tempo para a PF ouvir investigados 

Entretanto, a primeira providência do Supremo foi tomada em silêncio: o ministro cuja mulher assinou contrato de R$ 129 milhões com o Master instaurou inquérito de ofício – quando não há provocação externa da PGR ou da PF –, com o objetivo de apurar na Receita Federal e no COAF os responsáveis pelo vazamento de informações do tal contrato milionário, bem como dos investimentos dos parentes do relator no Tayayá.

Por seu turno, o Senado anunciou, dentro da Comissão de Assuntos Econômicos, a criação de um grupo de trabalho que poderá acompanhar os desdobramentos do caso. Dentro da lógica que impera em Pindorama, a primeira reação lógica é saber de que lado esses caras vão jogar. Afinal, são políticos brasileiros em ação. E como a tal comissão não tem poder de CPI, parece muito mais uma turma de bisbilhoteiros que não deverá fazer diferença.

É impressionante como somos um povo banana da republiqueta! Há quantos anos a sociedade é sacaneada? Os menos animados dizem que é desde Cabral, e que até o Descobrimento é uma farsa de data e local. Não há como negar que vivemos nesse frege desde os tempos de Ilha de Vera Cruz, que viramos uma esculhambação constante. Basta pensar que uma geringonça de dimensões continentais foi tratada como ilha. Tudo bem, há quem diga que isso é piada de português, mas virou a terra de Macunaíma, o herói sem caráter.

Temos vocação seminal para esquemas fraudulentos e gente escorregadia. Basta abrir a página dos primeiros anos da colônia e já teremos um certo Bacharel de Cananeia mais enrolado do que língua de tamanduá, lá pelas bandas de São Vicente e Cananeia.

É... O momento do Cabaré Brasil é delicado, embora nossa republiqueta de bananas tenha doutorado em avançar por um poço que nunca tem fundo.

Como diz o meme de internet, “Menino, tu ainda vai ver coisa!”.

H. Romeu Illanba não é jornalista. É um obelisco.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Meu destino

Titina Medeiros - revistaquem.globo.com


Janduhi Medeiros

A talentosa atriz Titina Medeiros uniu o Seridó nestes dias pelo fio invisível e poderoso da memória familiar. 

Poucas regiões no mundo ostentam um povo tão coeso quanto o seridoense. 

No Seridó, a família não é apenas núcleo: é estrutura, é disciplina afetiva, é espinha dorsal da vida social. 

As linhagens se entrelaçam, os sobrenomes se repetem, e quase todos são primos — de sangue, de afeto ou de história.

Essa tessitura profunda vem de uma herança cultural ancestral, frequentemente associada a valores de origem hebraica: o apego à genealogia, o respeito aos antepassados, o culto à terra onde os ossos dos pais repousam. 

O seridoense gosta dos parentes, das calçadas conversadas ao fim da tarde, dos tamboretes nas portas, do chão seco que lhe moldou o caráter.

Quando Titina decidiu se enterrar em Acari, terra de sua devoção e pertencimento, ela não fez apenas uma escolha pessoal ou afetiva.

Ela externou um valor civilizatório: o orgulho do seu povo, a fidelidade às origens, a consciência de que a identidade não se abandona, se honra. 

Seu gesto foi menos um adeus e mais um retorno — um ato simbólico que reafirma que, no Seridó, a terra não é só lugar: é herança, é memória viva, é destino.

Janduhí Medeiros é escritor e poeta

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Comendo cru

Gargalo25

H. Romeu Illanba

Qualquer pessoa com dois neurônios funcionando já ouviu o velho adágio popular “O apressado come cru”. E por analogia o apressadinho sempre termina tomando nas adjacências do propriamente dito. Ainda mais nestes tempos em que, segundo o pensador italiano Umberto Eco, “as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”. Esses imbecis finalmente ganharam um sobrenome à altura: “tudólogos”. Os imbecis tudólogos têm, sobretudo e sempre, uma opinião formada sobre tudo, de briga de vizinhos a chuva de meteoritos numa nova lua de um ex-planeta sem nome a milhões de anos-luz. Óbvio que a crise venezuelana não passaria ilesa pelo radar desfocado dos imbecis tudólogos, que já entupiram as redes sociais de estridências de dar pena.

