Páginas

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

A bela teta

CLEMENTE MAROTI

Teta mais branca do que um ovo,
Teta de cetim branco e novo,
Teta que faz inveja à rosa
E mais do que tudo é formosa,
Teta dura, nem teta, sim
Pequena bola de marfim,
Bem no meio da qual aflora,
Rubra, uma cereja ou amora,
Que, aposto com vossa mercê,
Ninguém apalpa, ninguém vê.
Teta de bico cor de sangue,
Teta que nada tem de langue
E, indo ou voltando, não balança,
Quer em corrida, quer em dança.
Teta esquerda, pequenininha,
Sempre distante da vizinha,
Teta que dás fiel imagem
Do restante da personagem,
Quem te vê, que tentação
De te conter dentro da mão
E comprimir-te e apalpar-te;
Mas é melhor deixar-se de artes
E não o fazer, pois prevejo
Que lhe viria outro desejo!
Teu bom tamanho não engana,
Teta madura que dás ganas,
Teta que um só anelo expressa:
"Casai comigo bem depressa!"
Teta que incha e quer ir além
Do corpete que ora a detêm.
Oh! felizardo quem te encher
De leite para te fazer,
De ti que és teta de donzela,
Teta de mulher plena e bela.



Melhorou muito

 




Quer largar o cigarro?

 

QUEIMA-JATO


Governo deve extinguir Ibama 
por falta de florestas no Brasil

O presidente Jair Bolsonaro, em conversa com líderes da base alugada pelo governo, anunciou a extinção de um órgão federal que usava forças-tarefa para combater crimes graves e que vinha sofrendo ataques desde o começo de sua gestão: o Ibama.

“Floresta é coisa de ambientalista e petista e isso daí não tem mais no meu governo, por isso não tem que ter mais Ibama, tá ok?”, disse o presidente. 

“A gente já extinguiu o Pantanal, a Amazônia e a corrupção. Agora vamos extinguir a extinção também. Pra quem falou que esse era o governo do fogo, é o contrário: a gente é o governo extintor kkkkk”, complementou o presidente em suas redes sociais.

Por meio de nota o governo afirmou que os recursos antes usados pelo Ibama serão destinados à conservação de outros grupos ameaçados de extinção, como os caixas eletrônicos da Alerj, o dinheiro em espécie, as rachadinhas selvagens, o foro privilegiado, entre outros.

Com informações do The piauí Herald

domingo, 11 de outubro de 2020

Algumas anotações sobre Oswaldo Lamartine

Procurando conhecer um pouco mais sobre o sertão que nos abriga e revirando o vasto mundo da internet encontrei uma das entrevistas feitas com Oswaldo Lamartine que me despertou especial atenção. O portal “papo de cultura” https://papocultura.com.br/, responsável pela entrevista, conseguiu falar com ele pouco tempo antes de sua partida.
Filho de Juvenal Lamartine de Faria e Silvina Bezerra de Araújo Galvão, Oswaldo nasceu em 1919, no dia 15 de novembro. Faleceu, querendo morrer, no dia 28 de março de 2007. Foi um dos maiores de todo o Brasil ao estudar e a escrever sobre as coisas do sertão potiguar. É fato público e notório que a influência de Juvenal, o pai, foi determinante motivação para a consolidação de sua obra literária. Ele próprio declarou: “fui impregnado disso porque o acompanhei em certo período da cegueira, quando os amigos que vinham visitá-lo eram gente da geração dele, em conversas de velho, evocativa. Então, escutava muito o sertão sendo revisitado…”
Oswaldo Lamartine deixou várias publicações e seu legado tem muito valor. Rostand Medeiros (no site tokdehistoria), em uma das matérias sobre Oswaldo, elencou algumas obras de seu acervo: “Notas sobre a pescaria de açudes no Seridó (1950), A caça nos sertões do Seridó (1961), Algumas abelhas dos sertões do Seridó (1964), Conservação de alimentos nos sertões do Seridó (1965), Vocabulário do criatório norte-rio-grandense (1966), Sertões do Seridó (1980), Ferro de Ribeiras do Rio Grande do Norte (1984), Pseudônimos e iniciais potiguares (1985), Apontamento sobre a faca de Ponta( 1988), Em Alpendres da Acauã (2001) e Notas de Carregação (2001)”.
Uma obra que, sem prejuízo de outros elogios, recebeu de Rachel de Queiroz um dos melhores aplausos: “acho que, no Brasil, ninguém entende mais de Sertão e de Nordeste do que Oswaldo Lamartine.
Um sertão do passado, que pouco vive nos dias atuais, que o próprio escritor também percebeu mudar – e falou sobre as mudanças – com precisão, anotando um dos aspectos mais visíveis dos novos tempos: “O mundo todo está em permanente modificação, não é? E agora, então, depois da eletrônica, acabou-se tudo. O sertão hoje não existe mais. Teve um sertanejo que me veio aqui nestes dias e disse que foi numa feira em São João do Sabugi (no Seridó, a 250km de Natal) e não tinha nenhum animal. Nem burro, nem cavalo, nem sela na feira. Só tinha bicicleta e moto. Antigamente o sertanejo ia pra feira montado em seus animais.”
O sertão que resiste dentro de muitos, de fato, não é o mesmo... A vida não é a mesma. Chegam coisas novas, algumas boas, outras nem tanto. Mas, a preservação de valores e de algumas boas tradições, mesmo na turbulência da viagem terrena, pode ocorrer. E, neste sentido, a obra de Oswaldo Lamartine é inspiradora. Aliás, como inspirador é o texto do extraordinário escritor Vicente Serejo ao descrever uma viagem feita por eles ao Acari de nossas raízes: “Fomos juntos na sua última viagem ao Ingá, a fazenda da infância. Caminhou até depois do alpendre, parou, ficou de pé, como se ouvisse o silêncio das oiticicas, alisando com os olhos, longamente, a Serra do Bico da Arara. Lá longe, recortando aquele azul profundo do seu paraíso nunca esquecido. E disse apenas, como se fosse um adeus: ‘tomara que o céu seja assim’.”

