Heraldo Palmeira
Texto originalmente publicado no no site Giramundo News Magazine.
Nada como uma cadeira confortável em uma calçada alta e, de quebra, uma marquise pra nos proteger de sol e chuva.
Esse é o conforto supremo para acompanhar o Carnaval de Caicó.
Bem na sua frente desfilam personagens que você jura sair dos clássicos da literatura e do cinema.
Ali está em voga a máxima: se Deus desse asas a cobra, tirava o veneno.
Embriagados, enxeridos e contadores de pabulagem se revezam com todo tipo de marmota.
Se minha vó fosse viva, diria:
- O mundo tá perto de se acabar!
As ilusões e desilusões passam em estado puro, independente de gênero, raça e posição social.
Todos vivem seu momento de liberdade e grandeza e corroboram aquela máxima:
- No mundo tem gente pra tudo, e ainda sobra pra mascar fumo.
A quarta-feira ingrata está chegando tão depressa...
Engenheiro, caicoense honorário e apreciador das coisas boas da vida

Imagem: Hansuan Fabregas/Pixabay
A putaria financeira que entupiu o esgoto do Banco Master vai deixando claro e escuro que estava em funcionamento um verdadeiro Mecanismo, com acionistas instalados no mundo financeiro, no crime organizado e em gabinetes políticos cada vez mais apavorados de Brasília. Sem contar que instituições supostamente veneráveis como STF, TCU e CVM resolveram dançar miudinho um repertório estranhíssimo, com passos de omissão e intromissão para tentar manter a orquestra desafinada de Daniel Vorcaro no palco do circo de horrores.
Até aqui, são cerca de 1 milhão de brasileiros lesados pelos esquemas fraudulentos, e o processo segue infestado de excentricidades deixando no ar algo que parece proposital para, lá adiante, permitir que tudo seja anulado por falhas processuais que parecem deliberadamente provocadas à luz do dia por instituições oficiais que deveriam estar cuidando de garantir a punição dos envolvidos. Diz o ministro da Fazenda que estamos diante da “maior fraude bancária da história” sempre escandalosa de Pindorama, e mesmo assim essa movimentação excêntrica de algumas autoridades, que atrapalha o rito normal das investigações, segue seu curso como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Mesmo que a gente saiba que esta republiqueta de bananas vive sempre no fio da navalha, essa verdadeira suruba master foi muito além da imaginação de qualquer pansexual. No meio dessa festa do pijama com dinheiro alheio, a CVM saiu de fininho pela porta lateral. O TCU apareceu sem ser convidado, representado por um “ministro” sem qualquer relevância no cenário nacional e envolvido em emendas parlamentares que estão se mostrando um festival de irregularidades no seu destino, em Roraima. No topo da cadeia, o Supremo assumiu um confuso papel de segurança desse verdadeiro clube de cafajestes, surrupiando o inquérito das mãos da Polícia Federal para impor sigilos e procedimentos nunca vistos.
Um capítulo à parte é a atuação de dois togados, cujas digníssimas (uma delas agora é ex) estão na galeria de fotos históricas da assessoria jurídica do Banco Master. Por óbvio, ambas como peças de contratos milionários. Sem contar que dois irmãos do togado relator do inquérito no STF – cuja ex foi advogada do Master – venderam participação no resort Tayayá a um dos fundos emaranhados na fedentina do Banco Master. Ou seja, qualquer manual de ética grita ao ilustre ministro se declarar impedido diante desse tuiuiú no Tayayá.
E para não perder nosso jeitão de eterna piada pronta, a segunda fase da operação policial revelou que diversos fundos sumidouros de dinheiro utilizavam nomes de personagens da franquia Frozen (Disney). Estão lá nos registros do Banco Central Anna, Olaf... Ou seja, o clube de cafajestes supostamente utilizava esses fundos para movimentar dinheiro ilícito e tudo indica que buscaram intencionalmente esses nomes de personagens porque remetiam a “congelado”. Terminaram conseguindo o intento porque agora esses (e outros) fundos estão devidamente congelados pelo Bacen. Agora, quem quiser recuperar esse rico dinheirinho provavelmente sem origem vai ter que meter a bunda na janela. Quem haverá de? Esse tipo de doido tem juízo e costuma esperar que o escândalo seja abafado. Para o bem de todos. Os envolvidos.
Como obviamente se trata de um dinheirão de muitos donos escondidos, além de uma teia de benesses distribuídas a amigos influentes, talvez esteja aí a razão desse esforço descomunal de tanta gente “insuspeita” entrando em campo posando de dona da bola.
