Alisando Cresci*
Quando o jeitoso perde o jeito e acredita que pode dar jeito, está nu como o trambiqueiro em plena trambicagem
Deu no jornal que Jaques Wagner fez sua entrada triunfal no lamaçal do Banco Master, depois que a PF finalmente trombou com mais um segredo de liquidificador que zumbia há tempos nos ares de Brasília a respeito das estrepolias do petralhismo baiano com a turma de Daniel Vorcaro. Sob a óptica da PF, corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro
Na verdade, o nobre senador da Bahia é cliente seminal do Banco Master e dos favores vadios de Vorcaro, uma espécie de sócio-fundador da “Bancada do Master”. Como de praxe, jatinho para lá e para cá, mas isso nem conta, como defende Hugo Marmotta, outro que, como Wagner, é useiro e vezeiro do 0800 das asas alheias.
Voltando ao acarajé putrefato, Wagner está na raiz das patifarias do Master a partir do negócio da venda do supermercado Cesta do Povo, uma estrovenga montada pelo governo estadual baiano, que depois de mudar de dono virou o cartão de crédito consignado Credcesta e se transformou no maior negócio do império vorcariano.
Wagner também foi defensor da compra do Master pelo BRB, da “Emenda Master” de Ciro Nogueira e do aumento dos limites para empréstimos consignados no Credcesta. Segundo a PF, teria recebido R$ 3,5 milhões por essa “prestação de serviços”. E o nobre senador avança nos alfarrábios eletrônicos do banqueiro trambiqueiro, num provável butim que junta ainda um apartamento no valor de R$ 2,4 milhões. Na rubrica “gorjetinhas”, ingressos de camarote para shows de Taylor Swift (em São Paulo e Los Angeles) que custaram R$ 63 mil, os onipresentes relógios de luxo (13 exemplares), dólares (US$ 55 mil) e euros (€ 33 mil). Aliás, o político baiano nascido em Niterói é sistemático com as horas, já havia recebido um belo roscofe da Odebrecht nos idos da Lava Jato, mas garantiu que nunca usou o mimo!
Homem de família, o nobre senador também ficou felicíssimo quando o Banco Master firmou um daqueles mágicos contratos de consultoria com sua nora Bonnie Bonilha, que se apresenta ao mercado como “artista floral e terapeuta energética”. Diante dos pagamentos totais de cerca de R$ 11 milhões, feitos por meio de intermediários, não resta qualquer dúvida de que florais e terapia elétrica estão em alta no ranking dos ótimos negócios!
A piada pronta está numa matéria de O Globo: “Wagner vinha classificando o escândalo do Banco Master como uma ‘trambicagem’”. Agora, temos nas telonas e telinhas eleitorais duas trambicagens: o Black Horse de um lado e o Black Acarajé do outro. Comprem seus ingressos.
A maior ironia é assistir de camarote lulistas e bolsonaristas unidos numa mesma rede de cafajestagem, com os dois rebanhos aproveitando o clima de Copa do Mundo para gritar “gol” festejando a patifaria do outro lado. Idiotas completos, sequer se dão conta de que estão atolados na mesma lama, seguem defendendo seus bandidos de estimação como se houvesse um lado limpo na bosta. E o país constata que a descarga continua quebrada.
Como diz o meme da cartomante, “Menino, tu ainda vai ver coisa!”. Estamos vendo, faz tempo!
*Alisando Cresci não é jornalista. É especialista em beiradas alheias.

Nenhum comentário:
Postar um comentário