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terça-feira, 5 de maio de 2026

Edição 05/05/2026

Por Benjamim Arrola

Consignado (-)
A farra do consignado acabou — ao menos no papel. A margem que servidores públicos e beneficiários do INSS podem comprometer caiu de 45% para 30%, embora o aperto venha em suaves prestações: primeiro, recua para 40%. De quebra, foi para o espaço o cartão de crédito consignado, velho conhecido das faturas intermináveis.

Condições (+)
Rebatizado de tábua de salvação oficial, o Desenrola promete condições “mais amigáveis” para quem ganha até cinco salários mínimos (R$ 8.105). Entram no pacote dívidas entre 90 dias e dois anos de atraso — cartão de crédito, cheque especial e CDC — desde que contratadas até 31 de janeiro de 2026. O alívio vem, mas com prazo e carimbo.

Descontos (+)
Os descontos, que podem chegar a sedutores 90%, exigem peregrinação até o banco credor. No cardápio: juros de até 1,99% ao mês, prazo de 48 meses e 35 dias de respiro antes da primeira parcela. E, para não faltar drama, o trabalhador ainda pode avançar sobre até 20% do FGTS para fechar a conta — trocando um problema por outro, com aval oficial.

Teflon
Nos bastidores de Brasília, há ministros do STF que parecem testar a própria blindagem: articulam apoios e conexões para candidaturas ao Senado, inclusive no quesito financiamento. A leitura corrente é direta: a próxima disputa senatorial pode girar em torno do Supremo — e há quem trabalhe desde já para garantir uma bancada “à prova de desgaste”.

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