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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

A escolha entre a soberania e a submissão

       

No dia 25 de outubro o povo brasileiro escolherá entre dois projetos distintos. Um que reúne experiência, capacidade de negociação, compromisso com a democracia e a soberania nacional. E o outro, que representa a continuidade de uma tradição familiar marcada pelo autoritarismo, pela instabilidade institucional e pela traição aos interesses do Brasil

Rômulo Rodrigues

O destino do Brasil como uma nação soberana ou subordinada aos interesses de uma potência estrangeira será feito no domingo, dia 25 de outubro. Em circunstâncias normais, não deveria ser uma decisão difícil. Entretanto, o debate público foi contaminado pela desinformação, pelo ressentimento e por uma perigosa recusa da realidade.

Não faltam elementos concretos para avaliar os dois candidatos à Presidência da República. De um lado está Luiz Inácio Lula da Silva, cuja trajetória política é amplamente conhecida: retirante nordestino, operário metalúrgico, líder sindical e fundador do Partido dos Trabalhadores. 

Lula também participou da criação da Central Única dos Trabalhadores e se tornou uma das principais lideranças políticas da redemocratização brasileira. Agora, ao fim de seu terceiro mandato, busca nas urnas a confiança popular para governar o país pela quarta vez. 

Sua formação ocorreu no chão da fábrica, nas greves do ABC e na difícil arte da negociação coletiva. Dessa experiência nasceu um político capaz de dialogar com trabalhadores, empresários, movimentos sociais e lideranças internacionais. Pode-se concordar ou discordar de suas decisões, mas é impossível negar a extensão de sua experiência, sua capacidade de articulação e o lugar que ocupa na história política brasileira.

Do outro lado está Flávio Bolsonaro, herdeiro direto e mimado de um projeto político familiar marcado pelo autoritarismo e pelo confronto permanente com as instituições democráticas. Sua trajetória foi atingida por investigações relacionadas à chamada "rachadinha", a transações imobiliárias com dinheiro vivo e à movimentação financeira de uma loja de chocolates. O Ministério Público fez graves denúncias contra ele, mas partes importantes do caso foram anuladas ou arquivadas por imposição do pai, à época Presidente da República

Também causa preocupação seu alinhamento político com os Estados Unidos em um momento de pressões comerciais contra o Brasil. Ao participar do debate norte-americano sobre medidas que poderiam resultar em novas tarifas, Flávio adotou uma posição de submissão a interesses estrangeiros, que enfraqueceu a defesa dos interesses nacionais. 

Ele procura herdar o capital político do pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Essa herança não é apenas eleitoral: representa a continuidade de um campo político associado ao ataque às instituições, à contestação do sistema eleitoral e ao ambiente que culminou na invasão das sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.

O governo de Jair Bolsonaro também ficou profundamente marcado pela tenebrosa condução da pandemia. O Brasil ultrapassou a marca de 700 mil mortes por covid-19, por desídia (deixar de fazer a sua obrigação de amparar a população), pelo confronto do governo com orientações sanitárias e pela demora na adoção de medidas capazes de reduzir o sofrimento do povo. O então presidente ridicularizava em rede nacional as vítimas da pandemia.

Nos dias que antecedem o segundo turno, Lula tem reunido apoios de diferentes setores da sociedade civil, enquanto o campo bolsonarista continua cercado por investigações e controvérsias. Isso, por si só, não dispensa o eleitor de examinar propostas, resultados administrativos e compromissos democráticos. Ao contrário: torna essa análise ainda mais necessária.

No dia 25, estarão diante do eleitorado dois projetos radicalmente distintos. Um deles, com seus acertos e erros, reúne experiência administrativa, capacidade de negociação e compromisso declarado com a soberania nacional e o regime democrático. O outro representa a continuidade de uma tradição política familiar marcada pelo autoritarismo, pela instabilidade institucional e por relações preocupantes com interesses estrangeiros.

Para quem deseja um Brasil soberano, democrático, socialmente justo e capaz de oferecer paz e prosperidade às gerações atuais e futuras, a escolha é evidente: Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente.

Militante político  

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