Desde os anos 1910 existe exploração petrolífera no país, à época realizada por empresas inglesas e americanas. Em 7 de janeiro de 1936 teve início a atividade da Standard Oil por lá, que terminou sendo o marco do grande salto venezuelano nesse mercado. Em boa parte do século 20, a maior comunidade de norte-americanos fora dos EUA vivia exatamente na Venezuela.

Tempos em que o país caribenho chegou ao posto de 4º mais rico do mundo, muito em razão da associação empresarial com EUA e Inglaterra, já que o país não tinha tecnologia nem capacidade de exploração daquela riqueza. Tudo mudou com a chegada de Hugo Chávez ao poder, por um golpe de Estado, que transformou em ruínas com seu populismo e tirania o que era uma espécie de paraíso tropical cuja população vivia com alto nível financeiro. De quebra, estatizou instalações privadas das empresas estrangeiras. Como se não bastasse, deixou Nicolás Maduro como herança maldita.

Olhando para a Arábia Saudita, onde está outra reserva mundial gigante, temos além do colosso estatal Saudi Aramco (a PDVSA de lá), empresas estrangeiras norte-americanas, inglesas e chinesas operando na produção petrolífera. Algo que se repete em diversos outros países produtores do Oriente Médio. Também podemos lembrar o período de efervescência cultural do Irã nos tempos em que empresas inglesas e americanas estavam presentes em seu território. Basta olhar velhas fotos da Teerã dos anos 1970 para encontrar uma juventude risonha, com as moças andando de saias curtas. Ou seja, não é a presença estrangeira que necessariamente destrói o país detentor da riqueza explorada. Por isso é sempre recomendável conhecer a realidade antes de repetir opinião alheia e sair cagando goma.

Parece correto reformar o discurso “a Venezuela só é esse País quase falido porque os EUA e alguns outros países dominaram sua política e roubaram suas riquezas...”. Talvez seja justo incluir Rússia e China num tipo de exploração falimentar para os venezuelanos, pagando muito menos pelo petróleo e utilizando navios piratas para levar o produto para seus próprios territórios – a China era o maior comprador do petróleo venezuelano até este momento.

Não poucos os indícios de operações suspeitas da Venezuela para exportar e transportar o produto, que incluem o Brasil. Foram muitos petroleiros flagrados navegando com o sistema de GPS desligado, trocando bandeira e o próprio nome (repintado) em alto-mar. Por “coincidência”, todos fazendo a rota de Caracas para Rússia e China – um deles, que vinha se escondendo há dias no mar, foi tomado por forças especiais enquanto estava sob escolta de uma embarcação militar russa.

Também chama atenção o fato de o governo chavista/madurista permanecer no poder, se propondo a seguir as determinações dos EUA. Tanto que já anunciou a libertação de todos os presos políticos como “gesto de paz”. E agora se sabe que a atual presidente interina Delcy Rodríguez e seu irmão, o presidente da Assembleia Nacional Jorge Rodríguez, procuraram a Chevron – empresa americana com presença centenária no país – há algum tempo. Mantiveram estreito contato com a empresa e com um diplomata dos EUA (que atua nos bastidores) porque desejavam restabelecer as relações internacionais políticas e empresariais da Venezuela. Está claro que não incluíam Maduro nesse futuro e ninguém consegue garantir que não tenham exigido a retirada do ditador de cena.

Ou seja, os imbecis tudólogos são no mínimo imprudentes ao sair falando sem informações. Além deles, muitos jornalistas militantes da esquerda festiva estão readequando os discursos inflamados de ontem para diminuir o vexame – agora não conseguem esconder que estavam desinformados, para dizer o mínimo. Também é interessante o esquecimento seletivo sobre Maduro ter em mente tomar na marra um pedaço do território da vizinha Guiana, que guarda imensa reserva petrolífera e nenhuma capacidade de defesa militar.

Nem sempre os fatos são agradáveis, inclusive para os rebanhos políticos que vivem de narrativas. E quase sempre os “tudólogos” quebram a cara porque ignoram os fatos, não esperam o dia seguinte dos acontecimentos. Há um rebanho numeroso que sempre sintetiza tudo colocando os EUA no papel de vilão desde o prefácio. Virou modelo de discurso que naufraga por falta de isenção e ignorância dos contextos históricos. Neste caso da Venezuela, passar ao largo de uma relação construída ao longo do século 20 com os EUA é apenas desinformação, defesa de ponto de vista ideologizado ou simples desprezo intencional dos fatos.

