Dar mesada sem exigir contrapartidas — como obrigações domésticas ou bom comportamento — ajuda mais crianças e adolescentes a aprenderem sobre finanças do que o pagamento condicionado ao cumprimento de tarefas.
É o que aponta um estudo publicado em março na revista Estudos Econômicos, da USP.
Os pesquisadores Ivana Carla Strapazzon, Marco Tulio Aniceto França e Gustavo Saraiva Frio basearam a análise em dados do Pisa, a maior avaliação educacional do mundo, coordenada pela OCDE.
Desde 2012, o exame conta com um módulo opcional de noções financeiras.
O estudo analisou o desempenho de cerca de 38 mil adolescentes de 15 anos que participaram da edição de 2018.
Segundo Strapazzon, a avaliação abrange tópicos como compreensão sobre dinheiro e transações, planejamento e gestão de recursos, reconhecimento de riscos e retornos e visão do panorama financeiro.
Os pesquisadores concluíram que os jovens que recebem a mesada como um "presente", livre de exigências, apresentam um aprendizado superior, ainda que a diferença de notas não seja de grande dimensão.
A educadora financeira Carol Stange explica que vincular o dinheiro a recompensas pode parecer lógico à primeira vista, mas acaba distorcendo a relação com as finanças.
Para a especialista, a principal função da mesada é educativa, ao permitir que crianças e adolescentes tomem decisões próprias, cometam erros e aprendam com o arrependimento após compras impulsivas.
Apesar dos resultados, o estudo aponta uma limitação importante: o questionário do Pisa não detalha o tipo de atividade que o aluno realiza para ganhar o dinheiro. Fica em aberto se as contrapartidas citadas referem-se a tarefas domésticas leves, horas de trabalho no negócio da família ou até o cuidado com irmãos mais novos.
Com informações da Folha de S.Paulo

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