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domingo, 25 de outubro de 2020

Carro azul

 








Máscara legal

 





1932 – Quando Caicó quase mudou de nome

 


Rostand Medeiros
Escritor, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN

Não sei como funciona em outros estados brasileiros, mas ao longo da história do Rio Grande do Norte, eram comuns as mudanças de nomes originais e tradicionais de municípios e localidades. Muitas vezes ao bel prazer de figuras políticas dominantes do lugar, que desejavam angariar simpatias de outros políticos mais poderosos. Isso muitas vezes a revelia das tradições e da maneira de pensar do povo da terra.
Em janeiro de 1932 alguém imaginou que mudar o nome de Caicó para Amaro Cavalcanti (foto) era um bom negócio. Certamente quem propôs essa situação, que não descobri quem foi, pensou que era algo positivo essa mudança pela interessante biografia desse homem. Mas os caicoenses e as autoridades locais viram essa proposta de outra maneira e o caso repercutiu até no Rio de Janeiro, conforme foi publicado na imprensa da então Capital Federal. O fato é que, como bem sabemos, não houve essa mudança. Era demais mudar o nome de Caicó, mesmo Amaro Cavalcanti Soares de Brito (1849-1922) merecendo muitas homenagens.
Amaro Cavalcanti nasceu no sítio Logradouro, hoje conhecido como Três Riachos, não muito longe da sede do município de Jardim de Piranhas, e desenvolveu ao longo de sua vida uma carreira excepcional.
Estudou direito nos Estados Unidos e no retorno ao Brasil, entre outras atividades exerceu em momentos distintos os cargos de Ministro das Relações Exteriores e da Fazenda, Ministro do Supremo Tribunal Federal e de prefeito do Rio de Janeiro, onde até hoje uma grande avenida leva seu nome. 

Eu continuo achando que alterar o tradicional nome de Caicó, ou de qualquer outra localidade, para homenagear alguém é algo complicado e problemático, mas o irônico disso tudo é que atualmente a vida e a excepcional carreira do potiguar Amaro Cavalcanti é pouco conhecida no seu estado de nascimento. Uma exceção é justamente em Caicó, onde o fórum local se chama Fórum Municipal Amaro Cavalcanti, na rua Dom Adelino Dantas.

Fernando Antonio Bezerra é escritor, advogado e colaborador do Bar de Ferreirinha. 
Hoje, excepcionalmente, o seu espaço está sendo ocupado pelo escritor 
Rostand Medeiros, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Sol lindo

Peter Salém

Sentamos pra ver o sol indo.
Grama, grilos, coceirinhas...

(O sol
    aquela bolona amarela
E nós
 sonhos pra dar e dormir.)

Lá ia, lá longe, o sol indo...
Senti o calor que 'cê tinha
Na pele que, ali, era só minha.
Aquele gosto quente no dente,
Um beijo, um toque, a mão no joelho...
Epa!
Olha que até o sol ficou vermelho.



Agora feda

 





Grude

 





A China belicosa

 Ivar Hartmann

A Segunda Guerra Sino-Japonesa entre 1937 e 1945 foi o maior conflito asiático do século passado. Calculam as mortes entre 10 e 25 milhões de civis chineses e mais de 4 milhões de militares chineses e japoneses mortos. Em 1950 a China invadiu o Tibet e anexou o país do Dalai Lama. O filme 7 Anos no Tibet retrata o que eram as forças armadas de ambos os países. Com a Rússia, a China tem 4.000 km de fronteira. Em 1969 depois de um incidente por ilhas limítrofes, que causou mortos e feridos entre os russos, ambos países chegaram a concentrar 1.4 milhões de soldados, preparando-se para uma guerra atômica. Somente em 2004 um acordo final foi assinado. Os chineses tem um fronteira litigiosa de outros 4.000 km com a Índia. Chamada de LAC (Linha de Controle Real), na qual os incidentes são frequentes. O último dos quais em junho de 2020 matou mais de 50 soldados de ambos os países. Em ambas ocasiões, conforme foi comprovado, os chineses atacaram os países vizinhos. Em 1997 a ilha de Hong Kong foi devolvida pela Inglaterra a China garantindo aos seus 7 milhões de habitantes um status especial até 2047. Os conflitos deste ano mostram que os chineses não querem esperar e estão rompendo o acordo que assinaram.