A História não se reescreve com narrativas ou opiniões, muito menos as construídas por ideologia política contaminada com complexo de inferioridade terceiro-mundistas. Ou seja, devemos nos indignar com qualquer um que ultrapasse a linha da civilidade. A mesma indignação que serve para Donald Trump não pode poupar Stalin, Mussolini, Mao, Castro, líderes árabes, africanos e asiáticos pelas barbaridades cometidas contra seus próprios povos. Sim, ficou cansativa essa conversa mole de que Tio Sam é o único malvado nesse circo de horrores. Por isso essas campanhas enlouquecidas pelas redes sociais em favor de A ou B sempre deixam no ar a impressão de que as pessoas falam do que não conhecem, apenas repetem o que o “mestre” mandou.

Os americanos são bonzinhos? Claro que não! Afinal, não há bonzinhos na História. Ela foi construída e transmitida pelas potências dominantes em cada período – impérios mongol, chinês, persa, egípcio, alexandrino, romano, árabe, britânico... Hoje vivemos uma batalha de interesses entre EUA, China e Rússia pelo domínio geopolítico a partir da economia. E isso só não virou uma carnificina porque o poderio militar dos EUA não tem paralelo, algo que os adversários sabem muito bem. Repete-se a lógica aberta pela imensa ferida causada pelas bombas de Hiroshima e Nagasaki: a paz será garantida pelas bombas. Até quando, é apenas palpite. Pode não ser o ideal, mas é melhor que seja até sempre porque acreditar no desarmamento geral tem cara de utopia.

A maioria das pessoas deu de ombros ou fez chacota quando Trump apareceu proclamando “Make America Great Again (MAGA)” e “America First” na última campanha eleitoral. Agora sabemos que era um aviso do que viria. Tanto é verdade que no dia em que Maduro foi retirado de Caracas apareceu no perfil oficial da Casa Branca uma publicação cujo título era “Chega de Jogos”, junto com a sigla “FAFO” (“F*ck Around and Find Out”). Em tradução livre, algo como “Faça besteira e arque com as consequências” ou “Brincou com fogo, vai se queimar”.

Ou seja, a ação na Venezuela parece ter sido a primeira amostra da nova “política internacional” dos EUA neste momento, e a Casa Branca fez questão de avisar que ações imprudentes ou desafiadoras podem gerar reações duras. Recado mais direto para Rússia e China impossível.

É importante entender que essa absurda política externa americana não tem nada de amadora. Tanto que entraram no radar Groenlândia (que pertence à Dinamarca e domina a região do Mar do Norte, rota naval crucial para Europa e Ásia), Panamá (o canal é outro ponto fundamental do comércio internacional) e, agora, Fernando de Noronha e base aérea de Parnamirim (pontos estratégicos no hemisfério sul para frear a influência da China neste lado do globo). E Cuba (transformada em ruínas pela ditadura e que tem localização estratégica), já recebeu um recado direto: “Se eu morasse em Havana e estivesse no governo, eu estaria pelo menos preocupado”.

É mais saudável utilizar a inteligência para pensar o mundo com princípios de cidadania, com esclarecimento, com leitura analítica, compreendendo os fatos para tentar sofrer menos. Usar a boca para replicar discursos de direita e esquerda é entrar num armário com cheiro de naftalina e achar que vai encontrar uma roupa da moda. Estamos num mundo pós-tudo, onde direita e esquerda não fazem mais qualquer sentido e nada mais parece surpreender. Talvez seja mais adequado tentar trabalhar para que o tudo não seja assim tão tudo.

Como fez o presidente da Alemanha Frank Steinmeier em um evento, demonstrando o incômodo europeu com a pressão americana sobre a Dinamarca, em razão da Groenlândia: “Hoje há a quebra de valores por parte do nosso parceiro mais importante, os EUA, que ajudaram a construir essa ordem mundial. [...] Trata-se de impedir que o mundo se transforme em um covil da ladrões, onde os mais inescrupulosos tomam tudo o que querem, onde regiões ou países inteiros são tratados como propriedade de algumas poucas grandes potências”.

Claro que o recado dirigido aos EUA parece ainda mais talhado para a Rússia, que invadiu a Ucrânia, destruiu o país e começa a enviar ameaças veladas e drones espiões como avisos militares para a Europa. De quebra, o líder alemão também cutucou as posições sempre dúbias de Brasil e Índia: “Países como Brasil e Índia precisam ser convencidos a proteger a ordem mundial”.