O togado relator, que que está indócil, havia decretado que tudo deveria ser encaminhado ao Supremo, mas teve um choque de realidade quando 23 veículos, 30 armas, 31 computadores, 39 celulares, R$ 645 mil em dinheiro e um bocado de relógios foram apreendidos. Não havia onde guardar essa montanha de provas na sede do tribunal.
Venha cá, será que um ministro do STF não conhece os ritos processuais? Claro que essa intromissão é prejudicial para as investigações e beneficia os acusados. E o mesmo Supremo vai ficar calado, não há mecanismos para acabar com esse vexame autoritário e monocrático, nem que seja mandando essa mixórdia para o Plenário? Afinal, já existe um clima de constrangimento entre os ministros da corte em razão da atuação completamente excêntrica do colega relator, cujo ponto principal de descontentamento é o esforço dele para limitar a ação da Polícia Federal no caso.
Esforço que passa por evitar o acesso primário dos policiais a informações vitais, como o conteúdo de celulares e computadores apreendidos. Escolher ele mesmo os peritos que vão atuar no caso, sem o menor esforço para disfarçar a intenção de controlar a investigação. Pedir novo cronograma para os depoimentos e reduzir o tempo para a PF ouvir investigados
Entretanto, a primeira providência do Supremo foi tomada em silêncio: o ministro cuja mulher assinou contrato de R$ 129 milhões com o Master instaurou inquérito de ofício – quando não há provocação externa da PGR ou da PF –, com o objetivo de apurar na Receita Federal e no COAF os responsáveis pelo vazamento de informações do tal contrato milionário, bem como dos investimentos dos parentes do relator no Tayayá.
Por seu turno, o Senado anunciou, dentro da Comissão de Assuntos Econômicos, a criação de um grupo de trabalho que poderá acompanhar os desdobramentos do caso. Dentro da lógica que impera em Pindorama, a primeira reação lógica é saber de que lado esses caras vão jogar. Afinal, são políticos brasileiros em ação. E como a tal comissão não tem poder de CPI, parece muito mais uma turma de bisbilhoteiros que não deverá fazer diferença.
É impressionante como somos um povo banana da republiqueta! Há quantos anos a sociedade é sacaneada? Os menos animados dizem que é desde Cabral, e que até o Descobrimento é uma farsa de data e local. Não há como negar que vivemos nesse frege desde os tempos de Ilha de Vera Cruz, que viramos uma esculhambação constante. Basta pensar que uma geringonça de dimensões continentais foi tratada como ilha. Tudo bem, há quem diga que isso é piada de português, mas virou a terra de Macunaíma, o herói sem caráter.
Temos vocação seminal para esquemas fraudulentos e gente escorregadia. Basta abrir a página dos primeiros anos da colônia e já teremos um certo Bacharel de Cananeia mais enrolado do que língua de tamanduá, lá pelas bandas de São Vicente e Cananeia.
É... O momento do Cabaré Brasil é delicado, embora nossa republiqueta de bananas tenha doutorado em avançar por um poço que nunca tem fundo.
Como diz o meme de internet, “Menino, tu ainda vai ver coisa!”.
H. Romeu Illanba não é jornalista. É um obelisco.
A talentosa atriz Titina Medeiros uniu o Seridó nestes dias pelo fio invisível e poderoso da memória familiar.
Poucas regiões no mundo ostentam um povo tão coeso quanto o seridoense.
No Seridó, a família não é apenas núcleo: é estrutura, é disciplina afetiva, é espinha dorsal da vida social.
As linhagens se entrelaçam, os sobrenomes se repetem, e quase todos são primos — de sangue, de afeto ou de história.
Essa tessitura profunda vem de uma herança cultural ancestral, frequentemente associada a valores de origem hebraica: o apego à genealogia, o respeito aos antepassados, o culto à terra onde os ossos dos pais repousam.
O seridoense gosta dos parentes, das calçadas conversadas ao fim da tarde, dos tamboretes nas portas, do chão seco que lhe moldou o caráter.
Quando Titina decidiu se enterrar em Acari, terra de sua devoção e pertencimento, ela não fez apenas uma escolha pessoal ou afetiva.
Ela externou um valor civilizatório: o orgulho do seu povo, a fidelidade às origens, a consciência de que a identidade não se abandona, se honra.
Seu gesto foi menos um adeus e mais um retorno — um ato simbólico que reafirma que, no Seridó, a terra não é só lugar: é herança, é memória viva, é destino.
