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quarta-feira, 6 de março de 2019
terça-feira, 5 de março de 2019
Dois ministros, duas pisadas de bola
Ivar Hartmann
Com a melhor das intenções, dois ministros alheios à política, tomaram providências erradas e pisaram na bola. Primeiro foi o Ministro da Educação. Querendo fazer valer a lei que determina para as escolas do ensino fundamental, públicas ou privadas, a execução, semanalmente, por alunos e mestres do Hino Nacional, decerto sabendo que isso não ocorre, pediu que fossem filmados estes atos cívicos por todo Brasil. Terminou o texto com o lema de campanha do Bolsonaro. Dois erros de que o Ministro não se tinha dado conta. Ao contrário do petista-comunista Haddad que nunca se desculpou pela cartilha de sexo infantil que pretendia implantar nas escolas, ele logo pediu desculpas. Primeiro: não há como filmar professores e alunos em um vídeo que será difundido publicamente, sem a autorização dos filmados. Segundo: não se usa uma frase publicitária, pertencente a uma facção política, em órgão público. Se o objetivo é fiscalizar se o hino nacional está sendo executado semanalmente nas escolas do ensino fundamental do Brasil, o que qualquer brasileiro duvida, é se empenhar no exigir e colocar a fiscalização nas escolas.
O Ministro Moro também criou confusão sem necessidade, nomeando uma esquerdista. O governo é de direita e contra a esquerda. Os governos anteriores eram de esquerda contra a direita. Se o governo atual é da direita e se elegeu para governar, deve-se partir do pressuposto que tenha quadros tão capazes quanto os da esquerda. O atual Ministro da Educação tem uma biografia muito mais rica que qualquer dos ministros da educação da era petista-comunista. Basta olhar no Google. Então o Moro não tinha necessidade nem poderia nomear quem fez campanha contra o Bolsonaro e tem idéias da outra facção. Por mais competente que ela seja, tem outra igual de competente, mas que deve ser escolhida porque é da direita. É assim que funcionam os governos. Nem o Maduro nem o Castro dão cargos para adversários.
Com a melhor das intenções, dois ministros alheios à política, tomaram providências erradas e pisaram na bola. Primeiro foi o Ministro da Educação. Querendo fazer valer a lei que determina para as escolas do ensino fundamental, públicas ou privadas, a execução, semanalmente, por alunos e mestres do Hino Nacional, decerto sabendo que isso não ocorre, pediu que fossem filmados estes atos cívicos por todo Brasil. Terminou o texto com o lema de campanha do Bolsonaro. Dois erros de que o Ministro não se tinha dado conta. Ao contrário do petista-comunista Haddad que nunca se desculpou pela cartilha de sexo infantil que pretendia implantar nas escolas, ele logo pediu desculpas. Primeiro: não há como filmar professores e alunos em um vídeo que será difundido publicamente, sem a autorização dos filmados. Segundo: não se usa uma frase publicitária, pertencente a uma facção política, em órgão público. Se o objetivo é fiscalizar se o hino nacional está sendo executado semanalmente nas escolas do ensino fundamental do Brasil, o que qualquer brasileiro duvida, é se empenhar no exigir e colocar a fiscalização nas escolas.
O Ministro Moro também criou confusão sem necessidade, nomeando uma esquerdista. O governo é de direita e contra a esquerda. Os governos anteriores eram de esquerda contra a direita. Se o governo atual é da direita e se elegeu para governar, deve-se partir do pressuposto que tenha quadros tão capazes quanto os da esquerda. O atual Ministro da Educação tem uma biografia muito mais rica que qualquer dos ministros da educação da era petista-comunista. Basta olhar no Google. Então o Moro não tinha necessidade nem poderia nomear quem fez campanha contra o Bolsonaro e tem idéias da outra facção. Por mais competente que ela seja, tem outra igual de competente, mas que deve ser escolhida porque é da direita. É assim que funcionam os governos. Nem o Maduro nem o Castro dão cargos para adversários.
