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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Nossos corpos

Noel Ferreira

Nossos corpos
se cruzam e descruzam
como serpentes
cálidas
se enroscam
e se apertam
atarracham
num crescendo
sem limite.

Há gemidos delirantes
há percussões arrítmicas
respirações ofegantes
empastadas em suor
até ao êxtase
e ao torpor.

Não há discurso
erótico
que resista
à mudez
desta nudez
tumultuosamente
sinfônica.

Notícia que fortalece o Bolsa Família

Sandy é cercada por fãs ao comprar
material  escolar do filho.
Sandy é cercada por fãs ao comprar material escolar do filho (reprodução / instagram)


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Diarreias mentais - XLV


Qual o pior lugar para se estar? 

Há uma crônica da excelente jornalista e escritora gaúcha, com um pé no Seridó, Martha Medeiros, cujo título é Qual o melhor lugar para se estar?
No texto ela elenca uma série de lugares gostosos para alguém ficar e finaliza dizendo: “o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço”. 
Vocês discordariam dessa assertiva da escritora gaúcho? 
Nada melhor do que estarmos envolvidos pelos braços de quem amamos.
Tomamos emprestado o tema de Martha Medeiros para também perguntar “qual o pior lugar para se estar?”. 
Existe lugar pior que a sala de espera de uma clínica médica?
Deve haver centenas deles, mas gostaríamos de inscrever mais um: a sala de espera de uma clínica médica.
Ficamos ali, segurando uma ruma de resultados de exames clínicos (às vezes, até com resultados nebulosos), com aquela parte da nossa anatomia que “não passa um cabelo”, sentados em cadeiras desconfortáveis (vocês já observaram como os assentos das cadeiras das clínicas, até de Ortopedia, não são anatômicas?), com um aparelho de tevê (mormente com uma péssima imagem) ligado num determinado canal onde somos obrigados a assistir “Vale a pena ver de novo”.
Agora vem o pior do pior lugar para se estar. 
Em nosso entorno, uma gama de pessoas conversando sobre os seus males físicos, parecendo uma disputa para ver quem está mais doente. 
Alguns chegam a mostrar cicatrizes de cirurgias e encaram, seriamente, o campeonato “minha mazela dói mais do que a sua”.
Somamos tudo isto ao crônico atraso dos senhores e senhoras profissionais de medicina para, mais uma vez, perguntarmos: existe um lugar mais desagradável para se estar?

Ciduca Barros é escritor e colaborador do Bar de Ferreirinha

Sonhos



Dentadas

" O uso de animais para estudar doenças e testar
drogas é um grande erro."
                                         CACO DENTÃO
             

Livre de agrotóxicos

Parceria gera mais de mil empregos em Ipueira

EMPRESA NO SERTÃO
Está sendo implantada uma das maiores jazidas de ferro do Brasil, na cidade de Ipueira. 
A informação foi confirmada pelo proprietário da terra, onde será explorado o minério, o empresário Toinho de Aníbal.
Segundo ele, todos os equipamentos para a implantação da jazida, já estão em Ipueira, de onde uma força tarefa será feita para transportar todo o material para a fazenda.
O projeto é um investimento da empresa TOTOCA TUR e Promac S/A (chinesa), donas da concessão, que terá o tempo de exploração por 45 anos, concedidos pela União, gerando 1.100 empregos diretos, com investimento de USS$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de dólares), nos equipamentos considerados os mais modernos do mundo.

Calorias

Imagem relacionada


Entrega

Camila Cintra

Um beijo desce pelo corpo
passeia pelas pernas
beijando cada dedinho do pé
sobe pelas curvas das ancas
deslizando no meio das nádegas
serpenteando pelas costas acima
até atingir a nuca
afastar teus cabelos
tornear tuas orelhas
buscando teus lábios abertos.

Encontro de línguas em fogo
e mãos que descem aos seios
teus mamilos em minha boca
teu arfar em meu coração
minha alma em teus braços.

No meio de tuas pernas
o cheiro perfumado do prazer
atrai meu encaixe que busca
tua entrada que acolhe
sem pensar em mais nada...

