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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Meu destino

Titina Medeiros - revistaquem.globo.com


Janduhi Medeiros

A talentosa atriz Titina Medeiros uniu o Seridó nestes dias pelo fio invisível e poderoso da memória familiar. 

Poucas regiões no mundo ostentam um povo tão coeso quanto o seridoense. 

No Seridó, a família não é apenas núcleo: é estrutura, é disciplina afetiva, é espinha dorsal da vida social. 

As linhagens se entrelaçam, os sobrenomes se repetem, e quase todos são primos — de sangue, de afeto ou de história.

Essa tessitura profunda vem de uma herança cultural ancestral, frequentemente associada a valores de origem hebraica: o apego à genealogia, o respeito aos antepassados, o culto à terra onde os ossos dos pais repousam. 

O seridoense gosta dos parentes, das calçadas conversadas ao fim da tarde, dos tamboretes nas portas, do chão seco que lhe moldou o caráter.

Quando Titina decidiu se enterrar em Acari, terra de sua devoção e pertencimento, ela não fez apenas uma escolha pessoal ou afetiva.

Ela externou um valor civilizatório: o orgulho do seu povo, a fidelidade às origens, a consciência de que a identidade não se abandona, se honra. 

Seu gesto foi menos um adeus e mais um retorno — um ato simbólico que reafirma que, no Seridó, a terra não é só lugar: é herança, é memória viva, é destino.

Janduhí Medeiros é escritor e poeta

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