Sossegue coração
Paulo Leminsky
Sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora
calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa.
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora
calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa.
segunda-feira, 4 de março de 2019
Tema
Eunice Arruda
Deliberadamente
utilizamos
todas as zonas erógenas
submissos
aos animais
que transitavam a pele
submissos
a nossa disponibilidade
imerecida
sacudida
por buzinas
chuvas repentinas confundindo
as marcas de um caminho já
percorrido
Deliberadamente
entre suor e grunhido
molhado
o ritual foi cumprido
Só então nos devolvemos.
todas as zonas erógenas
submissos
aos animais
que transitavam a pele
submissos
a nossa disponibilidade
imerecida
sacudida
por buzinas
chuvas repentinas confundindo
as marcas de um caminho já
percorrido
Deliberadamente
entre suor e grunhido
molhado
o ritual foi cumprido
Só então nos devolvemos.
domingo, 3 de março de 2019
Um folião
Ciduca Barros
Meu pai adorava um carnaval e era um grande folião.
Aliás, para quem vivia o ano todo numa constante alegria, o carnaval servia apenas para tornar mais intensa a sua folia.
Por ocasião dos festejos momescos, ninguém contasse com ele para nada.
Lembro-me de que, certa época, a sua situação financeira não andava bem das pernas, quando chegou o carnaval.
Na sexta-feira à noite, ele começou seus preparativos para os dias de troça.
A minha mãe, uma real conhecedora do seu aperto financeiro, vendo os seus preparativos, perguntou:
– Você vai brincar o carnaval, Manoel?
– Vou sim, Chiquinha. E por que não?
– E as contas que você tem pra pagar? – ela perguntou, com surpresa,
E ele deu uma resposta que retratou bem a sua índole relaxada e que eu jamais a esqueci:
– Até Quarta-feira de Cinzas é feriado, mulher! Os bancos e os cartórios estão fechados.
E perguntou, sorrindo muito:
– Como meus títulos serão protestados?
Dado à pândega, como ele sempre foi, fundou uma escola de samba (Unidos na Folia) e no carnaval gostava de se disfarçar de mulher.
Foi, durante vários carnavais, a esposa do Zé Pereira (quem não se lembra do Bloco do Zé Pereira, que desfilava na madrugada do sábado de carnaval?).
Nas suas inúmeras viagens a São Paulo, ele comprou todos os apetrechos para a sua fantasia: tranças compridas, seios postiços, sapatos altos (tamanho 41) e outras peças da indumentária feminina.
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| Manoel de Neném, o presepeiro |
Ele era um homem alto (1,76 metros), moreno e pesado (tinha 120 quilos), portanto ficava uma volumosa mulata.
Certo carnaval, a sua escola de samba “assaltou” (quem não se lembra dos assaltos carnavalescos?) a casa do senhor Manoel Torres de Araújo, comerciante de renome em Caicó, que foi duas vezes prefeito municipal e quatro vezes deputado estadual, exemplo de político íntegro, recentemente falecido e que era muito amigo dele.
No momento do assalto, o senhor Paulino Torres, o patriarca da família Torres, na ocasião um homem com mais de 80 anos, estava na casa do filho.
O meu pai, devidamente travestido de mulher e, naturalmente, disfarçando a voz, fez uma festa com o velho Paulino Torres e o encheu de carinhos: abraçou-o, beijou-lhe a cabeça, sentou no seu colo.
Quando o bloco partiu, o velho demonstrando que havia gostado daquelas carícias femininas, perguntou ao seu filho:
– Manoel, quem era aquela morena tão fogosa?
– Era Manoel de Neném vestido de mulher, papai.
O velho Paulino Torres, rapidamente, mudou o semblante de felicidade para revolta e bradou:
– Vou mandar matar aquele negro fela da puta!
Escritor e colaborador do Bar de Ferreirinha
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