Janduhí Medeiros é escritor e poeta
Qualquer pessoa com dois neurônios funcionando já ouviu o velho adágio popular “O apressado come cru”. E por analogia o apressadinho sempre termina tomando nas adjacências do propriamente dito. Ainda mais nestes tempos em que, segundo o pensador italiano Umberto Eco, “as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”. Esses imbecis finalmente ganharam um sobrenome à altura: “tudólogos”. Os imbecis tudólogos têm, sobretudo e sempre, uma opinião formada sobre tudo, de briga de vizinhos a chuva de meteoritos numa nova lua de um ex-planeta sem nome a milhões de anos-luz. Óbvio que a crise venezuelana não passaria ilesa pelo radar desfocado dos imbecis tudólogos, que já entupiram as redes sociais de estridências de dar pena.
Desde os anos 1910 existe exploração petrolífera no país, à época realizada por empresas inglesas e americanas. Em 7 de janeiro de 1936 teve início a atividade da Standard Oil por lá, que terminou sendo o marco do grande salto venezuelano nesse mercado. Em boa parte do século 20, a maior comunidade de norte-americanos fora dos EUA vivia exatamente na Venezuela.
Tempos em que o país caribenho chegou ao posto de 4º mais rico do mundo, muito em razão da associação empresarial com EUA e Inglaterra, já que o país não tinha tecnologia nem capacidade de exploração daquela riqueza. Tudo mudou com a chegada de Hugo Chávez ao poder, por um golpe de Estado, que transformou em ruínas com seu populismo e tirania o que era uma espécie de paraíso tropical cuja população vivia com alto nível financeiro. De quebra, estatizou instalações privadas das empresas estrangeiras. Como se não bastasse, deixou Nicolás Maduro como herança maldita.
Olhando para a Arábia Saudita, onde está outra reserva mundial gigante, temos além do colosso estatal Saudi Aramco (a PDVSA de lá), empresas estrangeiras norte-americanas, inglesas e chinesas operando na produção petrolífera. Algo que se repete em diversos outros países produtores do Oriente Médio. Também podemos lembrar o período de efervescência cultural do Irã nos tempos em que empresas inglesas e americanas estavam presentes em seu território. Basta olhar velhas fotos da Teerã dos anos 1970 para encontrar uma juventude risonha, com as moças andando de saias curtas. Ou seja, não é a presença estrangeira que necessariamente destrói o país detentor da riqueza explorada. Por isso é sempre recomendável conhecer a realidade antes de repetir opinião alheia e sair cagando goma.
Parece correto reformar o discurso “a Venezuela só é esse País quase falido porque os EUA e alguns outros países dominaram sua política e roubaram suas riquezas...”. Talvez seja justo incluir Rússia e China num tipo de exploração falimentar para os venezuelanos, pagando muito menos pelo petróleo e utilizando navios piratas para levar o produto para seus próprios territórios – a China era o maior comprador do petróleo venezuelano até este momento.
Não poucos os indícios de operações suspeitas da Venezuela para exportar e transportar o produto, que incluem o Brasil. Foram muitos petroleiros flagrados navegando com o sistema de GPS desligado, trocando bandeira e o próprio nome (repintado) em alto-mar. Por “coincidência”, todos fazendo a rota de Caracas para Rússia e China – um deles, que vinha se escondendo há dias no mar, foi tomado por forças especiais enquanto estava sob escolta de uma embarcação militar russa.
Também chama atenção o fato de o governo chavista/madurista permanecer no poder, se propondo a seguir as determinações dos EUA. Tanto que já anunciou a libertação de todos os presos políticos como “gesto de paz”. E agora se sabe que a atual presidente interina Delcy Rodríguez e seu irmão, o presidente da Assembleia Nacional Jorge Rodríguez, procuraram a Chevron – empresa americana com presença centenária no país – há algum tempo. Mantiveram estreito contato com a empresa e com um diplomata dos EUA (que atua nos bastidores) porque desejavam restabelecer as relações internacionais políticas e empresariais da Venezuela. Está claro que não incluíam Maduro nesse futuro e ninguém consegue garantir que não tenham exigido a retirada do ditador de cena.
Ou seja, os imbecis tudólogos são no mínimo imprudentes ao sair falando sem informações. Além deles, muitos jornalistas militantes da esquerda festiva estão readequando os discursos inflamados de ontem para diminuir o vexame – agora não conseguem esconder que estavam desinformados, para dizer o mínimo. Também é interessante o esquecimento seletivo sobre Maduro ter em mente tomar na marra um pedaço do território da vizinha Guiana, que guarda imensa reserva petrolífera e nenhuma capacidade de defesa militar.
Nem sempre os fatos são agradáveis, inclusive para os rebanhos políticos que vivem de narrativas. E quase sempre os “tudólogos” quebram a cara porque ignoram os fatos, não esperam o dia seguinte dos acontecimentos. Há um rebanho numeroso que sempre sintetiza tudo colocando os EUA no papel de vilão desde o prefácio. Virou modelo de discurso que naufraga por falta de isenção e ignorância dos contextos históricos. Neste caso da Venezuela, passar ao largo de uma relação construída ao longo do século 20 com os EUA é apenas desinformação, defesa de ponto de vista ideologizado ou simples desprezo intencional dos fatos.
