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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Globo, Record: drogas que assistimos

Ivar Hartmann

No tempo em que Sérgio Moro era Ministro, troquei o noticiário noturno de televisão, da Globo pela Bandeirantes. Lá havia um jornalista, Ricardo Boechat, culto e inteligente que era o âncora. Infelizmente morreu em um acidente aéreo de helicóptero, que mais tarde as investigações levaram a conclusão, que não podia voar. Cupidez humana. Como do acidente aéreo com o time de futebol da Chapecoense. A vontade de ganhar dinheiro sobrepuja a segurança e os infelizes passageiros embarcam para a morte. Bem, então nos mudamos para a TV Record e fomos ficando. Engolindo bobagens, perdendo tempo vendo os crimes mais escabrosos do Brasil sendo apresentados como fatos relevantes. A mulher que mata no Amazonas. O pai que joga o filho pela janela em São Paulo. E outras coisas do gênero. Tão importantes e desfocados da realidade que esquecemos no outro dia. Mas, à noite, os comentaristas voltam aos mesmos assuntos.

A TV Record é o pastor televisivo da Igreja Universal. Altamente comprometida com a Igreja. Como sou crédulo não me dei conta, até que sucessivas reportagens sobre a corrupção da Rede Globo, que nada mais é que uma concorrente, ou sobre Eduardo Paes, então concorrente a prefeitura contra o bispo Crivella da Universal me fizeram desconfiar. Apenas desconfiar porque sou brasileiro: a exceção dos políticos, todo mundo é bom. E parei de ver a Record. Bem a tempo. Os demais órgãos de imprensa na atualidade estão mostrando a forma com a Igreja Universal, o papa Edir Macedo e a TV Record manipulam as notícias relativas ao bispo Marcelo Crivella, alto mandatário da Igreja Universal, ex-prefeito do Rio de Janeiro, nos seus noticiários. Crivella, sobrinho de Macedo está na cadeia, por ladrão, até que o Gilmar Mendes o solte. Uma longa lista de crimes é atribuída a ele pelo Ministério Público que garante que mais de 50 milhões de reais foram manipulados pelo bispo e sua quadrilha. E a TV Record tão pródiga em narrar os roubos do Eduardo Paes, fica em silêncio. Não tem mais credibilidade. 

Promotor de Justiça aposentado - ivar4hartmann@gmail.com


  

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