Sempre vem o dia depois. Depois do dia em que acertamos ou erramos. Ia dizer que a direita errou ao escolher seu candidato a presidente. Mas não. Como já escrevi há quatro anos, e agora, quando da escolha do filho como candidato, o grande cabo eleitoral do Lula chama-se Jair Bolsonaro. Tornado líder pela direita, usando seu poder de voto e veto, escolheu o filho Flávio como candidato, quando o certo era ter escolhido a dupla Tarcísio-Michele. Mais uma vez, por incompetência ou soberba, facilitou para a esquerda.
Goste-se ou não, a esquerda ainda teve nestas eleições um candidato, cheio de podres do passado, mas, ainda assim, conhecido, esperto e, sobretudo, disposto a usar a caneta de presidente. O que todos fazem se podem. O ciclo Lula termina agora. Idoso, com problemas de saúde, sem poder se candidatar de novo, deixa a esquerda órfã. Bolsonaro e Lula despediram-se como figuras centrais da política brasileira. E a direita e a esquerda vão ter de ir atrás de novas lideranças. Muitos nomes estão disponíveis para ambas as facções. Uns que se julgavam herdeiros, foram banidos pelas urnas: José Dirceu, Gleisi e companhia.
Outros que se julgavam no direito de liderar, como o derrotado fugitivo Flávio, esquecem que liderança não faz parte das nossas heranças. A fuga deu adeus às suas pretensões. Primeiro porque o novo Congresso, com maioria da direita, não vai escolher um chefe foragido e inexpressivo. Segundo porque jamais um brasileiro votaria em um protegido do Trump. Tarcísio, herdeiro da direita, já começou a ser massacrado pelos bolsonaristas. Sinal que se prepara para assumir de vez, aquilo que o cabo eleitoral do Lula impediu neste ano. Pelo Brasil, que a esquerda também escolha bem sua nova liderança.
Promotor de Justiça aposentado
ivar4hartmann@gmail.com


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