A História não se reescreve com narrativas ou opiniões, muito menos as construídas por ideologia política contaminada com complexo de inferioridade terceiro-mundistas. Ou seja, devemos nos indignar com qualquer um que ultrapasse a linha da civilidade. A mesma indignação que serve para Donald Trump não pode poupar Stalin, Mussolini, Mao, Castro, líderes árabes, africanos e asiáticos pelas barbaridades cometidas contra seus próprios povos. Sim, ficou cansativa essa conversa mole de que Tio Sam é o único malvado nesse circo de horrores. Por isso essas campanhas enlouquecidas pelas redes sociais em favor de A ou B sempre deixam no ar a impressão de que as pessoas falam do que não conhecem, apenas repetem o que o “mestre” mandou.
Os americanos são bonzinhos? Claro que não! Afinal, não há bonzinhos na História. Ela foi construída e transmitida pelas potências dominantes em cada período – impérios mongol, chinês, persa, egípcio, alexandrino, romano, árabe, britânico... Hoje vivemos uma batalha de interesses entre EUA, China e Rússia pelo domínio geopolítico a partir da economia. E isso só não virou uma carnificina porque o poderio militar dos EUA não tem paralelo, algo que os adversários sabem muito bem. Repete-se a lógica aberta pela imensa ferida causada pelas bombas de Hiroshima e Nagasaki: a paz será garantida pelas bombas. Até quando, é apenas palpite. Pode não ser o ideal, mas é melhor que seja até sempre porque acreditar no desarmamento geral tem cara de utopia.
A maioria das pessoas deu de ombros ou fez chacota quando Trump apareceu proclamando “Make America Great Again (MAGA)” e “America First” na última campanha eleitoral. Agora sabemos que era um aviso do que viria. Tanto é verdade que no dia em que Maduro foi retirado de Caracas apareceu no perfil oficial da Casa Branca uma publicação cujo título era “Chega de Jogos”, junto com a sigla “FAFO” (“F*ck Around and Find Out”). Em tradução livre, algo como “Faça besteira e arque com as consequências” ou “Brincou com fogo, vai se queimar”.
Ou seja, a ação na Venezuela parece ter sido a primeira amostra da nova “política internacional” dos EUA neste momento, e a Casa Branca fez questão de avisar que ações imprudentes ou desafiadoras podem gerar reações duras. Recado mais direto para Rússia e China impossível.
É importante entender que essa absurda política externa americana não tem nada de amadora. Tanto que entraram no radar Groenlândia (que pertence à Dinamarca e domina a região do Mar do Norte, rota naval crucial para Europa e Ásia), Panamá (o canal é outro ponto fundamental do comércio internacional) e, agora, Fernando de Noronha e base aérea de Parnamirim (pontos estratégicos no hemisfério sul para frear a influência da China neste lado do globo). E Cuba (transformada em ruínas pela ditadura e que tem localização estratégica), já recebeu um recado direto: “Se eu morasse em Havana e estivesse no governo, eu estaria pelo menos preocupado”.
É mais saudável utilizar a inteligência para pensar o mundo com princípios de cidadania, com esclarecimento, com leitura analítica, compreendendo os fatos para tentar sofrer menos. Usar a boca para replicar discursos de direita e esquerda é entrar num armário com cheiro de naftalina e achar que vai encontrar uma roupa da moda. Estamos num mundo pós-tudo, onde direita e esquerda não fazem mais qualquer sentido e nada mais parece surpreender. Talvez seja mais adequado tentar trabalhar para que o tudo não seja assim tão tudo.
Como fez o presidente da Alemanha Frank Steinmeier em um evento, demonstrando o incômodo europeu com a pressão americana sobre a Dinamarca, em razão da Groenlândia: “Hoje há a quebra de valores por parte do nosso parceiro mais importante, os EUA, que ajudaram a construir essa ordem mundial. [...] Trata-se de impedir que o mundo se transforme em um covil da ladrões, onde os mais inescrupulosos tomam tudo o que querem, onde regiões ou países inteiros são tratados como propriedade de algumas poucas grandes potências”.
Claro que o recado dirigido aos EUA parece ainda mais talhado para a Rússia, que invadiu a Ucrânia, destruiu o país e começa a enviar ameaças veladas e drones espiões como avisos militares para a Europa. De quebra, o líder alemão também cutucou as posições sempre dúbias de Brasil e Índia: “Países como Brasil e Índia precisam ser convencidos a proteger a ordem mundial”.
