Já dizia o velho Ulysses Guimarães: “Se você acha esse Congresso ruim, espere o próximo”. A velha raposa política vaticinou o que virou quase uma lei não escrita a cada eleição, quando emergem das urnas parlamentares ainda mais insignificantes, baixos, escatológicos, corruptos, indignos... A lista dos adjetivos é interminável e as perspectivas para a abertura das urnas em 2026 deverão confirmar a fala do Senhor Diretas, político lendário que foi um dos maiores presidentes da história da Câmara dos Deputados.
Somente um país amoral como o Brasil tolera um Congresso que piora a cada eleição. Hoje temos Senado e Câmara presididos por duas figuras absolutamente inadequadas, que ninguém sabe direito de onde vieram – não me venham falar de geografia e da naturalidade desses caras. Repetem a velha escrita do coronelismo como filhos de famílias dominantes nas políticas regionais e cercadas de investigações. Uma simples visita ao maior site de buscas da internet traz resumos desoladores:
“A família do senador e seus membros têm sido alvo de diversas notícias e investigações envolvendo polêmicas, que abrangem desde crimes ambientais e grilagem de terras no Amapá até esquemas de corrupção, rachadinha, contrabando e tráfico de drogas.”
“Mãe, pai, avó a padrasto do deputado já foram investigados ou presos nos últimos 10 anos.”
Os acordões que estão na ordem do dia para frear a refrega entre Legislativo e Judiciário não parecem motivados pelo indispensável equilíbrio entre os Poderes. Na verdade, visam acalmar o festival de rabos presos que provocam insônia generalizada. De um lado, um Congresso que dispensa apresentações. Do outro, um Supremo que engoliu a língua diante das inexplicáveis ligações diretas de parentes de ministros ou gestos de simpatia de alguns deles com empresas e empresários que operam na economia dos esgotos e reluzem na ostentação desabrida.
E os expedientes são um escárnio: patrocínios, bocas-livres nababescas no exterior, esposas, filhos e parentes embutidos em escritórios de advocacia pagos a peso de ouro para defender réus bilionários em tribunais superiores – alguns contratos são tão generalistas que podem até entubar manjubinha frita no forno da Pizzaria Brasil.
O escárnio mais reluzente até agora – nesta terra em que tudo se dá nunca se sabe o dia de amanhã – é reincidente: um mesmo togado que dispensou multa bilionária de um cliente da agora ex-mulher, decretou sigilo sepulcral em favor de outro depois de, por pura coincidência, participar de um voo de jatinho da alegria palmeirense – alegria que durou somente até o Flamengo apresentar seu jogo no Peru e levantar o tetra da Libertadores. Vá lá, alguém pode enxergar uma corrente de apoio para quer tia Leila fique calma, ainda mais agora que ventos suspeitos de fraudes da CPMI do INSS podem soprar no banquinho dela.
Ao mesmo tempo em que uma andorinha solitária não consegue emplacar sua data venia no código de conduta das outras incelenças de preto, no outro lado da Praça dos Três Podreres (linguagem neutre) as incelenças eleitas só caçam níqueis e fingem que nada demais aconteceu com os coleguinhas fujões do bananal bananeiro. Ao que tudo indica, jatinhos continuarão esvoaçando togas e gravatas nos ares urbi et orbi, tendo Brasília como hangar, e pousos e decolagens seguirão livres de freios de arrumação.
No Executivo, o fedor do patife-mor et caterva sobre os números de Petrobras, Banco do Brasil (inclusive Previ) e Correios remete ao lamaçal mensalão + petrolão. É apenas a firma reconhecida da vocação dos petralhas e a continuação do fluxo de esgoto no Palhaço do Planalto após a imundície deixada pelo soldador e seu pelotão fardado.
A questão do Executivo é complexa porque, diante da menor crítica, os rebanhos enlouquecem espalhando narrativas de defesa para seus capatazes, sempre apontando os dedinhos melados de esterco para o curral do outro lado do pasto. Pior, acreditam nas versões amestradas produzidas em laboratórios de narrativas, mas param de mugir diante de uma pergunta simples: que empresa contrataria esses insignificantes como CEOs? Ou alguém já esqueceu daquela outra que conseguiu quebrar uma lojinha de R$ 1,99?
Se a direita bronca não se envergonha de bater continência para pneus, tentar contato com ETs e pedir um golpe militar para salvar a democracia, a esquerdinha caviar-festiva constrange o circo com suas “viúvas” posando com aquele ar de intelequitual que finge não enxergar a roubalheira no seu próprio mar de lama, mas avista uma realidade paralela doentia e vive nela. Essa gente da militância veste um colete fajuto onde mandou imprimir “Guardiães das Virtudes”, no melhor estilo flanelinha que acredita ser engenheiro de tráfego.
Estes últimos dias de 2025 revelam que estão sumindo as boias de salvação dessa água imunda que começa a subir pelas nossas canelas, e que a corredeira não vai desaguar no precipício final da Terra plana para desaparecer por encanto negacionista. Há até quem jure ter visto disco voador sobrevoando Copacabana com uma faixa publicitária onde se lia “Em terra de rabo preso todo papangu vira rei”.
Vatti Catar não é jornalista árabe. É uma imprecação.
Tá difícil, tá difícil,,,,
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