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sábado, 24 de agosto de 2019
Selva de amor
Rosa Clemente
Quero que venhas simplesmente
com teu instinto de homem,
mas deixa meus pensamentos loucos
governar este dia.
Vem somente com teu desejo e paixão,
para nesta hora de lascívia
te entregar
aos meus caprichos de amor.
Vem com a velocidade do tigre
que alcança sua presa,
mas com a maciez de um coelho,
deita comigo,
para ser envolvido,
como a rosa envolve a abelha.
Enquanto as luzes do dia se vão,
vem ser a luz que atordoa a mariposa,
mas vem amar-me devagarinho,
com a pressa de uma preguiça.
E assim ébrio de amor,
vem sentir o prazer do urso que lambe o mel,
deitado no céu.
com teu instinto de homem,
mas deixa meus pensamentos loucos
governar este dia.
Vem somente com teu desejo e paixão,
para nesta hora de lascívia
te entregar
aos meus caprichos de amor.
Vem com a velocidade do tigre
que alcança sua presa,
mas com a maciez de um coelho,
deita comigo,
para ser envolvido,
como a rosa envolve a abelha.
Enquanto as luzes do dia se vão,
vem ser a luz que atordoa a mariposa,
mas vem amar-me devagarinho,
com a pressa de uma preguiça.
E assim ébrio de amor,
vem sentir o prazer do urso que lambe o mel,
deitado no céu.
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Coisa amar
Manoel Alegre
Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.
Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.
Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te logamente como doi
desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.
Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.
Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te logamente como doi
desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
Aquela noite
Roberta Cazal
Naquela noite eu disse: eu te amo
E acordei suada
Tua saliva pelo corpo
Mente nublada de sono
E levantei curada
Das marcas que deixaste em mim
Mas não sei bem se despertei feliz
Me encostei amuada
No teu peito e repeti: Eu te amo, eu te amo!
Naquela noite eu sonhei em preto e branco.
E acordei suada
Tua saliva pelo corpo
Mente nublada de sono
E levantei curada
Das marcas que deixaste em mim
Mas não sei bem se despertei feliz
Me encostei amuada
No teu peito e repeti: Eu te amo, eu te amo!
Naquela noite eu sonhei em preto e branco.
Gilsadas

Quem não for bonito aos
vinte anos,forte aos trinta,
esperto aos quarenta e rico
aos cinquenta,não pode
esperar ser tudo isso depois.
GILSON VARIEDADES
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
Enfim, juntos
Esta é uma história de vida impressionante, movimentada e bela.
Aquela mulher simpática, bondosa e atenciosa, filha de uma das mais tradicionais famílias daquela aprazível cidade do interior, casou e teve 13 filhos.
Depois, enviuvou.
Manteve-se em forma, atraente, e apareceu um cavalheiro que se apaixonou pela bela viúva... e ela casou de novo.
Teve mais sete filhos e, novamente, repetiu-se a viuvez.
Inacreditavelmente, mesmo com 20 filhos, arranjou novo casamento e ainda pariu mais cinco rebentos.
Ficou viúva pela terceira vez, mas, já debilitada, morreu pouco tempo depois.
No velório, ao lado do caixão, o padre faz a encomendação da alma daquela santa senhora.
Elogia o fato de ela ter cumprido ao pé da letra o ensinamento bíblico “crescei e multiplicai-vos”.
E encerra a sua encomendação com um solene: “Senhor, finalmente estão juntos!”
Um amigo da família comenta com outro, ao lado:
- Na sua opinião, a qual dos três maridos o padre está fazendo referência?
O cara pensa um pouco e diz:
- Acho que ele está falando dos joelhos dela!
Aquela mulher simpática, bondosa e atenciosa, filha de uma das mais tradicionais famílias daquela aprazível cidade do interior, casou e teve 13 filhos.
Depois, enviuvou.
Manteve-se em forma, atraente, e apareceu um cavalheiro que se apaixonou pela bela viúva... e ela casou de novo.
Teve mais sete filhos e, novamente, repetiu-se a viuvez.
Inacreditavelmente, mesmo com 20 filhos, arranjou novo casamento e ainda pariu mais cinco rebentos.
Ficou viúva pela terceira vez, mas, já debilitada, morreu pouco tempo depois.
No velório, ao lado do caixão, o padre faz a encomendação da alma daquela santa senhora.
Elogia o fato de ela ter cumprido ao pé da letra o ensinamento bíblico “crescei e multiplicai-vos”.
E encerra a sua encomendação com um solene: “Senhor, finalmente estão juntos!”
Um amigo da família comenta com outro, ao lado:
- Na sua opinião, a qual dos três maridos o padre está fazendo referência?
O cara pensa um pouco e diz:
- Acho que ele está falando dos joelhos dela!
Diarreias mentais - CLXI
Os velhinhos esquecidos
estão sendo punidos
A iniciativa privada está sempre reclamando dos excessos do setor público, no entanto, sempre que podem, ambos fazem um conluio para botar no orifício do cidadão comum.
Um exemplo atual.
As Prefeituras Municipais das grandes cidades, através dos seus órgãos controladores do trânsito urbano, baseadas numa lei de “não sei das quantas”, estão atuando nos estacionamentos dos grandes supermercados e shoppings das cidades.
Entenderam? Os amarelinhos, que são pagos com o dinheiro dos contribuintes, abandonam o controle do trânsito das ruas (muitas vezes caótico) e vão para os estacionamentos de empresas privadas multar os veículos estacionados irregularmente em vagas especiais.
E quem estão sendo os grandes penalizados? Os próprios velhinhos.
Todos sabemos que, com o avanço da idade, ficamos esquecidos. Daí juntamos nossa amnésia com o convênio Empresas/Prefeituras Municipais e temos como resultado final uma gama de multas nos carros dos próprios idosos por esquecerem de colocar a devida autorização no para-brisa, após estacionarem nas vagas reservadas à terceira idade.
Casos concretos:
Um velho amigo deixou a autorização no banco do carona (com boa vontade o guarda veria). Foi multado.
Outro amigo, colocou a sua autorização de velhice no para-brisa do seu automóvel, mas, displicentemente ficou virada. Foi multado.
Vários velhinhos (inclusive este humilde escriba) esqueceram a autorização (ou seria atestado de idoso?) no porta-luvas. Foram multados.
Acredito que chegou o momento daquelas Empresas reverem o seu entendimento com as Prefeituras Municipais. Por quê?
Porque, se não, vão quebrar financeiramente seus clientes idosos.
Os velhinhos estão sendo punidos, mas... e quando a viatura da STTU no próprio shopping estaciona em local inadequado?
Ciduca Barros é escritor e colaborador do Bar de Ferreirinha
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