A ilha de Taiwan (Formosa), tem 36 mil quilômetros quadrados e mais de 23 milhões de habitantes. Chama-se oficialmente República da China, e está separada da República Popular da China desde 1949 e a apenas 130 km de distância. É um dos tigres asiáticos. 21.ª maior economia do mundo. Classificada como desenvolvida em termos de liberdade de imprensa, saúde, educação pública e liberdade econômica. Uma democracia com IDH superior a China comunista: a que mais conhecemos, com seus 9,5 milhões de km quadrados e 1 bilhão e 400 milhões de habitantes. Taiwan mantém sua independência pela proteção dos Estados Unidos. Sua soberania sempre foi ameaçada pelos comunistas. Os chineses são, pois, belicosos, adversários de países fronteiriços: Japão, Rússia e Índia. Tem um grande exército e bem adestrado, preparado até para uma guerra bacteriológica. Proximamente. 

ivar4hartmann@gmail.com


domingo, 18 de outubro de 2020

Vem aí...

Estamos conversados!

Acondicionamento

O personagem da semana

 

Messias especula o tamanho da pomba que a PF atolou no Senador Chico 

Alvo de mandado de busca e apreensão por suspeita de desvio de dinheiro, o senador Chico Rodrigues, de Roraima, foi o personagem da semana.

A Polícia Federal encontrou dinheiro escondido entre suas nádegas, cerca de R$ 15 mil, e mais 17 mil espalhados pela cueca.

É o que se pode chamar de evolução de método para esconder dinheiro: antes era apenas na cueca, agora, pra disfarçar melhor, o senador Chico enfiou o dinheiro no próprio boga.

Esta metodologia genuinamente brasileira (sem trocadilho, por favor!) foi usada em julho de 2005 por José Adalberto Vieira, então assessor do deputado federal José Guimarães (PT-CE), irmão do presidente do PT à época, José Genoíno.

Ele foi preso no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com US$ 100 mil escondidos na cueca, e mais R$ 209 mil numa maleta de mão, tentando embarcar para Fortaleza. 

Para ajudar os apoiadores do Presidente Messias a enfrentar o novo escândalo, segue uma lista de desculpas para o fato de o dinheiro ter sido encontrado onde o sol não brilha: 

- O governo colocou o dinheiro no Centrão.

- Não é possível provar nada porque as imagens ficaram borradas.

- Com a desvalorização do real e a falta de papel higiênico, é mais barato usar dinheiro.

- O dinheiro era de rachadinha.

- Ele aplicou em um fundo.

- Ao contrário do que diz Paulo Guedes, o Real foi para o buraco.

- É um tratamento para Covid-19 que substitui o ozônio no reto.

- Jair tentou dar uma freada na corrupção. 

- Peido de Chico Rodrigues pode distribuir renda 

- IBAMA investiga se configura zoofilia enfiar garoupas e lobos-guará no fedorento. 

- Era só um dinheiro sujo, nada de mais.

- Depois do lobo-guará, animal da cédula de R$ 500 será pacu.

- Queiroz se recusou a fazer depósito de Chico Rodrigues. 

- General Rêgo Barros nega envolvimento com o caso. 

- Senador Chico Rodrigues investia em buttcoin.

- Senador Chico nega que dinheiro era de empresa pública: era da privada.

- Dinheiro no cu do Senador explica frase do Messias em reunião ministerial: "Eles querem a nossa hemorroida".

Com informações d'O Sensacionalista

Velhos costumes do meu sertão


O livro “Velhos costumes do meu sertão”, escrito por Juvenal Lamartine de Faria, é uma referência para todos que gostam dos temas relacionados à vida sertaneja do passado. Dentre outros assuntos, Juvenal menciona um velho costume de assistência aos católicos chamado “desobriga”. Em síntese, era a visita dos vigários a recantos mais distantes da sede da freguesia.

