A história sempre se repete. Nesse caso em continentes diferentes e com nuances próprias. Há quase 50 anos, no Irã, os governantes caíram por conta de grandes protestos populares. Lá, não foram expressados pelo voto, mas por manifestações de rua. Fevereiro de 1979: O Aiatolá Khomeini, que liderava a oposição do exílio, retornou ao país (também poderia estar preso), e assumiu o comando do movimento popular. Poucos dias depois, o exército se declarou neutro e o governo anterior ruiu. Os aiatolás assumiram o poder de vida e morte, agregando Executivo, Legislativo e Judiciário nas mãos de poucos.
Passados meio século, agora, no Brasil, os aiatolás que sentados no STF, vestindo também seus trajes pretos, governavam com mão de aranha o país, decidindo quem prender, quem soltar, mandar a polícia fazer o que desejavam, graças à corrupção do Executivo e a passividade do Legislativo, sentem seu governo em perigo. Os eleitos, vitoriosos nas urnas, de forma altissonante, já avisaram: não haverá perdão para quem tripudiou as leis. E há ministros do STF e TSE que tremem.
Enquanto seus castelos começam a ruir, receosos, como se viu em recentes despachos de dois dos cabeças, os aiatolás Alexandre e Gilmar, mudaram decisões que eles mesmos, com prepotência, tinham criado. Resta, como sempre, na América Latina, recorrer ao exército. Ninguém crê que algum general vá empenhar um soldado em suas defesas.
Disse Júlio César: “A sorte está lançada! ” De combate em combate entrou em Roma vitorioso (ou Brasília se quiserem). Dias atrás todos poderosos, senhores do cutelo, que podiam prender a qualquer um de nós por mero capricho, temem agora a guilhotina. Aconteceu na França revolucionária.
Promotor de Justiça aposentado
ivar4hartmann@gmail.com


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