É impossível negar que a encrenca vai muito além dessas “verdades” fechadas nos limites dos currais de rebanhos polarizados. É urgente perceber que o mundo agora vai muito além de capitalistas e comunistas. Afinal, o anão de jardim da Coreia do Norte informou ao mundo que “o governo monitora de perto os acontecimentos na Venezuela, espera que a democracia seja restaurada, que a vontade do povo venezuelano seja respeitada e que a situação seja estabilizada o mais breve possível por meio do diálogo”.

Como diz o meme de internet, “Menino, tu ainda vai ver coisa!”.

H. Romeu Illanba não é jornalista. É um obelisco.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O carteiro sumiu

RichardsDrawings/Pixabay

Goya Bada

Meninos e meninas – e todas as variações – deste meu Brasil ora varonil ora brochado: não tá fácil! Que outro lugar deste mundinho de meu Deus passamos uma boa vergonha por dia, fora as dezenas de ruborizações nossas de cada dia?

Nem na hora do almoço esses jornalistas deixam a gente em paz, servindo molhos amargos como o rombo acumulado nas contas do governo federal até novembro: R$ 83,8 bilhões. Nesse balaio estão Correios, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev, Emgepron, Hemobras e EMGEA. Formam um pacote de lixo embalado como empresas estatais.

Segundo dados do Banco Central, esse grupo de ineficiência é um sumidouro de dinheiro público que apresentou rombo de R$ 6,73 bilhões em 2024 e R$ 6,35 bilhões em 2025. Petrobras, Eletrobras e bancos públicos não estão incluídos no cálculo desse ralo. Ou seja, o que é ruim não está livre de piorar.

O mais impressionante é que esses mamutes deficitários atuam em áreas altamente valorizadas no mercado mundial – tecnologia (Dataprev e Serpro), logística (Correios), infraestrutura aeroportuária (Infraero), impressos de segurança (Casa da Moeda), biotecnologia (Hemobrás), projetos navais (Emgepron), gerência de ativos (EMGEA) – e mesmo assim funcionam muito mais como cabides de emprego para apaniguados do Estado-patrão. Tanto que a maioria delas é simplesmente custeada pelo Tesouro e ponto final.

Embrulha o estômago pensar que, no governo FHC, as gigantes UPS, FedEx e Amazon manifestaram interesse em comprar os Correios, mas os espertos de sempre jamais arriscariam abrir mão de uma teta então muito fértil e melaram qualquer possibilidade de privatização – os rumores apontavam R$ 8 bilhões para abrir o leilão, e lá se vão 23 anos que o tucano deixou o poder.

Do posto de empresa-modelo mais admirada do país para o limbo atual foi uma ladeira de incompetência. A empresa tinha 51% de participação no mercado em 2019 e despencou para os 22% atuais. É claro que todo mundo faz uma pergunta básica: como é que diretoria, conselho e o próprio governo (acionista) não perceberam tamanho desastre?

E os sacripantas oficiais ainda têm a ousadia de tripudiar da nossa inteligência, afirmando que a bancarrota da empresa era inevitável desde que a sociedade se modernizou e deixou de enviar cartas com a popularização da comunicação digital. Como se o grosso da atividade da empresa não fosse a entrega de encomendas e mercadorias.

Bom lembrar que desde 2015 as empresas de correios do mundo entenderam que o nicho de correspondências estava desaparecendo e trataram de se reestruturar. Os alemães, muito bobinhos, resolveram a questão privatizando sua estatal e ponto final. Agora, surge a conversa de buscar parcerias ou abrir o capital. Ah, bom! Resta saber onde estão os incautos para entrar nessa roubada antes de qualquer reestruturação da empresa – embora a atividade tenha grande potencial econômico, os métodos “empresariais” do setor público dispensam apresentações.

Da sua trincheira no Palhaço do Planalto, Sassá Mutema foi aos alto-falantes para declarar apoio ao aporte de R$ 12 bilhões nos Correios e, peito estufado, afirmou que enquanto estiver desonrando a Presidência do Bordel Pau-Brasil, não haverá privatizações. Claro, o rebanho foi ao delírio já decorando a fala e ensaiando a claque para o ano da graça eleitoral que começa daqui a três dias. Como de costume, o fariseu de botequim esqueceu de lembrar algumas coisinhas que costumam dinamitar urnas eleitorais.