O banho do bode



João Damásio fez o melhor show da Festa de Santana

Damásio enloqueceu mais de
15 mil fãs no show da Festa
Nunca se viu tanta paixão de uma cidade por um cantor, mas Caicó, voltou a confirmar esse amor, que parece eterno.
Mesmo com programação gratuita na Ilha de Sant’Ana, João Damásio conseguiu arrastar mais de 15 mil pessoas em seu show no Bar dos Doidos, no centro de Caicó.
Foi um verdadeiro “pipoco de trovão” a apresentação do artista caicoense, que se estendeu até ás 7 horas da manhã do domingo, com o espaço completamente lotado.
O amor de Caicó também é recíproco pelo cantor, que nunca deixa de contar as coisas boas da cidade e sua gastronomia, por esse Brasil a fora.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Menina com boneca

Ivar Hartmann

Com uns sete anos, a menina atravessava tranquila a rua, segura da mão do pai, em direção ao supermercado. Cabelos compridos, sem traços marcantes, vestido e blusa simples, apenas uma criança atravessando uma rua, descansada pela mão protetora do seu primeiro amigo. O que chamou a atenção foi sua boneca. Não destas bonecas loiras, desmilinguidas, estilizadas, que os americanos disseminaram pelo mundo, com roupas, sapatos, enfeites coloridos. Capazes de tornar o tão simples ato de brincar com uma boneca, uma prova de ostentação, concorrência e “far niente”. A menina que atravessava a rua em seus trajes simples levava nas mãos uma boneca de verdade, de menina e não de prateleira. De uns trinta centímetros de altura, com membros robustos e dedinhos gordos. Com o acabamento natural de qualquer boneca que se preze. As faces coradas, os olhos risonhos e a boca semiaberta: vá que tenha fome ou sono e precise de bico? Como estamos no inverno, é lógico que sua pequena dona tenha previsto o necessário para não pegar um resfriado. Estava, pois parcialmente coberta por uma manta. Provavelmente tomada emprestada dos bisavós da boneca. Porque, se hoje as pessoas tratam seus cães de estimação como filhos, natural que eles tenham avós. Com mais direito tenha bisavós uma boneca indefesa, que só pode se defender chorando. Por outro lado se via que a bonequinha devia ser motivos de mil carinhos e acompanhante de mil sonhos de sua dona: seus cabelos já demonstravam o passar do tempo.
No andar da menina, na forma do segurar sua boneca, parecia refletir-se o mesmo cuidado que ela sentia quando sua outra mãe e bracinho estavam subordinados à mão do pai. Trazia a bonequinha deitada, com o corpo protegido contra o peito. A cabeça aparecia ao alto, mas, da cintura para baixo, a manta cobria-a inteiramente e a mãozinha da menina segurava-a como um bem precioso. Não ouvi o que a criança dizia ao pai, com a fisionomia alegre de vida feliz. Quero contar que com todos estes movimentos feministas, desemprego, baixos salários, brigas familiares, televisão possessiva, animais domésticos que fazem às vezes de filhos, nem me fixava que ainda havia bonecas no Brasil. Pensei que uma grande faxina, patrocinada pela Rede Globo e pelos pets tinham eliminado o produto, agora peça de museus. E, de repente, lá vem a menininha, feliz, com um tesouro em cada mão. Lindo.
ivar4hartmann@gmail.com

A pintura impressionista de Renoir



Lero de babaca

Oi você é solteira?
Sou sim.
Gostei de tu,tem filhos?
Tenho 3.
Qual a idade deles.
Você quer me comer ou
me cadastrar no bolsa
família?

Maridão româtico

Transformar

Nós filósofos não temos a liberdade de separar entre
alma e corpo, como faz o povo, e ainda menos liberdade
temos de separar entre alma e espírito. Não somos
rãs pensantes, nem aparelhos registradores com
entranhas frigorificadas; devemos parir
constantemente os nossos pensamentos na dor e
dar-lhes maternalmente tudo aquilo que temos de
sangue, coração, fogo, prazer, paixão, tormento,
consciência, destino, fatalidade. Viver…, é para
nós constantemente, transformar em luz e chama tudo
aquilo que somos e também tudo aquilo que nos toca;
não podemos fazer de outra maneira.”

Friedrich Nietzsche

TV!



Galope

Artur Gomes

Com espada
em riste
galopamos
pradarias
e lutamos
ferozmente
por dois segundos
e meio
tua fúria era louca
que agarrei-me
em tuas crinas
pra não cair na lama
mas o amor era tanto
e tanto era o prazer
que quando fomos pra cama
não tinha mais o que fazer.

A intenção foi boa



Lero de piranha

Eu posso não ter dinheiro como meu
amigo Tacinho, mas eu te amo.
Ela diz baixinho no ouvido dele.
Me apresenta ao Tacinho.