Rômulo Rodrigues
Estamos em marcha: existimos!
O grito de rebeldia ecoou e, mais do que nunca, está preparado para continuar zunindo nos ouvidos moucos de uma parcela da população que não se lembra — ou prefere não se lembrar — das Diretas Já e do Fora Collor. Seja por comodismo, seja por ter assumido uma neutralidade que, em momentos decisivos, se transforma em cumplicidade.
Sem pedir licença a Caetano Veloso, resgato o verso que se tornou uma espécie de oração em homenagem ao gênio piauiense Torquato Neto: “Existirmos: a que será que se destina?”. E recorro também a Gonzaguinha, para celebrar a beleza das respostas que vieram das ruas, especialmente da juventude: foi bonita, foi bonita e foi bonita. Afinal, o desafio continua sendo viver, e não ter vergonha de ser feliz.
A Revolução Francesa de 1789 não teria acontecido sem a participação decisiva da juventude e das classes trabalhadoras, representadas pelos sans-culottes, na tomada da Bastilha. A Marselhesa, seu hino revolucionário, ainda emociona quem acredita e luta pelos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Nos dias atuais, entretanto, parece que alguns setores médios da sociedade ainda insistem em se comportar como os antigos girondinos, distantes dos anseios populares.
A tomada da Bastilha tupiniquim aconteceu no domingo, 25 de outubro de 2026, sem armas, mas com 64 milhões de votos. O povo brasileiro foi às urnas e barrou, democraticamente, um projeto político que representa a continuidade do bolsonarismo, com suas relações controversas, suas práticas autoritárias e sua perigosa proximidade com setores que flertam com a violência e a intolerância.
O resultado foi muito mais do que uma vitória eleitoral. Foi uma virada histórica. Depois de terminar o primeiro turno atrás do adversário, Lula conseguiu reverter a desvantagem e conquistar a Presidência da República pela quarta vez, feito inédito na história democrática brasileira. Uma vitória que reafirma a força da mobilização popular e a capacidade de reação da sociedade.
Seria cômico, se não fosse trágico, constatar que quase 60 milhões de brasileiros, muitos deles com elevado nível de escolaridade, conservadores e honestos, embarcaram nessa aventura política. Uma escolha que poderia colocar em risco conquistas democráticas, direitos sociais e a própria soberania nacional, submetendo o país a interesses estrangeiros e a uma visão de mundo subordinada à velha Doutrina Monroe.
Essa parcela do eleitorado, assim como as novas gerações, deve refletir sobre o significado dessa disputa e sobre os riscos que o Brasil acaba de superar. Vale lembrar a profética frase de Lula, ainda nos tempos de liderança sindical, na década de 1980: “Os poderosos podem matar uma, duas e até três rosas. Mas não conseguirão deter a chegada da primavera”. A primavera chegou pelas mãos do povo brasileiro. E a democracia, mais uma vez, mostrou que tem raízes profundas neste país.
Viva o Brasil que é - e sempre será - dos brasileiros!
Militante político