Fernando Antonio Bezerra é escritor, advogado e colaborador do Bar de Ferreirinha.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Rock and roll está de luto


Câncer mata Eddie Van Halen, um dos maiores guitarristas da história

O rock está de luto: Eddie Van Halen, um dos mais cultuados guitarristas do mundo, morreu hoje nos Estados Unidos, aos 65 anos.

Ele tratava de um câncer na garganta desde 2019.

Eddie nasceu em Amsterdã, na Holanda, em 1955, mas ainda na adolescência se mudou com a família para Pasadena, na Califórnia. 

Foi lá que, ao lado de David Lee Roth e do baixista Michael Anthony, o grupo Van Halen começou a fazer sucesso em clubes de West Hollywood.

Já no primeiro álbum, Van Halen, de 1978, Eddie mostrou ao mundo a sua estupenda habilidade na guitarra, muito marcada pela velocidade, e também pelo "tapping", a técnica de tocar o instrumento batendo com as duas mãos nas cordas, à altura do braço. 

Suas principais influências, segundo entrevistas dele próprio, foram Eric Clapton e Jimmy Page.

O maior - Em uma pesquisa da revista americana Rolling Stone publicada em 2015, entre músicos, críticos e jornalistas, Eddie Van Halen foi eleito o oitavo melhor guitarrista de todos os tempos, na lista entre Duane Allman e Chuck Berry. 

Já a Guitar World, em 2012, não teve dúvidas: cravou seu nome no topo do ranking.

Num estilo musical que explorou as fronteiras entre o hard rock e o heavy metal, Eddie Van Halen conquistou uma legião de fãs e fez sua banda vender milhões de cópias de álbuns como 1984 (1984), que contém o mega hit 'Jump'. 

Entre 1986 e 1995, o grupo lançou quatro discos consecutivos que alcançaram o primeiro lugar das paradas nos EUA.

Ainda nos anos 1980, Eddie viria a colaborar com Michael Jackson, com o solo na canção 'Beat It', do álbum ‘Thriller’, atendendo a pedido de Quincy Jones e do próprio Michael Jackson.

A gravação foi feita em 1982 em um take apenas, e o guitarrista não recebeu nada pelo solo da canção que chegou às paradas no dia 12 de março de 1983, ficou por 15 semanas e alcançou o 1º lugar nos EUA, Países Baixos e Espanha.


