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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Neste domingo, escolha a democracia

        

Rômulo Rodrigues

Este é um chamado a quem não é conservador nem de direita, mas também a quem, mesmo pensando diferente da esquerda, preserva o respeito ao próximo, a civilidade e o compromisso com a democracia. Uma eventual vitória da extrema direita não ameaçaria apenas seus adversários políticos. A intolerância também alcança os que divergem de seus líderes, ainda que estejam do mesmo lado do espectro ideológico. Quando o ódio se transforma em método de ação política, ninguém está inteiramente a salvo. Neste domingo, a reeleição de Lula representa, acima de tudo, a possibilidade de preservar aquilo que deve nos unir: a democracia.

O presidente Lula reagiu judicialmente a acusações que considera falsas e contestou a tentativa de transformar seu patrimônio, construído ao longo de décadas, em instrumento de desinformação. A questão é simples: um senador da República, investido de mandato e responsabilidade pública, não pode se valer da tribuna política para lançar acusações sem apresentar provas. Se Flávio Bolsonaro acusa alguém de envolvimento com milícias ou de práticas criminosas, precisa demonstrar o que afirma. O debate público exige responsabilidade, e não a substituição dos fatos por insinuações.

A história ensina que a extrema direita frequentemente se apresenta como paladina da moralidade e do combate à corrupção, enquanto instrumentaliza essas bandeiras para conquistar o poder e enfraquecer adversários. Foi assim em diferentes experiências autoritárias, inclusive no Brasil, com o golpe de 1964 e a ditadura militar. Em 2016, o impeachment de Dilma Rousseff, sem comprovação de crime de responsabilidade que justificasse a destituição, aprofundou a crise política e abriu espaço para a reorganização conservadora. Agora, Flávio Bolsonaro representa a continuidade de um projeto político que coloca em risco conquistas democráticas e a autonomia nacional. Suas posições sobre as relações com os Estados Unidos e a exploração das riquezas brasileiras exigem atenção redobrada.

Também é preciso desconfiar da narrativa de que o Brasil está irremediavelmente quebrado. A situação econômica comporta problemas reais, mas não autoriza apagar os avanços sociais registrados durante o governo Lula. O crescimento da renda de parcelas da população, a recuperação do emprego e as políticas de proteção social precisam ser avaliados com seriedade. Da mesma forma, denúncias de prejuízos econômicos atribuídos a agentes políticos e financeiros devem ser apuradas e quantificadas com base em dados verificáveis. O eleitor merece informação confiável, não números lançados ao debate apenas para produzir indignação ou favorecer candidaturas.

É difícil compreender como pessoas conservadoras, éticas, cristãs e comprometidas com o país podem ignorar os riscos representados por manifestações de hostilidade contra o Brasil e de submissão a interesses estrangeiros. Quando apoiadores da extrema direita recorrem a símbolos que sugerem um bombardeio contra a própria pátria, a provocação ultrapassa os limites da disputa eleitoral. A soberania nacional não pode ser tratada como moeda de troca, muito menos subordinada a projetos geopolíticos de outras potências, como o chamado “Escudo das Américas”, cujas implicações precisam ser debatidas com transparência.

Neste domingo, não se trata de exigir que todos se tornem de esquerda, nem de negar os erros e as contradições do governo Lula. Trata-se de reconhecer que há diferenças fundamentais entre projetos políticos e que a democracia, a soberania nacional, os direitos sociais e o respeito às instituições não podem ser colocados em segundo plano. Para quem acredita nesses valores, a escolha é clara: votar em Lula é apostar na continuidade democrática e na possibilidade de corrigir os rumos do país sem abrir caminho para o autoritarismo. Que as urnas confirmem essa escolha.

 Militante político   

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