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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Crendice popular

 - Não coma bananas que nascem
grudadas,a não ser que que queira
                ter gêmeos! 






segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Jargões alheios

Heraldo Palmeira

Tenho andado nas empresas e me assustado com o que encontro para interlocução. Pessoas esforçadas, estressadas. Boa parte com formação sofrível, sem traquejo e projeto profissional de longo prazo – parece pouco provável que tenham algum para a vida pessoal. Quase sempre desanimadas, sem referências, provocando perguntas silenciosas e diretas: para que tudo isso? Por que vivem assim, conformadas em não ter horizontes? Aonde pensam que vão chegar? Como sobrevivem sem resultados expressivos e presas a uma mesmice enlouquecedora?

Ficaram viciadas em balbuciar jargões de línguas estrangeiras – manifestação humilhada de gente colonizada –, copiar modelos que não nos servem, esconder-se atrás de diretrizes mal concebidas e produzir relatórios de pouco sentido. Estão sempre ocupadas em reuniões intermináveis e rotinas extenuantes. E usar a palavra “crise” para explicar mal resultados que se repetem ano após ano pela falta de inteligência, empenho, compromisso...

Em boa dose, são vítimas de executivos capengas que elaboram tais diretrizes e determinam dados para compor relatórios, escondidos atrás de compadrios, plaquinhas solenes, cargos pomposos e salas inacessíveis.

Os departamentos de comunicação e marketing, que deveriam oxigenar o ambiente, respiram mal porque estão lotados de gente muito jovem sem qualquer vivência mais profunda. Uma gente metida a tecnológica, deslumbrada, digna de dó. Incapaz de elaborar algo relevante, gerar algum diferencial para a empresa. Ao fim e ao cabo, tudo roda no limite curto entre cargos e pose.

Os da comunicação merecem poucas letras, exatamente porque conhecem poucas letras, sequer aprenderam a escrever e a falar o próprio idioma. Não conseguem tangenciar a ciência que se meteram a estudar e a praticar com as necessidades cotidianas. Não desconfiam que a comunicação é ferramenta poderosíssima para modificar cenários, impulsionar negócios e mudar a vida das pessoas.

No marketing, encontramos pessoas desprovidas de capacidade para fazer uma análise conjuntural a respeito de qualquer coisa, por mais simples que seja. De conhecer de fato o mercado em que atuam, os anseios reais dos clientes e daí extrair estratégias de ação capazes de causar impacto, ampliar resultados, gerar fidelização e diferenciar a empresa da concorrência.

Apesar do baixo nível de competência, estão encarregadas de decidir sobre passos fundamentais para o negócio; de escolher que caminho seguir para encontrar o futuro onde suas companhias buscarão garantir a sobrevivência.

Farão isso sem ter desenvolvido instrumental intelectual adequado e sem conhecer a fundo esse velho mercado que evoluiu num passo a passo monopolista, patrimonialista, coronelista, paternalista, desleal, antropofágico, homicida... Até que, no ambiente atual de crise e desespero, tornou-se autofágico. E ninguém descarta seu potencial suicida.

Estão empoderadas – palavrinha ordinária que entrou na moda nos ambientes corporativos –, apesar de completamente perdidas na escuridão da ignorância, incapazes de enfrentar a autofagia reinante dentro e fora das corporações. Terminam copiando os concorrentes nas “ações de marketing”, jogando milhões no lixo porque não têm conhecimento, discernimento e capacidade de inovar, de correr riscos, de fugir da mesmice. Uma clara comprovação de que os inúmeros diplomas obtidos não passam de papéis voláteis, não são sinônimos de criatividade, não desenvolvem talento.

Perderam a capacidade de ouvir, de tentar entender os desejos de quem querem alcançar (o tal público-alvo que deveria, muito mais adequadamente, ser chamado de público de interesse) e de planejar o que fazer a partir daí. Quase sempre, conhecem apenas superficialmente os produtos e serviços que pretendem divulgar. Quase nunca têm noção da importância do ambiente, do contexto na conquista de espaços num mercado cada vez mais segmentado, competitivo e exigindo customizações.