Cavalo batizado e faminto

 




Aproveitando a primavera

Ivar Hartmann


Os avanços do Google com a internet para o nosso lazer são incríveis e causam satisfação. Avançando por caminhos - como diria o Camões - nunca antes navegados, o Google propicia ensinamento enquanto atrai nossa atenção e distrai. Tudo que um bom professor, em qualquer escola de qualquer grau de ensino faz: ensinar de forma lúdica. Vamos aproveitar a primavera para sugerir aos leitores um novo app que é gratuito quando deveria ser cobrado, como estes jogos de game. Há alguns dias recebi de um amigo um whatsapp indicando o Google Arts & Culture. O ícone é um templo antigo branco sobre um fundo azul. Agora, o que oferece, é um caminho sem fim. Por exemplo: cada um de nós gosta de uma cor mais do que de outras. É o ditadinho popular: que seria do amarelo se todos gostassem do verde. Então tem uma escala de cores no site e se tu clicares na cor de tua preferência, aparecerão as grandes pinturas de todos os tempos em que a tua cor tem predominância.

Tem outra que achei ótima: faça um selfie, da forma que eles explicam, e teu rosto será pintado de acordo com o estilo de pintores mundialmente famosos a tua escolha. É uma experiência única já que nem todos nós podemos ser modelo de pintores famosos. O lazer com cultura segue: lembrar o que veio antes. Em blocos de três perguntas, valendo 70 pontos cada uma, e onde eu fiz o escore de zero pontos. Pura perseguição do professor! Ou um passeio educativo por museus diferentes do mundo. Quem sabe informações preciosas sobre onde e como Nelson Mandela esteve preso. É. É infinito como nossa curiosidade. Uma informação do Google diz tudo: explore nosso melhor conteúdo. Use ferramentas para explorar por período e cor, aplique zoom para ver as obras de arte com detalhes incríveis, faça um tour em locais e pontos de referência famosos e muito mais. Faça. Garanto que vais gostar. 

ivar4hartmann@gmail.com



segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Agora feda

 







Por decoro

 ARTUR AZEVEDO

Quando me esperas, palpitando amores,
e os lábios grossos e úmidos me estendes,
e do teu corpo cálido desprendes
desconhecido olor de estranhas flores;

quando, toda suspiros e fervores,
nesta prisão de músculos te prendes,
e aos meus beijos de sátiro te rendes,
furtando às rosas as purpúreas cores;

os olhos teus, inexpressivamente,
entrefechados, lânguidos, tranquilos,
olham, meu doce amor, de tal maneira,

que, se olhassem assim, publicamente,
deveria, perdoa-me, cobri-los
uma discreta folha de parreira.



Chifre

 




domingo, 4 de outubro de 2020

Brasil manda detergente e cloroquina pra Trump


Em uma operação de guerra jamais vista na história desse país, o presidente Bolsonaro anunciou a apreensão de todo o estoque de detergente líquido para enviar aos Estados Unidos.

Objetivo é o de ajudar no tratamento contra a Covid-19 do presidente americano Donald Trump.

“O Trump disse que detergente no sangue podia curar o vírus chinês, tá ok? O Exército vai enviar todo o estoque do país pra ele se tratar disso daí. Quer dizer, todo não, só os de cor verde, amarelo, azul e branco, porque o nosso detergente jamais será vermelho”, explicou Bolsonaro.

Junto com o detergente, Bolsonaro mandou também uma tonelada de cloroquina, com a recomendação de que o presidente Trump use o medicamento fazendo papa três vezes ao dia para substituir as refeições.

“Não tem coronavírus que resista a isso daí: detergente e papa de cloroquina é tiro e queda, tá ok? Disse a ele que faça a papa com leite, pra disfarçar o gosto de remédio”, informou Bolsonaro.

Com informações do The Piaui Herald



Velhos costumes do meu sertão - Parte I

Juvenal Lamartine foi um intelectual, dos maiores que já passou em terras seridoenses. Letrado e estudioso! Nasceu no dia 9 de agosto de 1874, na Fazenda Rolinha, Município de Serra Negra do Norte/RN, filho do casal Clementino Monteiro de Faria e Paulina Umbelina Monteiro de Faria. Aprendeu as primeiras letras na própria Fazenda Rolinha, com seu pai e um mestre-escola. Em seguida, em Caicó, por volta de 1890, estudou francês e latim com o professor Manoel Augusto Bezerra de Araújo. Passou rapidamente por Natal, João Pessoa e em Recife concluiu o curso de Direito. 