Como escreveu o próprio Juvenal: “era um dia de festa para aqueles mundos. Além de batizar os pagãos e casar os noivos e amancebados – assistia a todos, do sinhô ao escravo, não só no confessionário, como de conselhos e ensinamentos vários que, mais das vezes, envolviam dúvidas do espírito, do corpo e do trabalho. (...) Alguns exerciam por tão longos anos o seu nobre mister de pastor da mesma freguesia, que passavam a ser conhecidos por todos, indistintamente, ricos e pobres, homens e mulheres, brancos e pretos, pela denominação de padrinho-padre. Assim aconteceu com o padre Tomaz Araújo que exerceu, durante meio século, as funções de vigário na freguesia do Acari.”

Um outro dos nomes do clero antigo, lembrado também no texto já mencionado, é o sacerdote Francisco de Brito Guerra que muito visitou recantos da freguesia de Sant’Ana quando, em alguns lugares da região, somente uma única vez por ano – quando muito - se avistava um padre. Sobre Brito Guerra, Olivia Morais de Medeiros Neta apresentou, no XXV Simpósio Nacional de História – Fortaleza, 2009, um pouco sobre este grande nome do Seridó antigo: “nasceu aos dezoito dias do mês de abril de 1777, na Fazenda Jatobá, Povoação de Campo Grande, pertencente a Freguesia da Vila Nova da Princesa (atual cidade de Assu-RN). Filho de Manoel da Anunciação de Lira e de Ana Filgueira de Jesus, Francisco de Brito Guerra inicia-se na escolarização das primeiras letras com o Padre Luis Pimenta de Santana na Vila Nova da Princesa. Aos 12 anos muda-se com sua família para a Província de Pernambuco. Lá aprende latim com o professor Manoel Antônio. (MELQUÍADES, 1987). E, em 1801, recebeu ordens sacras no Seminário de Olinda, vindo a assumir a Freguesia da Gloriosa Senhora Santa Ana do Seridó, da Vila do Príncipe em 1802”.

Francisco de Brito Guerra faleceu em 1844 e, conforme arremata a Doutora Olívia, já citada, “seu nome com grafias religiosas, políticas e educacionais na história e na memória da Vila do Príncipe, mas essa escrita não se encontra fechada nesses limites, pois foi atuando como vigário colado da Freguesia da Gloriosa senhora Santa Ana do Seridó, como Visitador Apostólico do Rio Grande do Norte e da Paraíba, como deputado provincial e imperial, como senador do Império e professor de latim.” 

Líderes como Francisco de Brito Guerra e Tomaz Pereira de Araújo, dentre outros, ajudaram a construir os alicerces culturais do povo seridoense, não apenas pela contribuição à formação religiosa, mas também educacional.

A população rural diminuiu consideravelmente nas últimas décadas. O Seridó de hoje é majoritariamente urbano. Existem estradas e a locomoção é, relativamente, fácil para a grande maioria das pessoas. Aliás, muitas das quais que, oriundos da zona rural, participam dos cultos religiosos e eventos sociais semanalmente nas cidades. Contudo, são novos e gigantes os desafios para os atuais líderes religiosos. Enfim, “desobrigas” em outros formatos e em outro sertão.

Fernando Antonio Bezerra é escritor, advogado e colaborador do Bar de Ferreirinha.

Reunião de turma


Um grupo de colegas, todos na faixa de 50 anos de idade, discutia para escolher o restaurante onde iriam fazer uma confraternização pelo reencontro.

Finalmente, decidiram pela churrascaria Cabana porque, as garçonetes usavam minissaia e eram muito animadas.

Dez anos mais tarde, aos 60 anos, o grupo se reuniu novamente e mais uma vez discutiu a escolha do restaurante.

Decidiram pela churrascaria Cabana porque a comida era muito boa e havia uma excelente carta de vinhos. 

Dez anos mais tarde, aos 70 anos, o grupo reuniu-se novamente e de novo fizeram um debate para escolher o restaurante.  

Optaram pela churrascaria Cabana porque lá havia uma rampa, banheiro adaptado e até  um pequeno elevador... 

Dez anos mais tarde, aos 80 anos, o grupo se reuniu novamente e, eis a questão:

- Vamos pra qual restaurante? 

Finalmente, em votação, decidiram pela churrascaria Cabana.

Todos gostaram da ideia porque achavam que nunca tinham ido lá...