O título deste artigo é também o título do livro de minha autoria publicado pela Universidade FEEVALE, de Novo Hamburgo, em 2002 e ora esgotado. Em capítulos de fácil leitura, de acordo com os interesses de leitores que querem uma visão ampla, mas sucinta, do maior movimento revolucionário brasileiro, ao seu tempo, capaz de lutar e resistir ao Império do Brasil por dez anos. O IBGE calcula a população do Brasil em 1835 em quase 6 milhões de habitantes. A população negra estima-se em 30% deste total. Em 1872 a população total do Rio Grande do Sul era de 450 mil habitantes, dos quais 150 mil eram negros: 65 mil ainda escravizados e 85 mil livres.
PORONGOS - Presentes desde a Batalha do Seival, os negros farroupilhas foram sempre fator importantíssimo do exército farroupilha. Calculam em torno de trinta 30% de suas forças. Divididos em duas colunas de cerca de 400 homens cada uma, comandadas por oficiais brancos, a mais famosa foi o 1º. Corpo de Lanceiros Negros, comandada pelo coronel Teixeira Nunes. Em 14 de novembro de 1844, quando já se tratava da paz entre os republicanos e os imperais, aconteceu o ataque de surpresa dos últimos ao acampamento dos Lanceiros, desarmados, em Porongos, no hoje município de Pinheiro Machado. Foram mortos 100 lanceiros e 300 aprisionados, entre negros, brancos e oficiais.
O responsável: Davi Canabarro, comandante em chefe farroupilha dos acampamentos na região de Porongos. Até hoje os historiadores se dividem entre duas teses: foi traição de Canabarro ou surpresa imperial? Para as duas teses há historiadores importantes defendendo-as. Porongos registrou com mais sangue a história dos Lanceiros. Soldados gaúchos da liberdade e da igualdade. Do primeiro ao último combate dos Farroupilhas.
Promotor de Justiça aposentado
ivar4hartmann@gmail.com


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