É impossível negar que a encrenca vai muito além dessas “verdades” fechadas nos limites dos currais de rebanhos polarizados. É urgente perceber que o mundo agora vai muito além de capitalistas e comunistas. Afinal, o anão de jardim da Coreia do Norte informou ao mundo que “o governo monitora de perto os acontecimentos na Venezuela, espera que a democracia seja restaurada, que a vontade do povo venezuelano seja respeitada e que a situação seja estabilizada o mais breve possível por meio do diálogo”.
Como diz o meme de internet, “Menino, tu ainda vai ver coisa!”.
H. Romeu Illanba não é jornalista. É um obelisco.
Meninos e meninas – e todas as variações – deste meu Brasil ora varonil ora brochado: não tá fácil! Que outro lugar deste mundinho de meu Deus passamos uma boa vergonha por dia, fora as dezenas de ruborizações nossas de cada dia?
Nem na hora do almoço esses jornalistas deixam a gente em paz, servindo molhos amargos como o rombo acumulado nas contas do governo federal até novembro: R$ 83,8 bilhões. Nesse balaio estão Correios, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev, Emgepron, Hemobras e EMGEA. Formam um pacote de lixo embalado como empresas estatais.
Segundo dados do Banco Central, esse grupo de ineficiência é um sumidouro de dinheiro público que apresentou rombo de R$ 6,73 bilhões em 2024 e R$ 6,35 bilhões em 2025. Petrobras, Eletrobras e bancos públicos não estão incluídos no cálculo desse ralo. Ou seja, o que é ruim não está livre de piorar.
O mais impressionante é que esses mamutes deficitários atuam em áreas altamente valorizadas no mercado mundial – tecnologia (Dataprev e Serpro), logística (Correios), infraestrutura aeroportuária (Infraero), impressos de segurança (Casa da Moeda), biotecnologia (Hemobrás), projetos navais (Emgepron), gerência de ativos (EMGEA) – e mesmo assim funcionam muito mais como cabides de emprego para apaniguados do Estado-patrão. Tanto que a maioria delas é simplesmente custeada pelo Tesouro e ponto final.
Embrulha o estômago pensar que, no governo FHC, as gigantes UPS, FedEx e Amazon manifestaram interesse em comprar os Correios, mas os espertos de sempre jamais arriscariam abrir mão de uma teta então muito fértil e melaram qualquer possibilidade de privatização – os rumores apontavam R$ 8 bilhões para abrir o leilão, e lá se vão 23 anos que o tucano deixou o poder.
Do posto de empresa-modelo mais admirada do país para o limbo atual foi uma ladeira de incompetência. A empresa tinha 51% de participação no mercado em 2019 e despencou para os 22% atuais. É claro que todo mundo faz uma pergunta básica: como é que diretoria, conselho e o próprio governo (acionista) não perceberam tamanho desastre?
E os sacripantas oficiais ainda têm a ousadia de tripudiar da nossa inteligência, afirmando que a bancarrota da empresa era inevitável desde que a sociedade se modernizou e deixou de enviar cartas com a popularização da comunicação digital. Como se o grosso da atividade da empresa não fosse a entrega de encomendas e mercadorias.
Bom lembrar que desde 2015 as empresas de correios do mundo entenderam que o nicho de correspondências estava desaparecendo e trataram de se reestruturar. Os alemães, muito bobinhos, resolveram a questão privatizando sua estatal e ponto final. Agora, surge a conversa de buscar parcerias ou abrir o capital. Ah, bom! Resta saber onde estão os incautos para entrar nessa roubada antes de qualquer reestruturação da empresa – embora a atividade tenha grande potencial econômico, os métodos “empresariais” do setor público dispensam apresentações.
Da sua trincheira no Palhaço do Planalto, Sassá Mutema foi aos alto-falantes para declarar apoio ao aporte de R$ 12 bilhões nos Correios e, peito estufado, afirmou que enquanto estiver desonrando a Presidência do Bordel Pau-Brasil, não haverá privatizações. Claro, o rebanho foi ao delírio já decorando a fala e ensaiando a claque para o ano da graça eleitoral que começa daqui a três dias. Como de costume, o fariseu de botequim esqueceu de lembrar algumas coisinhas que costumam dinamitar urnas eleitorais.
Como investidor não é dado a rasgar dinheiro, não existem interessados em comprar essa sucata desde a tentativa no (des)governo Bolsonaro. Nada menos que 15 mil funcionários (17% do quadro), que pelo visto já não fazem falta, deverão ser demitidos até 2027. Muitas agências serão fechadas e imóveis vendidos. Os R$ 12 bilhões aportados para “salvar” quem já está no inferno serão espetados nas costas daqueles otários de sempre, chamados “contribuintes”.
