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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Diarreias mentais - CXXVIII


Mentira de pescador

Um sujeito estava pescando num açude particular, onde sabidamente o proprietário não consentia com a pesca. 
De quem era o sítio? 
Do delegado daquele município.
De repente, chegou um cidadão e perguntou ao pescador:
– E aí, cavalheiro, tem pegado muito peixe aqui?
– Aqui é uma beleza! Ainda ontem peguei mais de vinte peixes, cada um com mais de um quilo.
– Você sabe com quem está falando?
– Sei não – respondeu o pescador.
O cidadão, sacou um revólver calibre .38, reforçado, apontou para o pescador e disse:
– Eu sou o dono do açude, sou delegado da cidade, aqui é proibido pescar e você está preso!
O pescador, ainda sem perder a calma, perguntou:
– O senhor sabe com quem está falando?
– Não tenho a menor ideia – respondeu o delegado.
Aí veio a bomba:
– Eu sou o maior mentiroso desse município!


Ciduca Barros é escritor e colaborador do Bar de Ferreirinha

Anti-stress

Ginástica, só com os dedos, para
evitar o STRESS ! 
Já experimentei e funciona!




Honestidade

Honestidade acima de tudo!


Dica

Visite os amigos com frequência.O mato
cresce depressa em caminhos pouco
percorridos.
   
          


Agora feda



Reclamação

- Garçom! Esta sopa está com gosto de inseticida!
- O Sr., sempre insatisfeito... se tem mosca, reclama;
se tomamos providência, também reclama!
Assim não dá!
      


Foi só um susto

Paulo caiu da escada.Esse
prédio tem 25 andares.
Deu sorte,não se machucou.
Foi um milagre?Não.
Ele caiu no primeiro andar.


terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Um violino no Natal

Ivar Hartmann

Como milhões de famílias cristãs ao redor do mundo, estes dias são dias de viagens e festas. Viagens para chegar a tempo nas festas que as famílias realizam nos fins de ano para reencontros. Mesmo em cidades pequenas ou próximos, ficamos meses sem ver pais, irmãos, tios e primos. Então o Natal serve para boas emoções, longos abraços, beijos saudosos. Raízes que se encontram. Isso é lindo. Como lindo é o Natal, na véspera e seus dias subsequentes. E ainda temos a árvore enfeitada, a troca de presentes. E a esperança de que, não tendo sido tão maus, o Papai Noel se lembrará de nós. A mente divaga e o cérebro voa nestes encontros lembrando os que se foram. Fiquei a pensar. Em uma família, lá pela quarta ou quinta geração de participantes de uma festa destas, qual seria o bem material que lembra a todos um ponto comum? Não do dinheiro depositado que muda a cada dia, não das casas que habitamos e desocupamos porque elas não são comuns a todos. Mas haverá uma joia, um móvel, um objeto, que foi usado no passado e que até hoje a família guarda?  Comum a todos, em todas as gerações?
Meu pai, quando jovem, foi violinista. Era contratado para tocar em kerbes e bailes de Estação São Pedro, pequena parada de trem, no centro da colonização alemã, na serra gaúcha. Em uma foto dantanho, posa ao lado de um colega negro, tocador de saxofone. Certamente, pela facilidade das notas, a música Noite Feliz fazia parte obrigatória do seu repertório de fim de ano. Depois trocou o violino pela broca e virou dentista. Profissão menos agradável que a boemia, mas mais rentável. Passadas décadas, sempre com o mesmo violino, tinha um grupo de amigos em São Francisco de Paula que saiam a fazer serenatas nas noites quentes. O violino, alemão, veio para o sul do Brasil, daqui rumou com uma sobrinha para a Flórida e agora o trago de volta. Meio trôpego, riscado, sem cordas. Mas no estojo original. O objeto mais antigo e emotivo de toda a família.

ivar4hartmann@gmail.com

Dentadas

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"EU GOSTARIA DE FAZER
 UMA PIADA SOBRE OS
POLÍTICOS.
MAS ELES ROUBARIAM
A GRAÇA."
Caco Dentão


Pedido

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Inteligente

"AS VEZES EU FALO SOZINHO
EM CASA.
É QUE GOSTO DE OUVIR UMA
OPINIÃO INTELIGENTE."
Gilson Variedades


Lavadinha de leve



O que se passa na cama

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

(O que se passa na cama
é segredo de quem ama.)

