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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Cáctus

Anderson Braga Horta




Quando a última ilusão se for, perdida
no deserto brumoso do passado,
onde é, como este cáctus desolado,
roxa saudade, apenas, permitida;
quando tu e a desgraça lado a lado
marchardes, sem conforto e sem guarida,
canta, minha alma, canta, pela vida,
inda que um canto apenas balbuciado.
Canta. Canta, e recorda: que a saudade
é o cáctus doloroso do deserto,
que, tocado, nos fere sem piedade:
mas sob a crosta enrijecida e morta
dorme um gênio acre-doce, que, desperto,
dessedenta, suaviza e reconforta.

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