Como investidor não é dado a rasgar dinheiro, não existem interessados em comprar essa sucata desde a tentativa no (des)governo Bolsonaro. Nada menos que 15 mil funcionários (17% do quadro), que pelo visto já não fazem falta, deverão ser demitidos até 2027. Muitas agências serão fechadas e imóveis vendidos. Os R$ 12 bilhões aportados para “salvar” quem já está no inferno serão espetados nas costas daqueles otários de sempre, chamados “contribuintes”.

O empréstimo “saneador” foi assinado sexta-feira (26) com validade até 2040, garantido adicionalmente pela União. Ou seja, na falta de pagamento da estatal – algo bastante provável – e de liquidez das suas próprias garantias, o Tesouro [também conhecido por Viúva (nós)] abrirá pernas e cofres para manter os sorrisos dos credores da dinheirama: Banco do Brasil (R$ 3 bilhões), Bradesco (R$ 3 bilhões), CEF (R$ 3 bilhões), Itaú (R$ 1,5 bilhão) e Santander (R$ 1,5 bilhão).

Os mais céticos já entendem que BB e CEF vão terminar entubando suas (nossas) partes. Afinal, se daqui a 15 anos ainda houver ECT, o pessoal dos bancões estatais envolvidos no empréstimo provavelmente serão acometidos de amnésia do fiofó alheio. Até porque, segundo Emmanoel Rondon, presidente da encrenca, para complementar o descalabro, no próximo ano (que começa daqui a três dias) o ralo vai sugar mais R$ 8 bilhões com um novo empréstimo. Ou seja, por ora a continha vai fechar mesmo em R$ 20 bilhões. E ele afirma também que, se nada fosse feito, o rombo chegaria a R$ 23 bilhões em 2026.

Causou estranheza em Brasília a ausência das viúvas e bobos alegres da esquerda-caviar festiva para embarcar como avalistas nessa barca furada, já que defendem o Estado chafurdando na economia. Na verdade, esses militontos ficaram todos afônicos porque sabem que a friagem do sereno vai virar mais uma tempestade com dinheiro público.

E, last but not least, privatizada em junho/2022 a Eletrobrás encerrou o exercício de 2024 com lucro de R$ 10,4 bilhões, quase dobrando o resultado do ano anterior.

Goya Bada não é jornalista. É um doce.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Papangu-rei


Vatti Catar

Já dizia o velho Ulysses Guimarães: “Se você acha esse Congresso ruim, espere o próximo”. A velha raposa política vaticinou o que virou quase uma lei não escrita a cada eleição, quando emergem das urnas parlamentares ainda mais insignificantes, baixos, escatológicos, corruptos, indignos... A lista dos adjetivos é interminável e as perspectivas para a abertura das urnas em 2026 deverão confirmar a fala do Senhor Diretas, político lendário que foi um dos maiores presidentes da história da Câmara dos Deputados.

Somente um país amoral como o Brasil tolera um Congresso que piora a cada eleição. Hoje temos Senado e Câmara presididos por duas figuras absolutamente inadequadas, que ninguém sabe direito de onde vieram – não me venham falar de geografia e da naturalidade desses caras. Repetem a velha escrita do coronelismo como filhos de famílias dominantes nas políticas regionais e cercadas de investigações. Uma simples visita ao maior site de buscas da internet traz resumos desoladores:

“A família do senador e seus membros têm sido alvo de diversas notícias e investigações envolvendo polêmicas, que abrangem desde crimes ambientais e grilagem de terras no Amapá até esquemas de corrupção, rachadinha, contrabando e tráfico de drogas.”

“Mãe, pai, avó a padrasto do deputado já foram investigados ou presos nos últimos 10 anos.”

Os acordões que estão na ordem do dia para frear a refrega entre Legislativo e Judiciário não parecem motivados pelo indispensável equilíbrio entre os Poderes. Na verdade, visam acalmar o festival de rabos presos que provocam insônia generalizada. De um lado, um Congresso que dispensa apresentações. Do outro, um Supremo que engoliu a língua diante das inexplicáveis ligações diretas de parentes de ministros ou gestos de simpatia de alguns deles com empresas e empresários que operam na economia dos esgotos e reluzem na ostentação desabrida.

E os expedientes são um escárnio: patrocínios, bocas-livres nababescas no exterior, esposas, filhos e parentes embutidos em escritórios de advocacia pagos a peso de ouro para defender réus bilionários em tribunais superiores – alguns contratos são tão generalistas que podem até entubar manjubinha frita no forno da Pizzaria Brasil.