O empréstimo “saneador” foi assinado sexta-feira (26) com validade até 2040, garantido adicionalmente pela União. Ou seja, na falta de pagamento da estatal – algo bastante provável – e de liquidez das suas próprias garantias, o Tesouro [também conhecido por Viúva (nós)] abrirá pernas e cofres para manter os sorrisos dos credores da dinheirama: Banco do Brasil (R$ 3 bilhões), Bradesco (R$ 3 bilhões), CEF (R$ 3 bilhões), Itaú (R$ 1,5 bilhão) e Santander (R$ 1,5 bilhão).
Os mais céticos já entendem que BB e CEF vão terminar entubando suas (nossas) partes. Afinal, se daqui a 15 anos ainda houver ECT, o pessoal dos bancões estatais envolvidos no empréstimo provavelmente serão acometidos de amnésia do fiofó alheio. Até porque, segundo Emmanoel Rondon, presidente da encrenca, para complementar o descalabro, no próximo ano (que começa daqui a três dias) o ralo vai sugar mais R$ 8 bilhões com um novo empréstimo. Ou seja, por ora a continha vai fechar mesmo em R$ 20 bilhões. E ele afirma também que, se nada fosse feito, o rombo chegaria a R$ 23 bilhões em 2026.
Causou estranheza em Brasília a ausência das viúvas e bobos alegres da esquerda-caviar festiva para embarcar como avalistas nessa barca furada, já que defendem o Estado chafurdando na economia. Na verdade, esses militontos ficaram todos afônicos porque sabem que a friagem do sereno vai virar mais uma tempestade com dinheiro público.
E, last but not least, privatizada em junho/2022 a Eletrobrás encerrou o exercício de 2024 com lucro de R$ 10,4 bilhões, quase dobrando o resultado do ano anterior.
Goya Bada não é jornalista. É um doce.
Já dizia o velho Ulysses Guimarães: “Se você acha esse Congresso ruim, espere o próximo”. A velha raposa política vaticinou o que virou quase uma lei não escrita a cada eleição, quando emergem das urnas parlamentares ainda mais insignificantes, baixos, escatológicos, corruptos, indignos... A lista dos adjetivos é interminável e as perspectivas para a abertura das urnas em 2026 deverão confirmar a fala do Senhor Diretas, político lendário que foi um dos maiores presidentes da história da Câmara dos Deputados.
Somente um país amoral como o Brasil tolera um Congresso que piora a cada eleição. Hoje temos Senado e Câmara presididos por duas figuras absolutamente inadequadas, que ninguém sabe direito de onde vieram – não me venham falar de geografia e da naturalidade desses caras. Repetem a velha escrita do coronelismo como filhos de famílias dominantes nas políticas regionais e cercadas de investigações. Uma simples visita ao maior site de buscas da internet traz resumos desoladores:
“A família do senador e seus membros têm sido alvo de diversas notícias e investigações envolvendo polêmicas, que abrangem desde crimes ambientais e grilagem de terras no Amapá até esquemas de corrupção, rachadinha, contrabando e tráfico de drogas.”
“Mãe, pai, avó a padrasto do deputado já foram investigados ou presos nos últimos 10 anos.”
Os acordões que estão na ordem do dia para frear a refrega entre Legislativo e Judiciário não parecem motivados pelo indispensável equilíbrio entre os Poderes. Na verdade, visam acalmar o festival de rabos presos que provocam insônia generalizada. De um lado, um Congresso que dispensa apresentações. Do outro, um Supremo que engoliu a língua diante das inexplicáveis ligações diretas de parentes de ministros ou gestos de simpatia de alguns deles com empresas e empresários que operam na economia dos esgotos e reluzem na ostentação desabrida.
E os expedientes são um escárnio: patrocínios, bocas-livres nababescas no exterior, esposas, filhos e parentes embutidos em escritórios de advocacia pagos a peso de ouro para defender réus bilionários em tribunais superiores – alguns contratos são tão generalistas que podem até entubar manjubinha frita no forno da Pizzaria Brasil.
O escárnio mais reluzente até agora – nesta terra em que tudo se dá nunca se sabe o dia de amanhã – é reincidente: um mesmo togado que dispensou multa bilionária de um cliente da agora ex-mulher, decretou sigilo sepulcral em favor de outro depois de, por pura coincidência, participar de um voo de jatinho da alegria palmeirense – alegria que durou somente até o Flamengo apresentar seu jogo no Peru e levantar o tetra da Libertadores. Vá lá, alguém pode enxergar uma corrente de apoio para quer tia Leila fique calma, ainda mais agora que ventos suspeitos de fraudes da CPMI do INSS podem soprar no banquinho dela.