Para um mercado sem lógica, estrangulado pela falta de sabedoria, cabe uma frase – que um amigo não cansa de repetir – do velho e querido doutor Spock, da série Jornada nas Estrelas: “A lógica é o começo da sabedoria, não fim”.

Em tempo: esse marketing rasteiro transformou série (de televisão) em franquia de entretenimento. Nada mais vazio. Como esse conceito tolo.

É doloroso testemunhar a incompetência transformar coisas simples em charadas infernais, e ser denunciada por semblantes desfigurados pela combinação letal de ignorância e arrogância. Essa é a cara desses especialistas em jargões alheios, incapazes de criar qualquer coisa genuína, de construir alguma identidade. Atores e vítimas de uma sociedade cada vez mais superficial, triste, encurralada. Com doutorado em estupidez!

Documentarista, produtor cultural e colaborador do Bar de Ferreirinha

Agora feda



Paixão


                         O homem que não passa
                       pelo inferno de suas paixões
                        nunca consegue superá-las.
 
Dedé Pilaro 


Tá chato pra caralho



Futuro deputado



A consulta


 


Uma bela mulher vai ao médico para exames de rotina:
- Seu pulmão, seu coração e a pressão estão ótimos. - Diz o médico. - Agora, deixe-me ver essa coisinha que costuma meter as mulheres em complicações...
Quando a mulher começa a tirar a roupa, o médico diz:
- Não... Não. Vista a roupa, minha senhora. Só queria que me mostrasse a sua língua...



Todo cuidado é pouco



Camelo

Mais difícil do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha é descobrir porque o camelo iria fazer isso.
                                                  Millôr Fernandes

                

E morreu Maria Preá



domingo, 9 de setembro de 2018

O Gordini


Ciduca Barros

Quem não se lembra do seu primeiro carro? Aquele carrinho comprado com muitas economias (naquele tempo não havia financiamento de automóveis), na maioria das vezes, o velho e fiel fusquinha?
Vocês se lembram do Gordini? Para aqueles que o esqueceram, vou tentar relembrá-los. Era um veículo pequeno, de origem francesa, distribuído no Brasil pela Willys Overland, com apenas 40 CV e um câmbio de quatro marchas. Era um carrinho bonitinho, mas muito frágil. Criaram para ele um apelido infame: Leite Glória. 
Por quê? 
Porque aquele leite tinha uma publicidade que dizia: “Se desmancha sem bater”.  
O Gordini, mesmo com quatro portas, não conseguiu emplacar (desculpem o trocadilho), pois o fusca da Volkswagen o atropelou (desculpem este outro trocadilho).
Estávamos em plena década de 1960, trabalhando na linda e acolhedora cidade de Currais Novos, lá nosso Seridó. Um nosso colega, Nysio Augusto, que Deus já levou para o seu reino, motorista recém-formado, fugindo à regra do fusquinha, comprou o seu primeiro carro – um Gordini.  
Então, certa sexta-feira, resolveu vir a Natal para um fim de semana, trazendo como carona outro colega do Banco, José Marinho Lopes, dos Lopes de Carnaúba dos Dantas, que tinha naquele dia, aqui em Natal, um compromisso inadiável às 17 horas. Terminado o expediente (que naquele tempo só ia até às 13 horas), partiram imediatamente da frente da agência. 
A título de informação é necessário que o leitor saiba que na época desta história – 1963/1965 – para quem viajava do Seridó em direção à Capital, o asfalto só começaria em Santa Cruz. 
O colega Nysio, motorista principiante em seu carro reluzente e novo, vinha, portanto, com um olho na trepidação e o outro no desempenho do Gordini, ou seja, vinha cautelosamente pela estrada afora. 
E o carona?
Este, ansiosamente, vinha com um olho no velocímetro e com o outro no relógio. Ele tinha um compromisso às 17 horas, lembram-se?
Numa região, conhecida como Serra do Doutor, o novel motorista começou a observar um problema: a alavanca do câmbio começou a esquentar. Dizem que a alavanca ficou tão quente que o colega Nysio, daí em diante, passou a trocar as marchas com um lenço na mão. 
Naquela altura, o quadro mudou. O inexperiente motorista passou a ter um olho na estrada e outra na tórrida alavanca de câmbio; e o carona mantinha um olho no relógio e o outro no ardente lenço. 
Não suportando mais, o motorista Nysio olhou para o carona José Marinho e comunicou o problema mecânico que ele já desconfiava:
– Colega, o câmbio esquentou tanto que eu já não consigo mais mudar as marchas! O que você acha?
O carona, convidado a se pronunciar, olhou para o lenço do outro (que agora fumegava), ainda mais ansioso, olhou mais uma vez para o relógio e deve ter pensado: “e o meu compromisso? ”.  Então disparou:
– Deve ser porque você vai muito devagar!
Ato contínuo, o motorista “empurrou o pé” até os pedaços das carretas da caixa de câmbio saírem pelo escapamento. 
E aquele Gordini nunca mais foi o mesmo. Acabou-se vazando óleo até pelas placas.

