Minha mãe morava em Ivoti. Votava em Novo Hamburgo. Apenas 13 quilômetros. Poucos. Mas ela tinha 95 anos. Saudável e lúcida. De tanto ler a Bíblia. Para ela, o jornal diário. Eu a trazia até sua urna no Colégio 25 de Julho, e os mesários já a conheciam, de aparecer a cada 2 anos. Longe de ser tratada com a cortesia que devemos aos idosos, ela era recebida com carinho e sorrisos. Alguns dos responsáveis levantavam-se para cumprimentá-la. Em suma, um sucesso. Deveria querer eleições todo ano, face aos desvelos dos ocupantes da mesa.
Daqui há horas, abrem-se de novo as urnas. Muito mais importante do que saber se somos da esquerda, centro ou direita, é votar. Até votar em branco, ou anular o voto, que, não obstante o que pedem os partidos políticos, também é uma forma do eleitor se manifestar. O desagrado também é uma forma de manifestação. Na China, Rússia, Coreia do Norte ou Cuba, ninguém se arrisca a votar em branco ou anular o voto. Os olhos destas ditaduras socialistas no poder, que escolhem previamente os candidatos à disposição do eleitor, não leva o votante a arriscar.
Em Cuba, eleitor insubmisso vai para a cadeia. Na Coréia, desaparece. Na Rússia, é morto no país ou nu exterior, se é um líder em ascensão. Na China não sei. Na democracia brasileira atual, onde partidos de todos os matizes são autorizados a concorrer, o eleitor tem uma oportunidade única de se expressar. De dizer sim ou não ao escolher o Presidente da República. Em concordar com o atual ou preferir o outro. Fundamental é votar. Idade, previsão do tempo, distância ou sacrifício pessoal são o preço. Quem não paga por ele, não pode reclamar depois. Um voto é pouco no somatório. Mas é o meu voto. Para minha consciência, é muitíssimo.
Promotor de Justiça aposentado
ivar4hartmann@gmail.com


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