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terça-feira, 16 de maio de 2023

Futebol em ritmo de Brasil

                          

Ivar Hartmann

Há muitos anos, um jogador de futebol chamado Gerson, fez uma propaganda de cigarro, cujo mote era que ele “gostava de levar vantagem em tudo”. Dela se criou a Lei de Gerson, ou seja, a pessoa ou empresa que procura tirar vantagens sempre e de forma indiscriminada. Forma canalha de viver. A celeuma foi grande e anos depois toda propaganda de cigarros foi banida da imprensa brasileira. Esse fato, no Brasil de hoje, passaria em brancas nuvens. Porque depois tivemos João Havelange, presidente da CBF e da FIFA e notório corrupto. Seu genro, Ricardo Teixeira, também ex-presidente da CBF, foi expulso da FIFA por receber propinas em troca de direitos de televisionamento.

Se altos dirigentes do futebol brasileiro, por tantos anos receberam propinas, desviaram dinheiro para seus bolos de forma ilícita, o que é um anúncio de cigarro? Pior, leitores, é essa a diferença entre o Brasil de antes e o de agora. Antes certos comportamentos públicos não eram aceitos porque contrariavam a ética nacional. Depois nos acostumamos a ver dirigentes esportivos sendo processados por ladrões. Sem falar que a Lava Jato abriu os olhos dos brasileiros para os seus políticos corruptos. E, por mais que o STF queira em contrário, tudo foi provado em vários tribunais. Ou alguém acha que os empresários processados, devolveram bilhões aos cofres públicos, por arrependimento?

A Lei de Gerson está sempre presente. Agora, com a descoberta de que jogadores de futebol, forçam cartões amarelos ou pênaltis, roubando os colegas e o torcedores, para ganhar um dinheiro extra de apostadores, se vê que futebol brasileiro, como a política, não é coisa séria. Será que acontecerá algo com eles? No Brasil, na atualidade, o crime compensa.


Promotor de Justiça aposentado

ivar4hartmann@gmail.com

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