Ao mesmo tempo em que uma andorinha solitária não consegue emplacar sua data venia no código de conduta das outras incelenças de preto, no outro lado da Praça dos Três Podreres (linguagem neutre) as incelenças eleitas só caçam níqueis e fingem que nada demais aconteceu com os coleguinhas fujões do bananal bananeiro. Ao que tudo indica, jatinhos continuarão esvoaçando togas e gravatas nos ares urbi et orbi, tendo Brasília como hangar, e pousos e decolagens seguirão livres de freios de arrumação.
No Executivo, o fedor do patife-mor et caterva sobre os números de Petrobras, Banco do Brasil (inclusive Previ) e Correios remete ao lamaçal mensalão + petrolão. É apenas a firma reconhecida da vocação dos petralhas e a continuação do fluxo de esgoto no Palhaço do Planalto após a imundície deixada pelo soldador e seu pelotão fardado.
A questão do Executivo é complexa porque, diante da menor crítica, os rebanhos enlouquecem espalhando narrativas de defesa para seus capatazes, sempre apontando os dedinhos melados de esterco para o curral do outro lado do pasto. Pior, acreditam nas versões amestradas produzidas em laboratórios de narrativas, mas param de mugir diante de uma pergunta simples: que empresa contrataria esses insignificantes como CEOs? Ou alguém já esqueceu daquela outra que conseguiu quebrar uma lojinha de R$ 1,99?
Se a direita bronca não se envergonha de bater continência para pneus, tentar contato com ETs e pedir um golpe militar para salvar a democracia, a esquerdinha caviar-festiva constrange o circo com suas “viúvas” posando com aquele ar de intelequitual que finge não enxergar a roubalheira no seu próprio mar de lama, mas avista uma realidade paralela doentia e vive nela. Essa gente da militância veste um colete fajuto onde mandou imprimir “Guardiães das Virtudes”, no melhor estilo flanelinha que acredita ser engenheiro de tráfego.
Estes últimos dias de 2025 revelam que estão sumindo as boias de salvação dessa água imunda que começa a subir pelas nossas canelas, e que a corredeira não vai desaguar no precipício final da Terra plana para desaparecer por encanto negacionista. Há até quem jure ter visto disco voador sobrevoando Copacabana com uma faixa publicitária onde se lia “Em terra de rabo preso todo papangu vira rei”.
Vatti Catar não é jornalista árabe. É uma imprecação.
Bolsonaro deu entrada no pedido do benefício depois que o PL cortou o seu salário de R$ 46 mil, como Aspone.
O ex-presidente receberá o Bolsa Família de sua própria família.
Flávio Bolsonaro já abriu uma nova franquia de chocolates para garantir o leitinho condensado do papai.
Com Bolsonaro fora do páreo, a direita se movimenta para lançar seus candidatos.
Mas não há unanimidade.
Flávio já se lançou, mas sem consenso.
E sua candidatura já nasce com um racha.
Ou melhor: uma rachadinha.
A notícia da perda de renda de Bolsonaro veio junto com a do aumento da renda do brasileiro.
Um aumento de 5%.
O ex-presidente planeja aumentar seus rendimentos fazendo trabalhos manuais na cadeia.
Por isso, ele já se matriculou num curso de solda à distância.
Por via das dúvidas, a PF reforçou as barras da cela.
Com informações do Jornal Sensacionalista
A 13ª lista de bilionários brasileiros da revista Forbes, divulgada ontem, tem 31 estreantes, e o retorno de um dos mais assíduos.
Bibica Di Barreira (foto), caicoense fundador e presidente do Conselho de Administração da Ryfs Corporation - uma das gigantes do entretenimento online - voltou ao ranking depois do tarifaço imposto pelo governo do Estados Unidos.
Os negócios da Ryfs aumentaram de forma exponencial, graças à procura pelos jogos da empresa por outros países, também afetados pelo tarifaço.
Bibica Di Barreira voltou ao ranking na 5ª posição entre os brasileiros mais endinheirados, com uma fortuna estimada em R$ 4,2 bilhões.
Em geral, os "novatos" são executivos ou herdeiros.
O ranking de 2025 da Forbes reúne, ao todo, 300 brasileiros com fortuna de R$ 1 bilhão ou mais.
O mais rico é Eduardo Saverin: ele lidera o seleto grupo pelo segundo ano consecutivo.
Só neste ano a fortuna dele cresceu 45,5%, para R$ 227 bilhões.
Já o novato mais rico da lista é Max Van Hoegaerden Herrmann Telles, filho mais novo do bilionário Marcel Herrmann Telles.
