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domingo, 10 de maio de 2026

Dia das Mães

 

Foto: Mohamed Hassan Pixabay

Heraldo Palmeira

“Metade do mundo são mulheres. A outra metade, os filhos delas.” (Efu Nyaki)

Há mães que nos trouxeram ao mundo. Há mães que perderam filhos. Há mulheres que nunca tiveram filhos. Há mulheres que não pretendem tê-los. Em todas elas, há o traço exclusivamente feminino sempre pronto para acolher, cuidar do mundo como se faz a um filho: o espírito da maternidade.

Nas escuridões, a gente vai descobrindo a luz até nos pontos cegos. A sorte de ter crescido numa casa de mulheres tem iluminado minha maneira de vivenciar o Dia das Mães desde que minha mãe se foi para o infinito — e lá se vão tantos anos! Agora entendo melhor uma interrogação que sempre carreguei a respeito de uma estranha saudade prévia, cotidiana daquela mulher que ainda estava presente e a postos por mim. Depois que ela se foi me dei conta de que era uma espécie de contagem regressiva, um aviso nem sempre muito claro para que eu vivenciasse cada minuto daquele tesouro, porque seria finito.

Agora enxergo minha mãe em todas as velhas senhoras que passam diante dos meus olhos. Mesmo aquelas com quem jamais vou trocar qualquer palavra, apenas observar um átimo de suas vidas num recanto de supermercado, numa conversa com alguém que imagino seja seu filho ou filha, num sorriso delicado, na forma pacífica e suave de se pronunciar ou agir. Agora estou ainda mais atento a qualquer pedido de ajuda que eu possa receber. Às vezes, sem pedido algum, me pego tentando ajudar, sendo simpático com uma dessas criaturas acumuladas de tempo nas rugas, no cabelo branco, no passo mais lento, na voz conciliadora. É meu gesto em busca do afago que certamente receberia da minha mãe.

Agora enxergo minha mãe na minha irmã, também mãe, que me deu sobrinhos adoráveis. Na minha filha, e na mãe dela. Nas mulheres que fazem parte da minha vida. Agora enxergo melhor o arrebatador conceito de maternidade, que faz soar a música do grande concerto da existência em acordes ora simples ora complicados. Um arranjo grandioso cuja partitura é escrita com a fragilidade humana e seus temores, presságios, alegrias, dores, dúvidas, erros, acertos, encontros, desencontros, desencantos, recompensas que só a grandeza feminina é capaz de reger. É a expressão única dos solistas das orquestras, é quando faz todo sentido a velha sabedoria “maternidade não vem com manual de instruções”.

É justo reverenciar com devoção a mulher que faz do próprio corpo a matriz da vida. A mesma que também personifica a maternidade quando ampara netos, sobrinhos, enteados e afilhados, que também é capaz de se tornar mãe dos filhos gerados por outras mães.

A mãe é a única linguagem verdadeiramente universal, a grande catedral da religião de todos nós. Hoje é o dia da grande cerimônia, do culto principal, de fazer nossa melhor oração — até os ateus sabem. Aquela que chega a qualquer plano da existência humana. Aquela que não depende de crença ou religião, não tem modelo, não foi escrita para ser repetida em decoreba. Aquela que surge naturalmente da saudade que não passa, passe o tempo que passar. Amém!

Todos já dissemos muito sobre mãe. Que hoje e todos os dias Deus abençoe todas as mães e perdoe todos os filhos que não vivenciaram a filiação de forma umbilical. Experimente acariciar o próprio umbigo e talvez perceba que ele é muito mais do que uma cicatriz na própria pele. Pode até ser uma fonte das melhores lágrimas.

História - A norte-americana Anna Maria Jarvis entrou em profundo estado de tristeza pela morte de sua mãe Ann Maria Reeves Jarvis, ocorrida em 9 de maio de 1905, uma terça-feira. A órfã contava 41 anos e as amigas estavam preocupadas com seu estado emocional em razão da perda.

Assim, idealizaram uma festa para animar Anna e homenagear sua mãe Ann, uma reconhecida ativista social com grande atuação durante a Guerra Civil Americana, que terminou como a inspiradora da criação do Dia das Mães.

A filha Anna encampou uma campanha e conseguiu oficializar a data nos EUA, primeiro na Virgínia Ocidental (em 1910), iniciativa que foi seguida por diversos outros estados. Em 1914 tornou-se data nacional no país e se espalhou pelo mundo. Entretanto, em 1920 ela já estava incomodada com a exploração comercial da data e processou diversas empresas, sem sucesso. Tanto que o Dia das Mães segue como um dos feriados mais lucrativos, um grande gerador de vendas.
Leia mais sobre essa história admirável neste link.

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