De volta ao Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, depois de uma experiência profissional como Vice-Diretor do Colégio Atheneu e de redator do Jornal A República, foi nomeado o primeiro Juiz de Direito da Comarca de Acari. Por aqui ele contraiu núpcias com Silvina Bezerra de Araújo Galvão, filha do Coronel Silvino Bezerra e de Maria Febrônia. Na carreira política, propriamente dita, começou ainda jovem, em 1903, sendo Vice-Governador ao lado de Augusto Tavares de Lira. Em 1906, foi eleito Deputado Federal exercendo mandatos sucessivos na Câmara dos Deputados durante vinte anos. Em 1927, foi eleito Senador da República e em 1929 chegou ao Governo do Estado como Governador. Em toda a caminhada, livros lidos, anotações feitas, intelectuais visitados, ou seja, não perdeu a atenção pela própria qualificação, todavia, não se afastou dos temas que o aproximavam do povo, especialmente, do sertão, seus valores e desafios.

Ao sair da política, voltou-se ainda mais para as letras, tornando-se acadêmico e imortal do Rio Grande do Norte, sendo fundador e, posteriormente, presidente da Academia por alguns anos. Faleceu em Natal, no dia 18 de abril de 1956, cercado pela família e recebendo a atenção dos que o estimavam.

É de autoria dele um dos livros mais consultados pelos que gostam de temas relacionados à nossa região: “Velhos costumes do meu sertão”. A partir dos textos de Juvenal, no livro mencionado, encontramos pauta para uma prosa de qualidade em torno de temas do Seridó que a gente ama. Neste sentido, por exemplo, há um destaque para a conhecida hospitalidade sertaneja. Em tempos antigos, como bem relata Juvenal Lamartine, não haviam hospedarias nas cidades, sendo as pessoas de fora acolhidas nas casas das pessoas, algumas das quais sem qualquer parentesco, mas “desnecessário dizer que a hospedagem era farta, gratuita e louvada foi por todos os que cortaram os nossos sertões”.

No trajeto Acari a Natal, por exemplo, quando a viagem era feita a cavalo, já existiam os pontos certos de acolhimento. Juvenal Lamartine os relaciona: de Acari para Currais Novos, a primeira parada era na casa do Major Sérvulo Pires; no segundo dia, ainda em Currais Novos, “ao pé da Serra do Doutor”, na fazenda São Luiz de Dona Marica Pegado; em seguida, no território de Santa Cruz, na fazenda do “velho João da Mata”; ainda em Santa Cruz, na fazenda Inharé (de Antonio Patrício); de lá para Caiada de Baixo, pouso na casa de Francisco da Costa; continuando a viagem para Lagoa dos Cavalos, fazenda Cajazeiras (Antonio Serafim) e, ainda, uma parada em Várzea (residência da Sra. Canuta) para, finalmente, chegar em Macaíba. De lá, na “lancha do mestre Antonio”, era feito o percurso até Natal.

Pelas minhas contas, no roteiro mencionado por Juvenal Lamartine, somente no oitavo dia se chegava a Natal, saindo do Acari de nossas raízes, em um percurso pontuado pela generosidade de muitos.


Fernando Antonio Bezerra é escritor, advogado e colaborador do Bar de Ferreirinha.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Novo sanduba

 





Entrega

CAMILA CINTRA

Um beijo desce pelo corpo
passeia pelas pernas
beijando cada dedinho do pé
sobe pelas curvas das ancas
deslizando no meio das nádegas
serpenteando pelas costas acima
até atingir a nuca
afastar teus cabelos
tornear tuas orelhas
buscando teus lábios abertos.

Encontro de línguas em fogo
e mãos que descem aos seios
teus mamilos em minha boca
teu arfar em meu coração
minha alma em teus braços.

No meio de tuas pernas
o cheiro perfumado do prazer
atrai meu encaixe que busca
tua entrada que acolhe
sem pensar em mais nada...



Mãe cuidadosa







quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Gilsadas

O único exercício físico
que eu faço é correr
atrás de quenga.
Gilson Variedades






Do teu cheiro

 ADEMIR BACCA

O gosto da tua pele
sal impregnado em meus lábios
que me mata de sede
à beira da fonte dos teus prazeres.

O teu gosto na minha boca
mel que sacia meus desejos
na hora derradeira
do medo de te perder
em meio aos lençóis.

O teu cheiro impregnado
no meu corpo
perfume raro que nem a chuva
leva de mim...



Agora feda