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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Diarreias mentais - CXII


Faltou gramática

Aquele cara era vereador numa Câmara Municipal de um município interiorano qualquer. 
Assim como todos os edis, ele era politicamente ligado a um determinado deputado federal lá da sua região. 
O vereador era mais grosso do que papel de enrolar prego e o seu mentor, o deputado federal, um homem culto, educado e conciliador. 
Com uma dupla heterogênea assim, não precisa nem dizer que o deputado vivia de apagar os incêndios causados pelo rude vereador. 
Certa feita, o deputado federal estava no paraíso lá de Brasília (DF), quando recebeu um telefonema lá da sua terra, de um dos seus cabos eleitorais, informando-o de que o rude edil, mais uma vez, havia aprontado.
– O que aconteceu cabo eleitoral?
– O Vereador Grossura, ontem à noite, pegou uma briga na seção da Câmara, o pau rolou solto e até os móveis voaram pela janela!
E como sempre, o deputado ligou para o vereador:
– Grossura! O que houve?
– Nada não, doutor! Uma briguinha boba!
– Boba como, homem? Me disseram que quase houve morte!
Daí venho a explicação no estilo parlamentar:
– Deputado! O senhor me conhece. Sabe que eu sou homem calmo, educado e que sei ser vereador. 
E continuou contando a sua versão:
– Ontem eu fui para a tribuna e levantei uma questão política na base da gramática. Só na gramática! Aí, a oposição começou a me aporrinhar, aporrinhar... 
– E daí criatura de Deus? – indagou o “hómi” de Brasília.
E o ilustre vereador, demonstrando toda a sua rudeza, respondeu:
– Daí faltou a gramática e eu saí na porrada!

Ciduca Barros é escritor e colaborador do Bar de Ferreirinha

Saciedade

ALICE RUIZ 


Só pedaços do mesmo tamanho
ficam prontos ao mesmo tempo,
sejam nacos ou migalhas.

A força para sacudir a panela
depende do que se põe nela
às vezes ao fogo brando
às vezes na fornalha.

Os crepes pedem paciência
as panquecas agilidade.
Cada receita pede
um gesto mais suave
ou mais grosseiro
conforme seu tempero.


Assim também se prepara
o gosto dos dias
o sabor das noites
até a saciedade.

Agora feda



Dica


                  A menor das boas ações
                     é melhor que a maior
                      das boas intenções.
                       


Eleições 2018




Merda é comida chique no Japão



Novo tratamento



Dentadas

"O MUNDO COMEÇOU SEM
O HOMEM.E ACABARÁ SEM
ELE."
CACO DENTÃO 



Tirando sarro



terça-feira, 4 de setembro de 2018

Minha dívida com o Paixão

Ivar Hartmann

Todo gaúcho tem uma dívida com Paixão Côrtes. Impagável agora que morreu. Dezenas de músicas recolhidas de nosso folclore no século passado e quando ainda o era possível fazer. Livros que ensinam o bê-á-bá da tradição e de nossas danças. Centenas de Centros de Tradição Gaúcha espalhados pelo Brasil. Centenas de moços e moças ligados pela tradição gaúcha, que anualmente disputam os gigantescos festivais da ENART depois de concorridas pré-seleções. Milhares de bailes tradicionalistas semanais realizados ao som da música nativa. Centenas de milhares de gaúchos que durante o ano, por hábito, frequentam os CTGs onde são associados, em busca de diversão sadia e amizade fraterna. Mais importante ainda quando a moderna psicologia diz que confraternizar é fundamental para a saúde mental. Os CTGs são a maior essência disso, dedicados à música, dança, leitura, ao baile e a reunião social. E a quantidade de músicos e lojas que fornecem a infraestrutura para estas atividades? Impossível mensurar o valor destas atividades para o Brasil. Originada em uns piás do interior do Rio Grande, que encilharam cavalos emprestados e vestiram-se da forma gauchesca possível, naquela Porto Alegre antiga, para lembrar a Revolução Farroupilha. Nem eles imaginavam o grandioso resultado.
Deve ter sido um acontecimento. Para os piás e para os transeuntes que os miravam. Além dos atrapalhos que certamente causaram ao trânsito. Buenas. O último a se despedir desta querência para ir para a querência eterna, como gostam de dizer os tradicionalistas, foi o Paixão Côrtes. Bigodão, com longas suíças também brancas, igual ao avô dos contos de Papai Noel. Ele e tantos historiadores, poetas e pesquisadores rio-grandenses, ao longo das décadas, sedimentaram a cultura gaúcha. Mas o despertar foi lá. Pelo amor a esta terra, que une os corações das gentes de origem portuguesa, alemã, italiana, africana, e tantas outras, que fizeram da terra dos índios, também a sua terra. Movimento como este do tradicionalismo não tem similar no Brasil. Algumas coisas que são comuns a maioria dos gaúchos, como tomar chimarrão e gostar de fazer ou comer churrasco, a par das milhares de famílias alemãs e italianas, que trouxeram músicas de acordes rápidos, parecidas com  as músicas trazidas pelos portugueses, certamente auxiliou a difusão do gauchismo que une brasileiros de norte a sul do país.

