Samanaú lança Meladinha e
homenageia Manoel de Brito
O Alambique Samanaú, de Caicó, lançou uma nova bebida industrializada em evento realizado no Beco da Lama, tradicional reduto boêmio localizado no centro de Natal.
O produto, oficialmente chamado de Coquetel Alcoólico Samanaú, serviu de mote para uma homenagem ao ex-deputado, ex-secretário de Estado e conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado, Manoel de Brito.
Aos 97 anos de idade, Manoel é um dos mais antigos e entusiasmados apreciadores de uma bebida criada no Bar de Nazi, amigo e compadre: uma alquimia mágica entre cachaça, mel e limão, conhecida como Meladinha.
“Este homem é uma lenda viva da história política e social do Estado. Aos 97 anos, está aqui presente com a família, lúcido e cheio de causos”, afirmou.
Segundo Dadá, conversar com Manoel é sempre um aprendizado. Em uma das conversas recentes, ocorreu o seguinte diálogo:
MB — Dadá, cachaça é que nem mulher: ruim é faltar!
DC — Por isso é que eu construí um alambique em Caicó!
MB — Pra não faltar mulher?
DC — Não: pra não faltar cachaça!
Por ser uma bebida típica do Rio Grande do Norte, a homenagem a Manoel de Brito resgata essa tradição e pode inspirar outros alambiques a produzirem meladinhas com suas próprias marcas.
O evento no Beco da Lama, animado por Kanelinha e banda, teve clima afetivo e festivo. A Meladinha Manoel de Brito estará disponível nos mesmos pontos de venda que já distribuem os produtos Samanaú.
A decisão de produzir a meladinha decorre da constatação de que o consumidor brasileiro vem demonstrando preferência por bebidas de menor teor alcoólico, como cachaças e vodcas saborizadas, em torno de 20 graus ou menos.
“É uma mudança no padrão de consumo de bebidas alcoólicas que tende a se consolidar”, disse Dadá.
Meladinha é uma instituição de Natal
Gustavo de Brito (filho do homenageado)
Senhoras e senhores,
Hoje é um daqueles momentos que aquecem profundamente o coração da gente.
Falar do meu pai, Manoel de Medeiros Brito, e recordar a amizade dele com Nazi Canan, aqui nesse ambiente tão simbólico, é motivo de enorme emoção para toda a nossa família.
Meu pai nasceu em Jardim do Seridó, no dia 6 de julho de 1928, no velho sobrado da nossa família — a mesma casa que até hoje nos pertence, quase 100 anos depois. Embora não seja o filho mais velho, ele foi o primeiro dos filhos de dona Chiquinha Brito e de Zusa Moita a nascer naquele casarão tão importante para a nossa história.
Foi ali que começou uma trajetória construída com trabalho, dignidade e muita perseverança.
Meus avós eram empreendedores numa época em que empreender no interior exigia coragem e visão. Transformaram aquela residência no tradicional Jardim Hotel, que se tornou um verdadeiro ponto de encontro em Jardim do Seridó.
Por aquele hotel passaram autoridades, políticos, comerciantes e amigos vindos de várias partes do Rio Grande do Norte e de outros estados. E foi nesse ambiente que meu pai cresceu: ouvindo conversas, observando pessoas e aprendendo desde cedo a importância das relações humanas, da palavra e da boa convivência.
A vida, porém, também lhe trouxe dificuldades muito cedo. Meu avô faleceu em 1940, e meu pai, ainda jovem, precisou amadurecer rapidamente. Estudou no Colégio Diocesano Seridoense, em Caicó, sendo interno e integrante da primeira turma daquela instituição. Depois veio para Natal, estudou no Ateneu e passou a dar aulas particulares para filhos de famílias abastadas da capital, preparando muitos jovens para o antigo exame de admissão.
Mais tarde, em 1950, foi para o Rio de Janeiro com a ajuda do então governador José Varela, que lhe proporcionou a passagem aérea para a então capital do Brasil. E ali a vida começou a lhe abrir novos caminhos.
Meu pai sempre conviveu com pessoas trabalhadoras. E isso confirma uma frase muito verdadeira: “dize-me com quem andas e eu te direi quem és”.
Convivendo com pessoas de bem e vitoriosas, ele assim conquistou projeção e, consequentemente, vários espaços na vida pública do RN.
Em 1954, elegeu-se deputado estadual pela primeira vez. Reelegeu-se em 1958. Depois, em 1962, renunciou ao mandato para assumir uma missão no Tribunal de Contas, por nomeação do governador Aluízio Alves.
Posteriormente, foi convidado pelo Monsenhor Walfredo Gurgel para exercer uma das funções mais importantes do Estado: a chefia da Casa Civil, cargo que ocupou entre 1965 e 1969.
E foi justamente nesse período que nasceu uma das amizades mais bonitas da vida dele.
Ali perto do Palácio, no velho e eterno Beco da Lama, estava Nazi Canan e sua lendária Meladinha.
A Meladinha de Nazir não era apenas um bar, mas uma verdadeira instituição da cidade do Natal.
Ali se encontravam poetas, jornalistas, políticos, boêmios, intelectuais, comerciantes e pessoas simples do povo. Mas havia uma característica especial naquele lugar: diante de Nazi Canan, todos eram iguais.
Nazir tinha algo raro: inteligência, firmeza, humor, generosidade e uma capacidade impressionante de acolher as pessoas. Era sério quando precisava ser, engraçado quase o tempo todo e dono de uma verve inesquecível.
Meu pai encontrou ali mais do que um amigo.
Encontrou um irmão.
A amizade foi tão verdadeira que se transformou em compadrio. Mais tarde, Nazi Canan se tornou padrinho do meu irmão Marcelo Brito.
E nós, filhos, crescemos vendo essa amizade acontecer.
Muitas vezes viemos para cá acompanhando meus pais, vendo meu pai sentado entre amigos, conversando, sorrindo, celebrando a vida enquanto apreciava aquela meladinha tão famosa e tão querida.
Essas lembranças ficaram eternizadas na nossa memória.
Por isso, estar aqui hoje é tão especial. Porque esta homenagem não fala apenas de uma bebida. Ela fala de amizade. Fala de lealdade. Fala de afeto. Fala de um tempo em que as relações humanas tinham profundidade, permanência e verdade.
Quero, portanto, agradecer de coração ao Deputado Dadá Costa pela sensibilidade desta homenagem.
Ao lembrar de Nazi Canan, ele também honra uma parte importante da história afetiva e cultural de Natal.
Nazi hoje está no céu.
E meu pai, graças a Deus, está aqui entre nós, podendo reviver essas memórias e apreciar novamente esse sabor tão simbólico — esse coquetel de mel, afeto, amizade e lembranças que nós chamamos carinhosamente de meladinha.
Em nome da nossa família, deixo aqui a nossa mais sincera gratidão ao Deputado Dadá Costa e a todos pela presença, pelo carinho e por compartilharem conosco este momento tão bonito e inesquecível.
Muito obrigado!


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