Segundo a Forbes, ele está assumindo a participação do pai na AB InBev, a maior cervejaria do mundo, proprietária da Ambev.
O resumo é que o réu passou o tempo todo se lamuriando pela derrota eleitoral, mas em momento algum duvidou da legitimidade ou afirmou que a eleição foi fraudada. Mantendo a costumeira linguagem de botequim, declarou textualmente “tivemos que entubar o resultado das eleições”. Fez politicagem, se vangloriou, atacou Lula e adotou o papel de coitadinho que deixou a praia do Rio pelo “espinho” de subir o planalto para assumir a Presidência.
Talvez começando a entender o tamanho do problema que criou para si mesmo, em diversos momentos tentou culpar o próprio temperamento, a ponto de dizer que “tem se esforçado para melhorar”. Pediu para não ser condenado e que Deus iluminasse os votos de todos os juízes que o julgarão. Vexatório! A cara dos advogados deu o tom da preocupação sobre o futuro.
Houve um momento de grande constrangimento quando reconheceu que fez acusações levianas sobre propinas a três ministros do Supremo (Barroso, Moraes e Fachin). Afirmou que não tinha provas, que foram bravatas, chamou à cena o “temperamento” mais uma vez e pediu desculpas públicas aos três.
Outro enorme constrangimento se deu quando reconheceu que pode ter exagerado nas críticas às urnas eletrônicas, que estava apenas alertando sobre problemas de fraude que poderiam ocorrer “no futuro”, pois “nenhum sistema computacional está livre de invasões”, que pode estar imune hoje, mas ser invadido e fraudado no futuro. De quebra, defendeu as eleições paraguaias e venezuelanas.
Mais um constrangimento foi reconhecer que o relatório da comissão de militares não apontou qualquer irregularidade sobre o sistema das urnas eletrônicas e negou pressão (de que é acusado) para mudar o resultado do relatório e postergar a divulgação para depois do 2º turno das eleições.
Mais um constrangimento ocorreu quando interrogado sobre a minuta do golpe e reconheceu que eram apenas “ilações”, “considerandos”, “conversas informais”, que o material foi mostrado numa tela aos comandantes militares e que não fez os enxugamentos (de que é acusado) no texto original.
Em muitos momentos delicados, repetiu o “modelo Lula”: não sabia de nada, não viu, não foi informado. Ou seja, é legítimo supor que presidentes não governam o país, não têm autoridade, todo mundo faz o que quer em Brasília.
Confirmou a reunião com Zambelli e o hacker Delgatti e disse ter encaminhado o rapaz para o Ministério da Defesa e “não soube de mais nada”. Ou seja, ao invés de mandar prender um sujeito que prometia invadir o sistema eleitoral do país que supostamente governava, mandou-o apresentar o “projeto” ao ministério. E finalmente lançou a deputada fujona aos tubarões ao confirmar a reunião.
Não lembra de ter telefonado para o general Heleno retornar às pressas a Brasília. Ou seja, deixou no ar a impressão de que o milico de pijama – sentado logo atrás com cara de paisagem – está fora de órbita, pois deixou a festa do neto e pediu carona ao minstro da Aeronáutica (leia-se jatinho da FAB) para atender o chamado.
O pior momento de todos: convidou o ministro para a viagem política que pretende fazer nos próximos dias “se o senhor autorizar”. Depois de levar um elegante “declino” pela testa, rastejou ainda mais: convidou Alexandre de Moraes para ser vice dele na eleição de 2026. I-NA-CRE-DI-TÁ-VEL!!!
Um degradante pedido de penico ao “inimigo” em rede nacional, com vergonhosa bajulação. Algo que pode ser lido como “estou apavorado!”. Imediatamente, a militância entrou em parafuso e se dividiu. A banda mais bronca achou tudo muito engraçado, que o sujeito deu um show no depoimento e ainda tirou onda nos dois convites surreais ao ministro. A banda que acreditava fazer parte da salvação do mundo foi tomada por um sentimento difuso de vergonha e revolta ao perceber que apenas fazia parte do bloco dos bobos alegres, já que o próprio Bolsonaro rasgou a fantasia de “vilão” e de “inimigo número 1” que havia sido desenhada para Alexandre de Moraes.
O procurador-geral Gonet chamou o réu apenas de “senhor Bolsonaro”, sem jamais citar o último cargo, evitando o ridículo vício oficializado pela liturgia bajulatória nacional.
Ao fim do depoimento do réu, o resumo da ópera parece um apito agudo de um trem desgovernado e rumando para o abismo. Em resumo, o imbrochável... brochou!
*Goya Bada não é jornalista. É um doce.