É segredo de quem ama
não conhecer pela rama
gozo que seja profundo,
elaborado na terra
e tão fora deste mundo
que o corpo, encontrando o corpo
e por ele navegando,
atinge a paz de outro horto,
noutro mundo: paz de morto,
nirvana, sono do pênis.

Ai, cama canção de cuna,
dorme, menina, nanana,
dorme onça suçuarana,
dorme cândida vagina,
dorme a última sirena
ou a penúltima… O pênis
dorme, puma, americana
fera exausta. Dorme, fulva
grinalda de tua vulva.

E silenciem os que amam,
entre lençol e cortina
ainda úmidos de sêmen,
estes segredos de cama. 

Mãe & Filha

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Jesus no pé de goiaba

Gravura: Ana Nunes
Heraldo Palmeira

Fiquei impressionado quando vi tanta gente (até da imprensa) ridicularizando a futura ministra de Estado da Mulher, da Família e Direitos Humanos, depois que ela corajosamente contou sua história de abusos na infância e revelou que subia numa goiabeira para buscar refúgio emocional, para conversar com Jesus, a quem tomou como amigo.

Eu era alegre como um rio
Um bicho, um bando de pardais
Como um galo, quando havia
Quando havia galos, noites e quintais
Mas veio o tempo negro
E, à força, fez comigo
O mal que a força sempre faz
Mas não sou mudo
Hoje eu canto muito mais

Para mim, foi incompreensível compreender como tantas pessoas – inclusive mulheres – conseguiram tripudiar de uma vítima de abuso. Não devem ter capacidade de entender a crueldade do que fizeram. Pior, por partidarismo político-ideológico dos mais rudimentares!

E, claro, no escárnio que essas pessoas explodiram pelas redes sociais, também embutiram seu preconceito contra os evangélicos – cristãos como eu, católico que me acostumei desde cedo, pelo que aprendi em casa, a respeitar tudo quanto fosse divergente: posições econômico-sociais, cores de pele, religiões, opções pessoais de vida...

Agora, quase no acender das luzes do Natal, leio a notícia de que a futura ministra recebeu representantes de diversas entidades da comunidade gay. Um gesto claro de harmonia, acolhimento, convivência cristã, fé no futuro, na comunhão de ideias e esforços para a construção de caminhos comuns e positivos.

O presidente de uma delas declarou que aquela foi uma “reunião histórica”, no que parece ser a abertura de uma porta de diálogo desarmado do discurso isolacionista que se estabeleceu ao longo dos anos.

Um discurso surrado que pregou separatismos, como se, obrigatoriamente, pessoas tivessem de ser acomodadas em guetos e submetidas a tutelas ideológicas que nada de novo produziram ao longo do tempo. Afinal, segundo estudos citados pelas próprias entidades, nada menos do que 60% dos homossexuais já pensaram em suicídio e obviamente suas motivações não apareceram nos últimos meses, vem de cicatrizes antigas.

O mesmo cidadão que considerou a reunião histórica, arrematou com uma frase que soa forte: “Essas pessoas estão no pé de goiaba, assim como um dia a ministra esteve”.

Que essa frase forte inspire a nossa capacidade de sentir compaixão de quem sofre dores que a vida nos poupou e dores que causamos. Que nos inspire a conviver em harmonia com quem fala uma linguagem diferente, mas que tem tanto valor quanto a nossa forma metida a besta de falar. Que inspire esforços contra as desigualdades e a favor da paz coletiva.

