Ivar Hartmann
A morte de um ente querido, pais, filhos, parentes, amigos, traz tristeza e dor aos que o pranteiam. É da índole humana. É como mitigamos a mágoa com a esperança de outro amanhã para quem partiu. Nos últimos séculos, com o aumento geométrico do conhecimento humano, mais e mais cientistas põem em dúvida um ensinamento básico da religião cristã: a certeza de outra vida depois da morte. Questão fundamental na pregação de Cristo e exemplificada pela ressurreição de Lázaro. Se os sábios não conseguem, no entanto, elementos seguros para suas teses, os cristãos, por outro lado, não tem provas insofismáveis desta outra vida. No tocante aos consanguíneos, isto é, os indivíduos que tenham ao menos um ancestral em comum, proponho uma tese para a morte.
Gene é a unidade fundamental da hereditariedade. É através dele que os filhos tem características de seus pais. Por gerações e gerações, em razão dos genes, há semelhanças entre ascendentes e descendentes. É o material genético que se transfere entre pessoas de mesmo sangue. A geração parental morta deixou inoculada na geração filial que continua viva, seus caracteres genéticos. Se as características de um morto continuam se refletindo nos seus parentes vivos, podemos dizer que ele perdeu a vida, mas não se extinguiu? Porque continua vivo, através de seus genes, nos seres de sua cadeia consanguínea. Mais ainda, entre pais e filhos, pois a hereditariedade individual (conjunto de agentes genéticos que atuam sobre os traços e características próprias do indivíduo) faz com que os filhos tenham características de seus pais. Se seus genes não desaparecem com o morto, então teremos que concluir que quando uma vida humana finda, ela não desaparece como tudo que é finito. Fica representada por seus descendentes e seu corpo que não responde mais aos sinais vitais, fica vivo nos que dele descendem. É uma tese que, pelo interesse na vida, deveria ser melhor aprofundada.
Páginas
terça-feira, 9 de julho de 2019
Sumo
CARLOS ROSA
Tê-la inteira
na sensação palmar
dos seus seios;
deixar eriçados
os desejos,
borbulhante a paixão.
em seu suculento
momento
sou suco-sumo,
um corpo friável,
deslizante sensual.
e você
folheia Joyce
na manhã em que
escuros
deixam claros
gozos,
ecoados na
escuridão do quarto.
na sensação palmar
dos seus seios;
deixar eriçados
os desejos,
borbulhante a paixão.
em seu suculento
momento
sou suco-sumo,
um corpo friável,
deslizante sensual.
e você
folheia Joyce
na manhã em que
escuros
deixam claros
gozos,
ecoados na
escuridão do quarto.
segunda-feira, 8 de julho de 2019
Relógio
Amar dentro do peito
Manuel Bocage
Amar dentro do peito uma donzela;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janela:
Fazê-la vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:
Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:
Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo.
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janela:
Fazê-la vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:
Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:
Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo.
domingo, 7 de julho de 2019
A vingança do garçom corno
Ciduca Barros
Zé Migué era o garçom no Bar do Copo, lá na sua cidade.
Inexplicavelmente, nos dias de muito movimento, Toinho do Bar, o dono do estabelecimento, deixava o garçom sozinho e, sabedor que ele estava assoberbado de trabalho, corria para os braços da mulher do coitado do garçom.
Zé Migué que era corno, mas não era burro, já tinha sacado tudo e resolveu ir à forra.
Como era sua vingança?
Todas as vezes que o dono do bar desaparecia com aquele propósito sexual, o garçom chifrudo errava, deliberadamente, nas comandas.
Você deve estar pensando: “Grande novidade! Todo garçom rouba!”.
Eu também sei disso, mas Zé Miqué cobrava a menor.
Exemplo: a conta do cliente dava R$ 80,00, ele cobrava R$ 20,00.
Todos os papudinhos da cidade sabiam do chifre e, por tabela, usufruíam da doce vingança do marido da adúltera.
Certa noite, alguém que não era da cidade e, logicamente, não conhecia aquela espécie de novela televisiva, esteve no bar e tomou várias doses de uísque 12 anos.
O consumo ascendeu a quantia de R$ 120,00 e, no momento de pagar, na comanda constava apenas o valor R$ 40,00.
O estranho, que era honesto (ainda existe honestidade), percebendo o erro, alertou:
– Garçom! A conta está errada. Você cobrou bem menos.
– Não, senhor, a conta é essa mesma!
O cliente, ainda sem entender, perguntou:
– O senhor é o dono do bar?
– Sou não! Nesse momento, o dono do bar está lá minha casa.
E deu a explicação plausível:
– Fazendo com a minha mulher o que eu estou fazendo com ele aqui!
Escritor e colaborador do Bar de Ferreirinha
Sinal de vida
Alexandre Papadó
De costas
Deitada
E entreaberta
Fantasia a fluir
Dedo no
Grelo e lábios
A bulir
Até ...
Muco produzir
Depois ...
Dedo na boca introduzir
Para o sabor sentir
Bem
Que gosto muco tem?
Suco
De fruta do Além...
Deitada
E entreaberta
Fantasia a fluir
Dedo no
Grelo e lábios
A bulir
Até ...
Muco produzir
Depois ...
Dedo na boca introduzir
Para o sabor sentir
Bem
Que gosto muco tem?
Suco
De fruta do Além...
sábado, 6 de julho de 2019
Bossa Nova de luto: morre João Gilberto
Músico e compositor tinha 88 anos e era o mais importante músico brasileiro no cenário internacional
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