ivar4hartmann@gmail.com

O arengueiro


A vida familiar de Jonas não era nada tranquila. Primeiro, porque ele não tinha mais família. Era só no mundo. Segundo, porque, se tivesse família, teria inventado muitos motivos para se desentender com cada membro dela. Por temperamento e formação, Jonas era bem brigão.
Sendo assim sozinho e brigão, ele se tornou mal visto por todos os vizinhos. Isso logo se tornou insustentável e ele teve seguidos entreveros com eles — por qualquer coisa tinha briga. Como esses vizinhos também tinham outros vizinhos, a notícia das brigas logo se espalhou e eles foram tirar satisfações com Jonas. Dessa maneira, as porfias foram se estendendo por todo o quarteirão, depois pelo bairro, por outros bairros e, por fim, pela cidade inteira.
Jonas conseguiu dar larga vazão ao seu temperamento desequilibrado e ficar ainda mais só.
Com a cidade contra, Jonas resolveu se mudar para a cidade vizinha e, uma vez lá, sentiu logo que sua fama o precedera. Foi encarado por diversas pessoas e isso se transformou em séria rixa. As discussões acaloradas chamaram a atenção de outros e mais outros moradores. Todos se envolveram nas pendengas e exigiram o afastamento de Jonas. Ele fazia pé-firme e enfrentava todos.
Assim, Jonas foi indo de cidade em cidade e depois para outros estados — sem deixar de percorrer todas as cidades de cada um — provocando a ira dos moradores e ficando cada vez mais só.
Por fim, contabilizou cento e oitenta milhões de inimigos no país. Sem outra saída, tentou tirar passaporte para deixar o país. Por costume arrumou encrenca devido às exigências para fazer o documento. Sem poder sair do país, ele voltou para sua cidade natal — para a mesma casa no mesmo bairro. O bairro havia crescido e abrigava muitos novos moradores. Logo que chegou, ele se desentendeu com o síndico de um prédio novo por causa das crianças que brincavam e faziam algazarra no parquinho.


Agora feda



Fato

corrupcao


Sem provas não vale

conviccao


Questões questionáveis

 Tânia Meinerz
Dois coitos interrompidos perfazem um
coito completo?
Quantos iletrados são precisos pra compor
um acadêmico?
Três terços formam um trio de rosários
ou um terção?
Nos mapas em escala, dá pra escalar uma
montanha mapeada?
Um ato extraordinário vale quanto em
ações ordinárias?
Se uma grosa são doze dúzias, dá pra
quantificar uma glosa?
Quantas periferias cabem num perímetro
sem parâmetro?
Quando o número do sapato é ímpar,
o par continua par?
Assim como o açafrão, o cifrão pode
ser fracionado?

Eleições 2018

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