Dizemos: o pinhão. Mas compramos pinhões; assamos pinhões; comemos pinhões; repartimos pinhões assados (eu com meu neto). A mim, parecem melhores do que as castanhas e pistache. Queria conhecer o vulcão Osorno e a terra do Pablo Neruda. Nos Andes, no fim do Chile. Uma noite, no hotel, serviam uns assadinhos do tamanho de uma castanha de caju. Experimentei. Era pinhão. Pelo tamanho e local, perguntei ao gerente de onde vinham. Respondeu-me que ali, nas imediações do Osorno, era o último canto do sul da América, onde se colhia pinhões.
Pequenos comparados aos nossos, mas ótimos. Chegamos ao fim desta safra. Ainda com pinhões à venda em todas as cidades. A quem não apetece?
Vou contar um “causo” verdadeiro, acontecido durante a Revolução Federalista de 1893 que durou dois anos. Sangrenta, matou três vezes mais soldados e civis do que a Revolução Farroupilha de 1835 que durou dez anos. Saindo do Rio Grande, os revoltosos avançaram na direção do Rio de Janeiro, para derrubar o Presidente Floriano Peixoto. Derrotados na Lapa, norte do Paraná, retornaram os maragatos para o Rio Grande em maio de 1894. Em péssimas condições, dizem os historiadores. Perseguidos pelo exército, retiravam-se pelas florestas de araucárias, combatendo o inimigo mais numeroso e forte.
Então, no inverno de 1894, graças aos pinhões, estas tropas rebeldes conseguiram sobreviver ao rigoroso inverno de Santa Catarina. Faltos de cavalos, roupas e provisões, sem linhas de suprimento regulares, os soldados enfrentaram a fome, lutando sob condições extremas, e alimentando-se dos pinhões que encontravam pelo caminho nas áreas da serra. Chamaram o episódio de Guerra dos Pinhões. Graças a semente de araucária, conseguiram retornar ao Rio Grande.
Promotor de Justiça aposentado
ivar4hartmann@gmail.com


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