Que essa frase forte nos coloque diante do espelho e nos mostre o quanto somos ridículos quando insistimos em achincalhar os que julgamos inferiores – ridículos que somos ao pensar que temos alguma superioridade e que nos cabe ganhar sempre um jogo que, na verdade, nem sabemos para que serve ganhar.

É Natal de novo, tempo em que caprichamos nas palavras doces, bonitas, escolhidas quase sempre para cumprir um ritual. Que tal abrir o dicionário e falar com sentimento de irmandade e com riqueza de detalhes, entendendo que nem tudo é sim? Sim, porque há o não, tão forte e sonoro quanto.

Sim, há o oposto que também tem direito de estar posto à mesa da Santa Ceia que montamos em mesas fartas, porque gostamos de comer e de beber e só queremos uma boa desculpa – tanto é verdade que a tradição cristã realça apenas uma ceia na vida de Cristo, a da Paixão, mas nós corremos para inventar a do Natal.

Pois bem, que tal incluir nos nossos mimos de Natal o acolhimento do outro, mesmo que seja oposto? Acolher de verdade, de coração sentido para dar sentido ao sentido da festa.

Se temos fé o suficiente para festejar o nascimento do Menino Jesus, não cai bem duvidar que Ele, feito Cristo, pode ir a um pé de goiaba consolar a dor de alguém. É uma questão de fé de quem tem, que só diz respeito ao dono da fé e ao Senhor da fé.

Eu prefiro ficar por aqui, na festa que me reanima desde criança. Sem levar em conta posições econômico-sociais, cores de pele, religiões, opções pessoais de vida, qualidade dos ingredientes à mesa... O que importa de verdade não é celebrar?
Pouco me importa que o Jesus de cada um vá onde eles bem entenderem. O meu, levo onde meu coração imperfeito for. E Ele estará lá, como sempre esteve. É apenas uma questão de fé na barca da vida.

Velejar, velejei
No mar do Senhor
Lá eu vi a fé e a paixão
Lá eu vi a agonia
Da barca dos homens

Boas festas, preparando um ano-novo dos bons! E que a gente não estrague tudo.

*Trechos de:
Galos, noites e quintais (Belchior)
Paixão e fé (Tavinho Moura-Fernando Brant)

HP é documentarista, produtor cultural e colaborador do 
Bar de Ferreirinha

Toque

"SE VOCÊ NÃO TEM LUZ
PRÓPRIA, FIQUE
SABENDO QUE A LUZ
DOS OUTROS NÃO TE
TORNARÁ BRILHANTE."


A velha tá confusa

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Primeiro suspiro

ISABEL MACHADO

Arromba!
Penetre entre as gretas que te enxergam
Adentre pelos poros que veneram
o teu suor no meu endoidecido...

Arromba!
Por todos os meus lados puritanos
tão virgens e tão castos, espartanos
te engulo feito louca ao teu gemido...

Arromba!
Teu gozo exploda em mim feito uma bomba
debata-se e debata-se vencido
calando o meu grunhir na tua boca...

E...
depois da casa arrombada
não reste mais nada
por viver...

Agora feda



Finalmente juntos




DONA TECA ERA MUITO RELIGIOSA.
 Casou-se e teve 11  filhos. Depois o marido  morreu. Passado pouco tempo, voltou a  casar. Teve mais 17  filhos. Depois o segundo marido  morre. Cinco semanas mais tarde, Dona TECA  também morre. No funeral o padre, olhando a  defunta no caixão, comenta:
- Ah! Finalmente  juntos!
Uma velhota que se encontrava perto  perguntou:
- Desculpe padre... mas quando o senhor diz "finalmente juntos", refere-se à falecida e o seu primeiro marido, ou  à defunta e o seu segundo marido?
E o padre,  muito contrito:
- Refiro-me as pernas de Dona  TECA, as pernas...