O escárnio mais reluzente até agora – nesta terra em que tudo se dá nunca se sabe o dia de amanhã – é reincidente: um mesmo togado que dispensou multa bilionária de um cliente da agora ex-mulher, decretou sigilo sepulcral em favor de outro depois de, por pura coincidência, participar de um voo de jatinho da alegria palmeirense – alegria que durou somente até o Flamengo apresentar seu jogo no Peru e levantar o tetra da Libertadores. Vá lá, alguém pode enxergar uma corrente de apoio para quer tia Leila fique calma, ainda mais agora que ventos suspeitos de fraudes da CPMI do INSS podem soprar no banquinho dela.

Ao mesmo tempo em que uma andorinha solitária não consegue emplacar sua data venia no código de conduta das outras incelenças de preto, no outro lado da Praça dos Três Podreres (linguagem neutre) as incelenças eleitas só caçam níqueis e fingem que nada demais aconteceu com os coleguinhas fujões do bananal bananeiro. Ao que tudo indica, jatinhos continuarão esvoaçando togas e gravatas nos ares urbi et orbi, tendo Brasília como hangar, e pousos e decolagens seguirão livres de freios de arrumação.

No Executivo, o fedor do patife-mor et caterva sobre os números de Petrobras, Banco do Brasil (inclusive Previ) e Correios remete ao lamaçal mensalão + petrolão. É apenas a firma reconhecida da vocação dos petralhas e a continuação do fluxo de esgoto no Palhaço do Planalto após a imundície deixada pelo soldador e seu pelotão fardado.

A questão do Executivo é complexa porque, diante da menor crítica, os rebanhos enlouquecem espalhando narrativas de defesa para seus capatazes, sempre apontando os dedinhos melados de esterco para o curral do outro lado do pasto. Pior, acreditam nas versões amestradas produzidas em laboratórios de narrativas, mas param de mugir diante de uma pergunta simples: que empresa contrataria esses insignificantes como CEOs? Ou alguém já esqueceu daquela outra que conseguiu quebrar uma lojinha de R$ 1,99?

Se a direita bronca não se envergonha de bater continência para pneus, tentar contato com ETs e pedir um golpe militar para salvar a democracia, a esquerdinha caviar-festiva constrange o circo com suas “viúvas” posando com aquele ar de intelequitual que finge não enxergar a roubalheira no seu próprio mar de lama, mas avista uma realidade paralela doentia e vive nela. Essa gente da militância veste um colete fajuto onde mandou imprimir “Guardiães das Virtudes”, no melhor estilo flanelinha que acredita ser engenheiro de tráfego.

Estes últimos dias de 2025 revelam que estão sumindo as boias de salvação dessa água imunda que começa a subir pelas nossas canelas, e que a corredeira não vai desaguar no precipício final da Terra plana para desaparecer por encanto negacionista. Há até quem jure ter visto disco voador sobrevoando Copacabana com uma faixa publicitária onde se lia “Em terra de rabo preso todo papangu vira rei”.

Vatti Catar não é jornalista árabe. É uma imprecação.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Sem salário, Bolsonaro pode receber Bolsa Família

 


Ex-presidente vai fazer curso de 
solda na cadeia para aumentar o soldo

O ex-presidente Jair Bolsonaro poderá ser beneficiado pelo Bolsa Família em breve. 

Bolsonaro deu entrada no pedido do benefício depois que o PL cortou o seu salário de R$ 46 mil, como Aspone. 

O ex-presidente receberá o Bolsa Família de sua própria família.

Flávio Bolsonaro já abriu uma nova franquia de chocolates para garantir o leitinho condensado do papai.

Com Bolsonaro fora do páreo, a direita se movimenta para lançar seus candidatos. 

Mas não há unanimidade. 

Flávio já se lançou, mas sem consenso. 

E sua candidatura já nasce com um racha. 

Ou melhor: uma rachadinha.

A notícia da perda de renda de Bolsonaro veio junto com a do aumento da renda do brasileiro. 

Um aumento de 5%. 

O ex-presidente planeja aumentar seus rendimentos fazendo trabalhos manuais na cadeia. 

Por isso, ele já se matriculou num curso de solda à distância. 

Por via das dúvidas, a PF reforçou as barras da cela.

Com informações do Jornal Sensacionalista