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domingo, 23 de fevereiro de 2020

Diana, a caçadora


Ciduca Barros

Ela era a deusa mais popular da Grécia. 
Dizem que ela era esguia e virginal. 
Diz também a lenda que, quando era pequena, seu pai, Zeus, perguntou-lhe o que queria ganhar de presente num dos seus aniversários. 
– Quero correr livre e selvagem pelas florestas e nunca, nunca casar – respondeu a caçadora. 
Coincidentemente, aquela mulher também se chamava Diana. 
Alta, morena, charmosa, cabelos longos e sedosos.  
Não seria considerada bonita, mas seu conjunto chamava a atenção.
 Ela mexeu com a libido daquele conterrâneo. 
Possivelmente, de tanto ser observada por ele, passou também a fitá-lo. 
Daí nasceu, naturalmente, uma paquera. 
E aquela paquera inocente evoluiu para um rápido papo e para a troca dos números telefônicos. 
Por telefone, marcaram um jantar romântico. 
– Estou apaixonado! Esse jantar será o marco inicial para um grande e duradouro amor – disse ele para os amigos.  
Na noite do jantar ele parecia uma criança a caminho do parque de diversões. 
Estava lépido e fagueiro. 
Na hora aprazada ele estava, pontualmente, na porta dela. Escolheu um sofisticado restaurante da cidade e, ali, optaram por um caro e importado vinho.
– Estou gastando o meu rico dinheirinho, mas estou considerando tudo isto como um investimento! Os lucros virão depois! – continuou pensando o enamorado. 
Sendo um homem romântico, não esquecera de levar um lindo buquê de rosas vermelhas (disseram que seria a cor certa para aquele tipo de dama).
Com o ambiente adequado e algumas preliminares não poderia dar outra: terminaram num confortável motel.
Naquele momento, ele pensou no seu dispêndio, mas aliviou a tensão financeira: “Graças a Deus ontem saiu o meu salário!
Na suíte “plus” do sofisticado motel, os dois já desnudos e, simultaneamente, amassados, ele resolveu perguntar:
– Do que você vive, Amor?
Diana, apesar do calor que lhe ardia o rosto, com o seu corpo intumescido pelo vinho e pelas carícias da sua nova conquista, entre sussurros, respondeu:
– Das minhas pensões, amor!
– Epa! Será que eu ouvi mal? Pensões? – matutou ele.
E com seu tesão já em declínio, pediu esclarecimento:
– Você disse pensões?
– Claro! Das minhas três pensões! Eu tenho três filhos de três pais diferentes!
– Porra! Me fodi! – pensou consigo o ex-apaixonado.
Ainda assim, antes de ele voltar a raciocinar com lucidez, ela mostrou o seu lado de Diana, a caçadora:
– Porém, a crise está grande e a minha renda está cada vez mais curta! Estou precisando, urgentemente, duma quarta pensão.
Naquela época ainda não havia surgido o Viagra, porém, se tivesse, de nada adiantaria. 
Ele foi acometido, incontinentemente, de uma séria e profunda disfunção erétil.
Ou, como dizíamos naquele tempo, broxou.

Escritor e colaborador do Bar de Ferreirinha

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