Escritor e colaborador do Bar de Ferreirinha

Sujou

acho que chegamos


O gato e a barata

MILLÕR FERNANDES

A baratinha velha subiu pelo pé do copo quase cheio de vinho, que tinha sido largado a um canto da cozinha, desceu pela parte de dentro e começou a lambiscar o vinho. Dada a pequena distância, que nas baratas vai da boca ao cérebro, o álcool lhe subiu logo a este. Bêbada, a baratinha caiu dentro do copo. Debateu-se, bebeu mais vinho, ficou mais tonta, debateu-se mais, bebeu mais, tonteou mais e já quase morria quando deparou com o carão do gato doméstico que sorria de sua aflição, no alto do copo.

- Gatinho, meu gatinho – pediu ela –, me salva, me salva. Me salva que assim que eu sair eu deixo você me engolir inteirinha, como você gosta. Me salva. - Você deixa mesmo eu engolir você? – disse o gato. - Me saaalva! – implorou a baratinha. – Eu prometo.

O gato virou o copo com uma patada, o líquido escorreu e com ele a baratinha que, assim que se viu no chão, saiu correndo para o buraco mais perto, onde caiu na gargalhada. - Que é isso? – perguntou o gato. – Você não vai sair daí e cumprir sua promessa? Você disse que deixava eu comer você inteira.

- Ah, ah, ah! – ria então a barata, sem poder se conter. – E você é tão imbecil a ponto de acreditar na promessa de uma barata velha e bêbada?

Moral: Às vezes a auto depreciação nos livra do pelotão.


Lançamento

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A velhinha tá vendo demais

Deputado porreta

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Lero de pirado

O louco foi na padaria e perguntou:
— O pãozinho já saiu?
O padeiro responde:
— Sim, saiu sim!
O louco responde:
— Então quando ele voltar, diga que

 eu quero falar com ele!


Canção lúcida

ANDESRSON BRAGA
Transformar em beleza a própria dor…
Fora glória demais! fora ventura
imerecida! Arder a criatura
na fogueira solar do Criador…
Seja, entanto, ilusão, crime, o que for,
é mais alto o que anseia, o que procura
esta alma em seu destino de loucura,
este peito em seus dédalos de amor.
Mais que tornar o pranto em flor, quisera
transfigurar do tédio a morna esfera
nesta nuvem de sonhos em que estou.
O que ousara, Senhor, o que desejo
é ser como a canção de um realejo
tocado pelo cego que não sou.


Dica



sábado, 8 de setembro de 2018

Sol lindo

Peter Salém

Sentamos pra ver o sol indo.
Grama, grilos, coceirinhas...

(O sol
    aquela bolona amarela
E nós
 sonhos pra dar e dormir.)

Lá ia, lá longe, o sol indo...
Senti o calor que 'cê tinha
Na pele que, ali, era só minha.
Aquele gosto quente no dente,
Um beijo, um toque, a mão no joelho...
Epa!
Olha que até o sol ficou vermelho.